É HADDAD! É LULA! É O POVO BRASILEIRO! É 13! Frente Operária #505

A edição 505 do jornal Frente Operária já está nas ruas e nas redes, armando a militância de ideias para derrotar o golpismo no dia 7 de outubro e para o que virá! Clique na imagem acima para ler.

Sumário:

— Editorial: É Haddad! É Lula! É o povo brasileiro! Na urna eletrônica digite 13!

— Atentados: facada e queda de avião

— Criado o Movimento por Moradia Popular do DF e Região Metropolitana-AMORA

— México 1919/2018: Do Triunfo da “Revolução Interrompida”, com MORENA-PT-PES e Andrés Manuel Lopes Obrador, à Construção da Etapa de Transição a uma Nova Sociedade

— Esquerda Tira Grécia do Garrote Imperialista da União Européia

— Reforma Constitucional em Cuba

— Nicarágua em Defesa das Conquistas da Revolução Sandinista

— A IV Internacional Posadista e as Eleições no Brasil

— Movimentos Populares no processo eleitoral

– – – – – – – – – – – – – –

#LulaÉHaddad

O socialismo é uma necessidade da organização da vida” (J.Posadas)

Anúncios

LULA É A AMÉRICA LATINA NA LUTA POR UMA NOVA SOCIEDADE! Frente Operária #504

 

Já está nas ruas e nas redes a edição 504 do jornal Frente Operária! Clique na imagem acima para ler.

Sumário:

— Editorial: As contradições dos golpistas e a unidade em torno de Lula e das “ideias que não se aprisionam”

— LULA é a América Latina na luta por uma nova sociedade (Manifesto de 1º de Maio)

— AFONSO MAGALHÃES é pré-candidato a Governador de Brasília

— Relatos da Brigada Sul-Americana de Solidariedade a Cuba

— VI Congresso da CMP: avanço na unidade dos movimentos populares

— MARX, 200 anos

— Organizando o Congresso do Povo

— Todas as homenagens ao companheiro PAUL SINGER

– – – – – – – – – – – – – –

#LulaLivre #LulaPresidente

O socialismo é uma necessidade da organização da vida” (J.Posadas)

Exigimos Absoluta Liberdade de Ação para Lula e para o PT

“A direita golpista no Brasil tem medo de se enfrentar com a história do povo brasileiro. Mesmo que consiga cometer crimes judiciais, a máfia aliada à reação sabe que historicamente está com os dias contados. O que está se resolvendo no BRASIL e em todas nações é a luta de classes, e não isolada, mas como parte da região e do mundo.”

León Cristálli, 17 de janeiro de 2018.

O sistema capitalista em sua etapa final de existência não pode mais se apoiar ou sustentar em uma parte da classe explorada, como a pequena-burguesia/classe média, junto com camadas altas, burocratizadas do próprio Movimento Operário, ou a “aristocracia operária”, como se dizia em outros tempos. O sistema, então, tem que desenvolver políticas combinadas de assistencialismo, paternalismo, compra de consciências de excluídos, que (como na Argentina, aproveitando-se da limitação de uma parte de aposentados e pensionistas aterrorizados com a crise existencial e o medo produzido pela proximidade da morte) são facilmente enganados política e eleitoralmente com “promessas de campanha” que Macri e seu “combo” (equipe de governo de CEOs gerentes de transnacionais) nunca tiveram intenção de cumprir. Assim, estes setores acabam agindo como lumpens eleitorais contra o progresso revolucionário da sociedade que se desenvolveu na Argentina – e de outra forma também no Brasil – durante um período importante de tempo. Essa limitação levou a uma parte do eleitorado, que de qualquer maneira não passa de 40% juntando a direita e o centro, e com a “ajuda inconsciente” dos partidos que se colocavam “à esquerda” e diziam que “eram todos iguais” (não imaginavam os golpes na democracia e no progresso que estamos vivendo com Macri) com seu chamado ao voto em branco de seus eleitores (aproximadamente 4%), acabaram dando o governo a quem não tinha conseguido nem 34% próprio no primeiro turno, terminando por votar em Macri e seu “combo”. ISSO NÃO PODE ACONTECER NO BRASIL!

Porque não tem espaço para “erro” político, qualquer que seja o argumento. E isso é porque no Brasil o curso foi e é diferente, onde o peso da enorme votação a Lula e depois a Dilma significa um enorme capital social e eleitoral. Os golpistas sabem que NÃO PODEM DERROTAR LULA AGORA, daí que tiveram que lançar mão do “golpe parlamentar-jurídico” para interromper o progresso nacional, popular e revolucionário no Brasil, cuja retomada sem dúvida nenhuma é a CANDIDATURA DE LULA EM 2018.

Esta sociedade capitalista em estado de desintegração social e política precisa destruir a confiança do povo em si mesmo. O capitalismo não consegue gerar confiança na vida e no desenvolvimento com perspectivas de progresso incluído o âmbito da cultura e da arte em geral. Isso acontece nos centros do imperialismo, como a crise que veio à tona em Hollywood com o tema dos abusos sexuais, ou como nos meios de comunicação o tempo dedicado aos assassinatos, violações e aberrações ao estilo “mundo cão”, que é parte de uma distração política para desviar a realidade de fundo, No caso do cinema, de 80% do seu “negócio”, que é como se dá a arte sob o imperialismo – que funcionou assim, corrupto, perverso, desde sempre, e não só contra as mulheres. E isso também se expressa na crise do sistema capitalista nos EUA. É o mesmo que, de outra forma, se expressa com o governo de Donald Trump.

O sistema capitalista e os governos que conseguem capturar, os estados que conseguem transitoriamente dirigir, seja pela via pseudo-democrática, eleitoral, ou por meio de golpes parlamentares, jurídicos etc… tenta conter a desagregação capitalista mundial e encontrar a “fórmula” baseada em obrigar os trabalhadores a pagar a conta com sua exploração, como há 200 anos, para chegar a uma hipotética refundação do sistema capitalista. Trump tenta fazer isso nos EUA. Escrevemos sobre isso nos tomos I e II do livro “TRUMP É A CRISE DOS EUA EM UM MUNDO EM REVOLUÇÃO”, abordando também o papel da Rússia, atual pseudônimo da URSS, que avança na função mundial de Estado Operário na defesa da Paz e do Progresso Social, por conta de sua base soviética e seu papel no mundo.

O sistema capitalista não pode se afiançar socialmente. Nem sequer em sua própria sociedade burguesa imperialista. Sua estrutura é a suposta “cegueira” do mercado capitalista, porque na realidade seus olhos são as finanças, a economia financeira transnacional e os seus CEOs, que imitam os yuppies ou os Chicago Boys de 40 anos atrás, que acabaram – a maioria – dormindo nas ruas de Nove Iorque, como que saudosos de sua estadia em Wall Street. Por essas razões, o sistema capitalista cria moedas idiotas como os tais “bitcoins”. Uma miragem financeira, como as bolhas especulativas, que a qualquer momento estouram concretamente e destroem os que confiaram nelas. China Popular está saindo rapidamente de todas essas “bitcoins”, essas moedas fictícias. Do outro lado, está o BRICS, a Aliança Euroasiática, o Banco Asiático, com Rússia, China etc… que é a concorrência ao capitalismo imperialista.

Por isso achamos necessário destacar o papel da Igreja Católica Apostólica Romana quando, pela voz do Papa Francisco, faz explícita condenação ao capitalismo, ao individualismo e ao imperialismo do ouro e da exploração da natureza, da terra e do ser humano como “descartáveis”. A Igreja, como analisaram os mestres do marxismo e do materialismo dialético, sempre na história esteve um passo à frente, porque é da sociedade que ela vive e se nutre, e se a sociedade entra em decomposição, destrói sua célula mãe que é a “família”, e também arrastará as religiões à desagregação. Exatamente por isso que a mídia mundial esconde e menospreza esta viagem internacional do Papa Francisco e o que ele, em nome de uma Igreja sumamente terrenal e lógica para a vida, está defendendo seu programa com “Terra, Teto e Trabalho”, que é a antítese do capitalismo atual, dos Temer e Macri.

Em toda esta condição é que se baseia o atentado contra o povo brasileiro que é a tentativa de impedir a candidatura de Lula. Nós encaramos esta luta exigindo total liberdade de ação para Lula e para o PT. A continuidade da vida e do progresso social do povo brasileiro. Não se trata só da defesa do companheiro Lula. Trata-se de avançar no ataque social e político a seus detratores. A mobilização de 22 a 24 de janeiro em Porto Alegre não é de resistência, é de ação da luta de classes, aberta, pública, com forma social, não aventureira nem com ações contrárias à lógica da luta de classes, quando esta se representa com a intervenção das grandes maiorias sociais. Não precisamos empurrar ninguém, mas sim organizar a luta em que os sindicatos, o ABC, a CUT, o PT e os partidos políticos do campo nacional e popular, democraticamente revolucionários tem uma função imprescindível.

Este é o sentido da participação do Movimento 26 de Julho-agrupamento interno do Partido dos Trabalhadores, do jornal Frente Operária, assim como do Partido Obrero Revolucionário-membro fundador da Frente Ampla do Uruguai, de nossos companheiros de outros países que vem ao Brasil intervir neste episódio da luta de classes em POA, até saírem vitoriosos com Lula à frente. O companheiro Lula tem assumido este papel, esta função em sua vida, que se afirma em um salto dialético pessoal de Lula, que vai impulsionar, e já vem impulsionando milhões em todo Brasil e mundo. E isso é, por si só, um grande progresso na América Latina.

León Cristalli, diretor da Fundação J.Posadas e da Revista Internacional CONCLUSIONES

É Lula de Novo com a Força do Povo! Frente Operária #503

Já está circulando a edição 503 do jornal Frente Operária! Clique aqui para ler.

Sumário:

— Editorial

— VI Congresso da Central de Movimentos Populares (DF): texto base

— Eleições na Argentina

— “Maradona é 10!”

— Centenário da Revolução Russa: Vitória da Humanidade

Nota do Comitê Brasil Rússia

— Internacionalismo:

Povo da Venezuela esmaga a contra-revolução nas ruas e nas urnas

Independência da Catalunha

Apoio à República Popular Democrática da Coréia do Norte

Bolívia investiga crimes da ditadura

 

#EleiçãoSemLulaÉFraude

#ForaTemer #DiretasJá

#NenhumDireitoAMenos

 

O socialismo é uma necessidade da organização da vida” (J.Posadas)

 

A Constituinte é um Triunfo do Povo Venezuelano sobre a Ditadura Imperialista

CabeçalhoA CONSTITUINTE SEGUE EM FRENTE!
TRIUNFO DO POVO VENEZUELANO SOBRE A DITADURA IMPERIALISTA

para leer en español, aqui

As massas trabalhadoras venezuelanas, o melhor delas – em especial da juventude – não se deixaram amedrontar nem pelos assassinatos e queimados vivos pelos bandos guarimberos nem pela ação midiática interna e externa levada à frente mundialmente pelos órgãos de imprensa, partidos e governos de direita no mundo. O 30 de julho de 2017, com a votação de mais de 8 milhões nas urnas pela CONSTITUINTE, foi a resposta militante e revolucionária dos motoqueros militares e civis, dos trabalhadores que precisaram inclusive superar as barricadas montadas pela contra-revolução, que se utilizou de assassinos confessos. Esta foi a resposta DE UMA CLASSE TRABALHADORA que, com sua decisão de classe, enfrenta uma ditadura fascista de rua que, estrategicamente, lançando mão de algumas centenas de bandidos pagos, lumpens e malandros, quer IMPOR O CAOS NO COTIDIANO DA VIDA DA IMENSA MAIORIA DO POVO VENEZUELANO.

É necessário partir desta concretização da realidade, que não é nova: sempre esteve presente na história da Venezuela, principalmente desde a ação militar do 4F de 1992 em diante, que se concretizou no 4 de fevereiro de 1999 com o governo do camarada Comandante Eterno Hugo Chávez Frías. É daí em diante que o curso social e político do país dá um salto dialético e se concentra na construção de uma nova sociedade, em que desempenhará papel central o 40% da população que, de forma progressiva e socialmente militante, foi e é a vanguarda de massas que defende o progresso do país e da região a qual se sente integrada. Por isso, porque começa uma nova era do país, que se QUALIFICA COMO CLASSE TRABALHADORA, é que não é tão importante se são do PSUV, do PPT, do PCV, do PODEMOS, etc… porque se manifestam como classe trabalhadora e como a estrutura social e política para lutar e definir seu futuro.

PRESENÇA VIVA DE CHÁVEZ NO POVO DA VENEZUELA

O que é uma conquista do querido comandante Hugo Chávez, que conseguiu concentrar em seus 15 anos de luta revolucionária desde o governo e sua ação em todo o país, na América Latina e no mundo, uma POLÍTICA REVOLUCIONÁRIA, APONTANDO E MOSTRANDO QUE A REALIDADE PASSAVA LONGE DO TAL TRIUNFO DO CAPITALISMO E “FIM DA HISTÓRIA E DAS IDEOLOGIAS”. Por isso tiveram que assassiná-lo pela via mais vil como foi sua cruel enfermidade, frente a qual ele nunca se prostrou, pelo contrário: tocou sua vida em função da luta de classes, sabendo que o imperialismo tinha conseguido inocular-lhe um câncer que o tiraria da vida, mas não da consciência do povo venezuelano e dos povos do mundo e da história da humanidade.

Isso se viu e viveu no domingo, 30 de julho, em toda Venezuela. A luta social e política de Hugo Chávez permanece no coração do eixo da vida social da nação e a impulsiona com sua segurança no futuro socialista. Porque 8 milhões e 80 mil votos, – que se não fossem as ações criminosas de intimidação teriam superado os 10 milhões – expressaram combinadamente o que está se resolvendo hoje na Venezuela, e é questão central relativa à vida e ao progresso social: o povo venezuelano quer A PAZ. Da mesma forma que, na história da luta de classes, no preâmbulo da Revolução Russa bolchevique entre abril e o glorioso outubro de 1917, a palavra de ordem central era a paz. Ontem, na Rússia, a paz contra a idiota guerra do czarismo e das lutas interimperialistas; hoje, na Venezuela, a paz contra o imperialismo e a contrarrevolução interna. Então, A PAZ vem como auge político da luta de casses QUE ASSUME SEU PAPEL NA HISTÓRIA MAIS UMA VEZ.

A Paz na Venezuela é a continuação do programa de construção do Socialismo Bolivariano, Chavista, Marxista-Leninista. Nós agregamos aí a J.Posadas, com o direito que nos dá toda sua obra e sua previsão do curso na Venezuela, como no caso do peronismo, da Frente Ampla, do PT no Brasil, o curso necessário de regeneração do Estado Operário Soviético e suas formas desiguais, parciais mas contínuas. Análise que combina o curso da Revolução Permanente de León Trótski e sua aplicação, por Posadas, no desenvolvimento do “nacionalismo revolucionário”, do qual Hugo Chávez foi a expressão concentrada na Venezuela, mas que antes já tinha se plasmado em grande parte da América Latina. E, partindo deste patamar, o que fomos capazes de aplicar e realizar nestes 36 anos posteriores à desaparição física de J.Posadas.

A revolução Venezuelana é parte do curso da revolução permanente que Trótski analisou; como também é parte do curso do nacionalismo ao Estado operário, que Posadas analisou e pelo qual lutou politicamente. O Posadismo vivo, atuante, é parte deste enorme progresso da história na Venezuela. Os posadistas, com objetividade total – apoiados em todas análises publicadas e aplicadas na luta, nas ruas –, podemos dizer que a revolução venezuelana é Bolivariana, Chavista, marxista-leninista-posadista, ou seja, SOCIALISTA!

Isso não é auto-promoção nem soberba política. Mas o fato é que assumimos essa responsabilidade com amor comunista, chavista, bolivariano socialista, porque é parte da imprescindível reconstrução, também permanente das direções revolucionárias. Por essa razão apoiamos com todas nossas forças em toda América Latina e mundo os camaradas comunistas, socialistas, do MPP, aos tabarezistas ou sem partido – e particularmente no Uruguai destacamos a função central do PIT-CNT e dos sindicatos para a vida e o progresso social do país. Como dissemos em 1994: A Frente Ampla ao governo, o PIT-CNT ao poder! E não era retórica nem superficialismo, mas sim uma concepção de classe e concretização política. Assim como na América Latina também apoiamos com tudo a Revolução Cubana e seus progressos nestes 58 anos de luta pelo socialismo, apoiamos a Nicarágua Sandinista, El Salvador, com a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, Evo Morales e sua incansável luta social e A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e textopolítica, o povo equatoriano que não se dobrou na história recente aos “novos governos” reacionários de direita surgidos de golpes judiciais e estados submissos, com poderes legislativos de maioria corrupta. Assim como no Brasil, em que o golpe jurídico-parlamentar-midiático não conseguiu intimidar Luís Inácio LULA da Silva, nem o PT, nem os sindicatos e movimentos sociais, na Argentina, onde o kirchnerismo, como corrente do peronismo desta etapa desempenha um papel de sujeito histórico para voltar a governar o país em 2019 com Cristina Fernández de Kirchner e uma ampla Frente de Unidade Cidadã, com uma base social trabalhadora que amadurece a cada dia. E também apoiamos o Partido del Trabajo (PT) do México que, como aliado desde a classe operária, o marxismo e o zapatismo mexicano, integra o MORENA, com ANDRES MANUEL LOPES OBRADOR para a presidência em 2018. E poderíamos seguir exemplificando cursos revolucionários como na Grécia, com o Syriza, ou a profundidade da crise do capitalismo no mundo, que gera derrubada de governos, fracassos da União Européia e a crise dos EUA e Alemanha etc…

A DITADURA DEMOCRÁTICA DO PROLETARIADO É A VERDADEIRA PAZ NA VENEZUELA

Mas queremos reafirmar nossa posição em relação ao significado da concentração do curso, que ontem se expressou NO TRIUNFO DAS MASSAS VENEZUELANAS EM SUA CONSTITUINTE, mas que globalmente se decide na Rússia, pseudônimo atual de URSS, na China Popular, no papel de uma nova economia no mundo com o Banco Euroasiático, os BRICS etc.

E também é central não perder o norte e afirmar o melhor do processo, mesmo com suas contradições, e por isso conclamamos a apoiar com toda força ao presidente Tabaré Vázquez contra a enorme e criminosa pressão que o imperialismo faz sobre o Uruguai. E aí não é o personagem de Donald Trump, mas o sistema, que também vai liquidá-lo se ele não cumprir seu papel de cabeça do imperialismo mundial, se não tocar esta política que é, em síntese, a defesa do último bastião de um sistema que está esgotado, porque a direção mundial imperialista sabe e sente que perdeu sua hegemonia do curso da história e tem que se defender. Daí executa ações criminosas em várias partes do mundo, mas percebe que, COMO NA VENEZUELA ONTEM, OS POVOS NÃO SE DOBRAM E LUTAM PELO FUTURO DE UMA NOVA SOCIEDADE.

E justamente por essa consideração e razão política é que SAUDAMOS A DECLARAÇÃO DO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DA RÚSSIA/URSS, que avisou ao imperialismo e ao capitalismo mundial que A VENEZUELA NÃO ESTÁ SÓ. Wladimir Putin está cumprindo uma função insubstituível na história da humanidade, como nação e povo, que deu a vida de 20 milhões de soviéticos para derrotar o nazismo na II Guerra Mundial e hoje está tendo um papel similar no enfrentamento ao imperialismo, e também arrastando, obrigando a burocracia administrativa pró-capitalista da China Popular a recuar e escutar, quando o presidente Xi Jinping diz, à sua maneira, que as Forças Armadas chinesas precisam voltar à vida política, retornar a Marx, Lênin y Mao Tse Tung – utilizando outras palavras, mas dizendo isso de fundo

Este é o curso que o Burô Latino Americano (BLA) já tinha expressado em seu Manifesto de 1º de Maio de 2017, publicado na imprensa e redes sociais posadistas no mundo: “CONVOCATÓRIA REVOLUCIONÁRIA NA VENEZUELA: Conquistar a PAZ, há 28 anos do Caracaço, 25 anos do 4F de 1992, 18 anos de Governo Bolivariano revolucionário, Venezuela caminha para uma ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE ORIGINÁRIA, PLENIPOTENCIÁRIA E CONSTITUCIONAL RUMO A UMA NOVA SOCIEDADE SOCIALISTA”. E foi isso que o povo da Venezuela, com Maduro e uma direção revolucionária, conseguiu com o 30 de Julho de 2017 nesta CONSTITUINTE, que agora deve funcionar, em nossa opinião, com a segurança social e política desta enorme força vinda dos 8 milhões de votos e os outros milhões que não conseguiram votar. Por isso A DITADURA DEMOCRATICA DO PROLETARIADO É A VERDADEIRA PAZ NA VENEZUELA. O imperialismo e seus lacaios internos e externos poderão tomar medidas econômicas, bloqueios, sabotagens etc… mas não conseguirão submeter a imensa maioria da população que quer PAZ COM TRABALHO E FUTURO SOCIALISTA.

VENEZUELA NÃO ESTÁ SÓ! VENEZUELA SE RESPEITA!

Viva CHAVEZ E TODO O GOVERNO MADURO! VIVA O SOCIALISMO!

Buro Latinoamericano da IV Internacional (Leninista-Trotskista-Posadista) 31/7/17

TODO APOIO À CONVOCAÇÃO DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO DO POVO DA VENEZUELA!!

Saudamos o Presidente Nicolás Maduro, o PSUV, o Grande Polo Patriótico e os dirigentes civis e militares da Revolução Bolivariana pela decisão de recorrer ao artigo 347 da Constituição Bolivariana – carta maior construída sob a liderança do eterno Comandante Hugo Chavez – e acionar o poder originário popular por meio da Assembleia Nacional Constituinte.

Logo do anúncio da Constituinte Revolucionária, em histórico ato ontem no 1º de Maio em Caracas, a contrarrevolução já começou a espernear, acusando o contragolpe político recebido da Revolução. Eles próprios que passaram os últimos anos defendendo a realização de uma Constituinte, agora, num tremendo contorcionismo político-verbal, se colocam histericamente contra.

QUEM DECIDE OS RUMOS DO PAÍS É SEU POVO!!

A contrarrevolução vai repetir à exaustão que a proposta viola o sacrossanto principio do sufrágio universal e outras sandices. Eles ladram e a Revolução Bolivariana avança com uma eleição constituinte que fortalecerá e dará um salto no poder popular e operário na Venezuela!!

O anúncio da Constituinte na Venezuela é também uma resposta certeira à OEA e a seu secretario geral, serviçal do imperialismo, Luiz Almagro, como também aos golpistas Macri e Temer, parasitas das duas maiores nações da América do Sul, países que padecem hoje sob governos sem a mínima legitimidade, mas que se arvoram no papel de interventores e tutores da Venezuela.

Nesse particular também damos o total apoio à saída da Venezuela da OEA, um organismo que nunca se descolou do perfil originário de “covil de bandidos”, instrumento da Doutrina Monroe (a América para os “norte” americanos) e hoje mais desvalorizada ainda com o pleno funcionamento da CELAC, organismo multilateral das nações da América Latina e Caribe sem a indesejável presença imperialista dos EUA.

Viva a Revolução Bolivariana!!

Por uma Assembleia Nacional Constituinte que reafirme o caminho da Venezuela ao Socialismo!!

BRASIL E VENEZUELA JUNTOS CONSTRUINDO A UNIDADE LATINOAMERICANA E CARIBENHA!!

Brasília, 2 de maio de 2017

CÍRCULO BOLIVARIANO DE APOIO À VENEZUELA

O TRIUNFO DE TRUMP É PARTE DA HISTÓRIA DA LUTA DO POVO DOS EUA CONTRA AS CORPORAÇÕES TRANSNACIONAIS

É A CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E EXPRESSÃO DA LUTA DE CLASSES E DA REBELIÃO DAS FORÇAS PRODUTIVAS: LUTA ENCABEÇADA NOS EUA PELOS MÁRTIRES DE CHICAGO DESDE 1887!!

foto-3-clinton-fail

Por León Cristalli, Diretor da revista internacional “Conclusiones”, 9 de novembro de 2016.

O chamado “fenômeno Trump” é expressão de uma situação mundial do capitalismo prevista por Marx e Engels desde o Manifesto Comunista, ou seja, que se daria inevitavelmente em um período do desenvolvimento do capitalismo a união da luta de classes com a rebelião das forças produtivas. E que eles são os 2 elementos constitutivos da queda final do capitalismo. E este Donald Trump certamente está expressando isso de duas formas: primeiro, porque atua na crise dos EUA a rebelião mundial das forças produtivas, que foram substituídas pelas financeiras que só concentram o capital e uma de cujas expressões mais álgidas nos últimos tempos foi o estouro das bolhas financeiras, derrubando instituições bancárias que precisaram ser resgatadas em um novo 1929 pela ação “benfeitora” do Estado, fazendo o povo dos EUA pagar pela crise de sua direção corporativa; Segundo, porque o povo estadunidense, que não dispõe de formas políticas democráticas, nem sequer sindicais, independentes, de se expressar, identificou no “outsider” (personagem fora do jogo político tradicional) Trump uma via para derrotar o sistema político clássico, abertamente representado por Hilary Clinton, e inclusive também pelo próprio Partido Republicano, que aceitou a candidatura de Trump mas não o apoiou com força total. Assim, ele não era um genuíno representante desse sistema político que produz os quadros que o capitalismo precisa para articular uma cabeça política consciente.

A formação e constituição original dos EUA se deu sobre a base de diferentes estados, com interesses diversos, contrapostos uns aos outros, mas que tinham uma grande riqueza natural e mão de obra qualificada vinda da Europa. Eles tinham que se colocar de acordo porque eram abarcados pelo grande capital da Revolução Industrial que se desenvolvia na Europa. Essa condição foi a que gerou a situação prática, objetiva, para a formação dos Estados Unidos. Era o que Marx já analisava: o desenvolvimento das correntes das burguesias nacionais, com interesses capitalistas próprios, regionais e que produziram as “revoluções democráticas” do século XX.

Então, o enfrentamento que a constituição dos EUA gera contra a Europa, principalmente contra Inglaterra, mas também França e Alemanha, era porque eles constituíam a estrutura da Revolução Industrial, e também porque ente financeiro do capitalismo era na Bélgica. E isso fez com que se desenvolvesse um processo libertário com condições muito aptas para o desenvolvimento do valor da força de trabalho e da capacidade individual e coletiva de massas (não exatamente os nativos dos EUA), que impulsionava a formação de uma nação. E a Guerra de Secessão é a conclusão final de todo esse progresso em que o setor industrialista, no Norte (não por acaso, os republicanos, à época) se impôs aos escravistas do Sul (que eram os democratas).

O CAPITALISMO FINANCEIRO INVESTE ONDE TEM MAIS LUCRO

Agora isso volta a se expressar, mas depois de mais de 200 anos história de luta de classes, incluindo aí a experiência do primeiro Estado Operário da história, com a URSS etc… ou seja, agora, numa época na qual o capitalismo não pode mais representar uma perspectiva com interesses comuns às massas dos EUA, porque se concentrou em Wall Street e nas transnacionais como funcionamento lógico do sistema capitalista, que desenvolve sua capacidade produtiva ali onde o custo da mão de obra e da produção em geral é menor. Não só onde está a matéria prima mais acessível, como dizem alguns. Mas onde os outros fatores essenciais à produção de bens, serviços e tecnologia, se desenvolvem a mais baixo custo. Assim analisamos quando surgiu Trump, há um ano. Na realidade, se isso tivesse vindo pelo lado dos democratas, seria antagônico à história deles, como escravistas na Guerra de Secessão.

As condições colocadas para o capitalismo agora são extremamente conflitivas, porque o valor do dólar como moeda universal de troca no sistema capitalista será questionado, mas não porque diminuirá seu potencial, e sim pelo contrário, porque crescerá. Se aumentar o desenvolvimento das forças produtivas internas dos EUA o valor do dólar será totalmente valorizado, e isso entra em choque com o resto das burguesias no mundo. Hoje o dólar é uma moeda de troca, como poderia ser qualquer outra que fosse sustentada, como dizia Posadas, pelo grande potencial tecnológico militar do complexo industrial dos EUA. De modo que não foi Hilary Clinton, pessoalmente, a derrotada nas eleições. Quem perdeu foi Wall Street, as grandes corporações internacionais, os fundos “buitres” (abutres), e governos como o de Macri. É o maior golpe na já perdida hegemonia mundial do imperialismo, como publicamos no Voz Proletária de abril de 2015. Algo que temos que aprofundar nas análises é o motivo pelo qual os libertadores latino-americanos de fins do século XVIII e princípios de XIX tentavam construir repúblicas semelhantes à dos EUA e ao mesmo tempo combatiam-no em sua intenção de avançar e dominar a América Latina.

NOS EUA, PRODUZ-SE UM FATO REVOLUCIONÁRIO UTILIZANDO-SE DE UM INSTRUMENTO NÃO REVOLUCIONÁRIO: DONALD TRUMP

A debilidade do capitalismo pode ser medida claramente porque, assim como treme com o inesperado triunfo de Trump, também se questiona “o que fazemos?”

A debilidade do capitalismo pode ser medida claramente porque, assim como treme com o inesperado triunfo de Trump, também se questiona “o que fazemos?”

É neste contexto histórico que o resultado eleitoral (47% dos votos distribuídos pelos estados de forma que ficou com 279 votos do tal Colégio Eleitoral, 9 além dos necessários para ganhar) é a expressão deformada do curso da revolução social que avança no interior dos EUA e no mundo. É um alento aos povos em luta no mundo, pois desarticula as forças internas do imperialismo e abre uma nova etapa da luta de classes nos EUA. Um curso que não é, nem poderia ser, linear, mas sim dialético: debilita o centro político mundial nos EUA e seus (por enquanto) “sócios” da Europa e, com isso, permite um fôlego para países em disputa com os centros financeiros, como o FMI, e o Banco Mundial, ou a “troika europeia” que sufoca a Grécia e contra a qual o povo grego luta. Permite um ganho de tempo para todos que estão sofrendo com a política conservadora neoliberal financeira do sistema, em sua última etapa, que tem como expressão também os acordos tipo TPP, Tratado do Pacífico etc…

Então, é um erro não ir à fundo em uma análise científica sobre esta enorme crise, que, politicamente, é superior à de 1929/30 e à II Guerra Mundial. Encarar o resultado dessas eleições só como um problema eleitoral entre dois partidos do sistema, quando é justamente por fora dos dois partidos (Democrata e Republicano) que Trump surge, é não enxergar, ou não querer enxergar, que esta crise é a resposta objetiva da história, como Marx e Engels previram, que mostra a convulsão interna do sistema e anuncia claramente a proximidade da última etapa da sociedade capitalista. Nem este curso é linear, nem Trump nem o resultado de uma eleição com participação de menos da metade dos eleitores são a forma genuína de expressão da rebelião das forças produtivas (com direção de classe e revolucionária). Mas abriu as portas para uma retomada da história dos EUA para avançar, superando-a, e na qual o povo estadunidense em sua imensa maioria encontrou, neste curso, os aliados naturais nos povos em luta em todo mundo, principalmente as massas soviéticas, junto com uma parte de sua direção, como Vladimir Putin e o Exército Vermelho.

Por isso é preciso, autocriticamente, analisar com preocupação que a IV Internacional (Leninista-Trotskista-Posadista) vinha compreendendo só parcialmente o caminho por onde passa o curso da revolução permanente. Há textos nossos com análises sobre o significado de Trump logo que ele apareceu nas internas do Partido Republicano. Por outro lado, temos também a alegria de constatar que alguma Seção do trotskismo-posadismo conseguiu publicar alguns destes textos que hoje já são parte da história, não por nós mesmos, mas porque uma vez mais com León Trótski e J.Posadas, voltamos a “nadar contra a corrente”. Isso porque a pseudo-esquerda, os democratas pequeno-burgueses e os idealistas ou nihilistas de pensamento, aberta ou veladamente apoiavam Hilary Clinton, que era, na verdade, a continuidade do establishment, do “Consenso de Washington” e dos mentores do PLANO CONDOR II para a América Latina. Nós nos dispusemos a analisar essa relação, que não é nova, mas que agora aflora com força e se expressa desde o povo dos EUA que, com ferramentas nada próprias e muito menos genuínas, conseguiram dar um golpe gigante, histórico no sistema capitalista, em sua unidade política e de classe, utilizando a eleição de Donald Trump, que, reiteramos, não é instrumento próprio da classe explorada.

A CRISE MUNDIAL CAPITALISTA E A REVOLUÇÃO PERMANENTE

Neste momento, ao observar a repercussão mundial do resultado das eleições, com queda das principais bolsas de valores e alta do preço do ouro, que demonstram a aposta falida da oligarquia financeira transnacional na candidata derrotada, é que nós fazemos questão de lembrar da inteligência de Putin, que apontou Trump como um tipo que quebra as pernas da estrutura central do sistema corporativo-financeiro do neoliberalismo.

Neste momento, ao observar a repercussão mundial do resultado das eleições, com queda das principais bolsas de valores e alta do preço do ouro, que demonstram a aposta falida da oligarquia financeira transnacional na candidata derrotada, é que nós fazemos questão de lembrar da inteligência de Putin, que apontou Trump como um tipo que quebra as pernas da estrutura central do sistema corporativo-financeiro do neoliberalismo.

Agora vejamos, Trump é o defensor máximo do funcionamento clássico do capitalismo, mas para resolver essa visível contradição é preciso voltar atrás na própria história da formação e constituição do capitalismo nos EUA e, ao mesmo tempo, avançar para adiante na sua função. Então, Trump tem que analisar as reais perspectivas de seu futuro governo “industrialista e defensor do mercado interno” em um mundo imperialista em que a concentração transnacional determina a divisão internacional do trabalho. Por isso, nos anos 80, escrevíamos que a estratégia de desenvolvimento econômico de Deng Xiaoping para a República Popular da China com uma política combinada entre o Estado Operário e sua incorporação à divisão mundial do trabalho no mundo capitalista abria uma perspectiva às corporações multinacionais. Porque combinava atração de investimento transnacional com a desobrigação do capitalismo, como sistema, do desafio de resolver problemas sociais básicos ligados à dinâmica da acumulação capitalista: disponibilidade e custo de mão de obra, conflitos sociais, questões trabalhistas, saúde e moradia etc… A República Popular da China, por sua estrutura de Estado Operário suigéneris, assumia a responsabilidade por esses problemas que obstaculizam a longo prazo o desenvolvimento do investimento e direção capitalista transnacional imperialista. O Estado Operário chinês, sua direção política, garantiu às transnacionais uma paz social para produzir a baixíssimo custo, tirar seus lucros e vender no exterior nos valores do sistema capitalista internacional. Então não nos surpreendia o crescimento “a taxas chinesas”, com sua incorporação, nessas condições, ao mercado mundial capitalista. Isto permitiu às transnacionais acelerar o desenvolvimento, combinando alta produtividade do trabalho que gerava uma nova organização internacional da produção, com salários nominais rebaixados em comparação a seu valor nos países imperialistas. Isso tudo acelerou o desenvolvimento de um setor da economia chinesa, mas não resolveu os problemas intrínsecos do curso da revolução chinesa, em que uma grade parte da população ainda vive no campo em condições de vida muito atrasadas.

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, é a resposta da burguesia norteamericana a essas relações financeiras produtivas do capitalismo em sua etapa chamada “globalizada”, e à qual Marx e Engels já qualificavam como tal há 150 anos, porque o sistema capitalista, para existir, precisa dominar o mundo.

Em um plano similar (e oposto), do outro lado da moeda, nos EUA, se deu um retrocesso na sua condição de grande armazém industrial do planeta. Função que passou a cumprir principalmente a partir da II Guerra Mundial, com a expansão da industrialização interna resultado da política do New Deal de Roosevelt, aproveitando a eliminação da concorrência da Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Bélgica etc que estavam “de pires na mão”, destruídos pela guerra. Aí ocorreu um dos grandes crimes da burocracia e de Stálin contra o progresso da história porque, como analisou J.Posadas, e, antes, Trótski, no pós-Guerra estavam presentes as circunstâncias em que a luta pelo socialismo teria sido algo muito fácil, porque a Europa estava apta para a construção ou reconstrução socialista, não via Plano Marshall, como o imperialismo fez, investindo o que hoje seriam centenas de bilhões de dólares para afirmar o capitalismo na Europa. Porém, a burocracia stalinista negociou com o capitalismo, porque o avanço do socialismo pela Europa repercutiria em um processo de revolução política para dentro da URSS.

Hoje, Trump surge como uma “revolução política” na estrutura da tradição bipartidária, que revezava entre os dois partidos a direção política, mas não a condução da economia. Daí que Trump chega à Presidência já não só sem o apoio de seu Partido Republicano, mas com o aberto boicote dele. Chegou para apresentar outra condução da economia, e isso é o âmbito “revolucionário” que diz respeito à crise dos Estados Unidos. Crise que temos analisado (ver “Marx Sempre Teve Razão”, Revista CONCLUSIONES nº 23), afirmando que não podia acontecer o estouro de uma bolha financeira como a de 2008 sem que gerar resultados políticos imediatos e posteriores no povo dos EUA. O problema da migração, por exemplo, é uma política econômica que, no princípio, é favorável ao sistema capitalista, pela substituição do trabalhador nacional com seus direitos e conquistas trabalhistas pela mão de obra barata “importada”. Mas, no longo prazo, socialmente, significa uma redução do nível de vida de amplos setores sociais devido à competição exacerbada pelos postos de trabalho. Concretamente, gera redução do mercado interno e aumento da pobreza: nos EUA há 48 milhões de pobres nas estatísticas oficiais do governo. Esses segmentos sociais, em determinado momento, encontram a forma de se expressar

Então, como resultado desta contradição, que vira antagonismo pelas forças da Revolução Permanente, surge um Donald Trump. Ele não é nenhum doido, é um genuíno representante do sistema, mas que precisa do apoio do proletariado, das classes médias baixas, dos excluídos e marginalizados para defender e aplicar seu programa de reconstrução da economia estadunidense. Por isso especula e utiliza a questão da imigração. Temas como xenofobia, machismo etc são parte do circo do capitalismo, que cria esses preconceitos e depois usa politicamente contra adversários inconvenientes, sem nunca discutir o fundo da questão, que é o papel imperialista no mundo como órgão mundial de opressão e repressão, organizador e executor do Plano Condor II, por exemplo.

No caso da Argentina, depois da crise de 2001, surgiu Néstor Kirchner com uma política de desenvolvimento do mercado interno, de reindustrialização e reconstrução da “burguesia nacional”. Em 2016, Trump, em última instância, também quer desenvolver uma burguesia nacional com interesse no mercado interno, que é o que lhe dá sustentação e segurança interna frente ao curso da história da luta de classes e a etapa da revolução das forças produtivas nos EUA. Não partir desse ponto de análise é cair na imbecilidade da pseudo-esquerda e de uma parte da direita, que se limita ao impressionismo da aparência do fenômeno, ao terreno só do discurso, e não consegue (ou não quer) entender o que Trump, este político burguês norteamericano, representa: a grande contradição entre a imensa força e potencialidade que os EUA tem desde sua formação após a Guerra de Secessão, e a atual realidade econômica de um país quebrado pelo próprio processo financeiro de transnacionalização imperialista, que se concentra em Wall Street, e do qual Hilary Clinton era representante direta.

Por isso, para nós, Posadistas, o resultado das eleições nos EUA não é uma surpresa. Pelo contrário, escrevemos análises sobre os EUA e onde a crise ia estourar. Não tínhamos certeza da vitória de Trump por que os meios de poder podiam manipular a eleição, como fizeram nas internas democratas a favor de Hilary Clinton em detrimento ao pré-candidato Bernie Sanders, reconhecidamente socialista, que era a expressão genuína de uma saída de superação do próprio sistema, algo que claramente Trump não representa.

Nesta linha, ao observar a repercussão mundial do resultado das eleições, com queda das principais bolsas de valores e alta do preço do ouro, que demonstram a aposta falida da oligarquia financeira transnacional na candidata derrotada, é que nós fazemos questão de lembrar da inteligência de Putin, que apontou Trump como um tipo que quebra as pernas da estrutura central do sistema corporativo-financeiro do neoliberalismo. É importante reforçar isso, não porque Trump seja anticapitalista ou vá arriscar seu capital no mundo colocando-o à disposição da “sociedade global” , mas porque vai tentar encontrar uma forma de capitalismo em base ao desenvolvimento do mercado interno, em base ao potencial de autofinanciamento do país. Isso já está acontecendo no caso do petróleo, com o aumento da produção interna mediante novas técnicas, e Trump planeja fazer isso em muitas outras áreas com a aplicação da tecnologia informática, cibernética etc… para o desenvolvimento da indústria nacional. Porque, nos últimos 20/30 anos, os EUA perderam a força, o impulso ao desenvolvimento originário, para benefício das corporações transnacionais, que baixaram seus custos ao levar a produção para fora do país, usufruindo da ditadura do dólar, o que, no fim das contas, levou à crise atual.

Esta crise que resulta no triunfo eleitoral de Trump é a expressão da debilidade do sistema capitalista mundial, e confirma que vive sua etapa final, como previu Vladimir Ilich Ulianov Lênin.

O CAPITALISMO NO MUNDO ESTÁ APAVORADO. A PSEUDO-ESQUERDA E A PEQUENO BURGUESIA LIBERAL TAMBÉM.

Esta nova etapa da luta de classes também derrota as teorias acomodadas dos “tíbios” segundo as quais “a mídia impõe governos e dirige o mundo”

Esta nova etapa da luta de classes também derrota as teorias acomodadas dos “tíbios” segundo as quais “a mídia impõe governos e dirige o mundo”

A debilidade do capitalismo pode ser medida claramente porque, assim como treme com o inesperado triunfo de Trump, também se pergunta “como nos acomodamos a esta mudança no governo?”. Governo que nem representa de fato o verdadeiro poder nos EUA, maior potência capitalista hoje. O sistema se pergunta como se “adaptar” para manter alianças, ou seus guarda-chuvas de apoio como os governos de Temer, no Brasil, Macri, na Argentina, Rajoy, na Espanha e a própria Merkel, na Alemanha, ou na Inglaterra, em que o Brexit quebrou as pernas de uma União Européia que é das transnacionais e não dos povos. Tudo isso não quer dizer que os EUA deixarão de cumprir um papel central na crise do sistema e no enfrentamento de classes e na competição mundial de “sistema contra sistema”, na oposição aos BRICS, ao Banco Asiático, a um Mercosul nacionalista etc… Mas o fato é que essa burguesia norteamericana que Trump representa quer “arrumar a casa” frente à crise mundial dos seus vários “quintais” ao redor do mundo.

Mas esta nova etapa da luta de classes também derrota as teorias acomodadas dos “tíbios” segundo a qual “a mídia impõe governos e dirige o mundo”. Sem dúvida que a mídia é uma ferramenta muito bem utilizada pelo capitalismo, mas ele consegue manipular a informação e induzir a opinião não por sua capacidade, e sim pelas debilidades das direções da classe trabalhadora. Direções políticas, sindicais, sociais e culturais débeis, que não tem confiança na capacidade do povo e no critério de classe dos trabalhadores. É aí que a política do assistencialismo e populismo reformista do capitalismo possibilita arejar o edifício construído pelo sistema.

Trump utilizou os poucos meios de comunicação que se animaram a apoiá-lo (nos EUA a mídia declara abertamente quem apoia), em sentido contrário a essa concepção paternalista dos “tíbios” e reformistas socialdemocratas: partindo de uma posição política conservadora, capitalista, baseada na origem da formação dos EUA (principalmente a guerra civil entre norte Republicano industrialista, e o sul Democrata escravista), Trump chutou o balde de uma concepção política e econômica e, mesmo sem mudar um centímetro sua ideologia capitalista, vai fixar como referência o caráter nacional da origem do capitalismo nos EUA.

Agora, isso, há 200 anos, era natural ao desenvolvimento das forças produtivas da época da revolução industrial na Europa e suas colônias, entre elas as do outro lado do Atlântico. Era a potência que gerava uma forma evolutiva e concentrada “através da maquinaria e da revolução das roldanas” (LC 1990), que gerava produtividade concentrada e mais-valia com a força de trabalho humano. Hoje essas condições são inversas, porque as forças que deram aos EUA em meados do século XX uma capacidade hegemônica mundial foram desaparecendo, porque deixaram de ser produtivas de bens e serviços, passando a ser baseadas na concentração financeira: em segundos, o capital imperialista “dá lucros” astronômicos sem produzir nada além de movimentos virtuais dos capitais.

Trump se lança contra isso, mas não em defesa de uma nova sociedade socialista, equitativa, solidariamente harmoniosa. Ele defende uma reorientação da função do Estado Nacional americano que tem se comprometido permanentemente como sistema mundial, como polícia do mundo e diretor, desde Wall Street, das finanças mundiais, e não como “nação”. Por isso não produzia nem gerava emprego nos EUA, e sim internacionalmente onde as corporações tivessem mais lucros. Isso destruiu em grande parte o enorme potencial do produto dos EUA e condenou o proletariado e camadas médias da população estadunidense a um permanente retrocesso no nível de vida.

Esta condição ao interior dos EUA, como em sua relação com o mundo, não podia seguir assim. Aproximava-se uma rebelião da luta de classes e das forças produtivas nos EUA. Para barrar isso, surge Trump com uma política “lógica” desde o sistema capitalista primário, que faz com que este empresário capture a candidatura através do Partido Republicano e chegue ao governo. Agora, veremos se ele conseguirá se manter no governo com essa política, ou se será dirigido desde o poder estrutural já solidamente instalado nos EUA, ou se triunfará de mil maneiras a concepção de “polícia e centro econômico do mundo” que já exerciam os governos pelos tratados de livre comércio, do “Consenso de Washington”, do Plano Condor, com a intervenção militar aberta no Iraque, Líbia, Síria etc… A experiência de Kennedy, que terminou em seu assassinato, ou a de Jimmy Carter, ambos pelo lado Democrata, em outros tempos, mostram que o que comanda os EUA não é o governo político, mas sim o complexo “financeiro-bélico-industrial transnacional”. É o chamado “Círculo Vermelho”, onde se tomam as decisões de fato.

Donald Trump vem dessa classe e dessa estrutura, e desde esse ponto rompe os esquemas lineares estabelecidos para tentar “voltar às estruturas” do sistema capitalista. Propõe recriar uma “burguesia nacional norteamericana” cujo motor não é o mundo – ainda que não o descarte – e sim a potência dos EUA e seu amplo mercado interno.

Esta condição explica por si mesma que se trata de uma tentativa natural do sistema capitalista, na fase (e no país) mais desenvolvida em sua história, de renascer quando está morrendo no mundo todo, em agonia depois de seu esplendor de séculos passados. E isso não só na economia, mas também na ciência, na cultura etc, só não nas relações sociais.

TRUMP E AS RELAÇÕES DOS EUA COM O MUNDO

Nestas condições do curso da luta de classes, da qual Trump não pode fugir, consideramos positivo o desenvolvimento de um setor próximo a Putin que tentar se orientar através do marxismo – mesmo que de modo parcial e deformado – para tentar prever o curso da história e agir de maneira consequente. Principalmente quando se afirmou – via Maxim Krivelévich, chefe da comunidade de especialistas da Escola de Economia da Universidade Federal do Extremo Oriente russa –, antes das eleições, que Hilary Clinton era apoiada pelo capital financeiro, enquanto Trump tinha por trás de si o capital industrial. “O capital financeiro precisa de um dólar caro, petróleo cru e matérias primas baratas, enquanto o capital industrial requer exatamente o oposto: um dólar barato para exportação e para o desenvolvimento da chamada substituição de importações”. E também quando qualificou de “pseudocientíficas” as explicações de que a baixa dos preços de petróleo se deviam ao aumento das reservas do óleo cru e das importações. “Não se deve levar a sério os argumentos que, a posteriori, os representantes do mercado financeiro dão para explicar a queda. Parece ser um tanto forçado quando os comentaristas tentam freneticamente dar alguma razão objetiva quando os preços (do petróleo cru) já tinham baixado. Tudo é muito subjetivo. Sempre justificam com a eleição presidencial. Não há nada mais subjetivo que isso”.

Como a IV INTERNACIONAL Posadista vem defendendo, a motivação da tendência de queda nos preços de petróleo nos últimos 5 anos é pseudoeconômica. A perda de hegemonia do imperialismo se soma à crise interna do sistema e das necessidades objetivas que lhe são colocadas pela rebelião das forças produtivas. E essas forças são as que, por cima da direção do sistema, pesam e geram as crises atuais, situação da qual o triunfo de Trump é uma expressão muito concentrada. Por isso o “dólar alto” não é um divisor de águas entre o capital financeiro e o capital industrial. O que ele marca é uma contradição entre a oligarquia financeira transnacional (na teoria leninista de imperialismo, oligarquia financeira é a fusão ou articulação de interesses entre os capitais oligopolista/monopolista da indústria e os grandes bancos) de um lado, e, do outro lado, o capital não-monopolista, ligado ao âmbito econômico nacional. O camarada J.Posadas mostrou, em seus textos, que é necessário entender o desenvolvimento das contradições intercapitalistas para definir estratégia e tática adequadas para resolver o problema principal: a contradição antagônica entre capital privado e trabalho mundialmente socializado. E isso é o que a maioria das direções, inclusive as da classe explorada, não analisam ou o fazem de forma superficial, mudando sempre de posição e desarmando a classe trabalhadora.

Considerar possível o desenvolvimento de um “capitalismo bom” (Voz Proletária, nº 2003) era criar uma armadilha não ao dólar, mas à luta de classes em sua estrutura, porque diminuía a capacidade de disputa da classe trabalhadora com o poder do capitalismo. E por isso os primeiros anos do governo do companheiro Néstor Kirchner, na Argentina, foram de um “governo em disputa”, que tinha que sustentar o sistema, tentando gerar uma “burguesia nacional” inexistente, porque já tinha provado o mel de não ser sujeito da história, como classe, mas sim objeto de acordos com as transnacionais imperialistas que lhes garantiam a condução política (Consenso de Washington, antes, Plano Condor etc…) enquanto a condução de fato do país era feita pelas transnacionais financeiras imperialistas.

Esta condição que, na forma, parece similar ao que propõe Trump, é bem diferente na estrutura, porque os EUA, como potência mundial econômica, produtiva e militar, que surge radiante depois da II Guerra Mundial, tem componentes internos em relação à potencialidade produtiva que nem Argentina nem outro país do mundo tem. Nem mesmo a China Popular, Europa ou Japão podem superar essa relação. Só os Estados Operários, a URSS, e a China daquela época podiam competir com ele (isso era parte do que J.Posadas qualificava de “concorrência entre sistemas”).

O reconhecimento implícito da imprensa imperialista e de notórios líderes mundiais do sistema acerca do “triunfo de Putin” na eleição de Trump, na realidade, expressa o enorme temor ao povo soviético e à própria URSS latente, que estão totalmente vigentes na história, enquanto eles, o capitalismo imperialista, está com o pé na cova.

O reconhecimento implícito da imprensa imperialista e de notórios líderes mundiais do sistema acerca do “triunfo de Putin” na eleição de Trump, na realidade, expressa o enorme temor ao povo soviético e à própria URSS latente, que estão totalmente vigentes na história, enquanto eles, o capitalismo imperialista, está com o pé na cova.

Donald Trump não é um revolucionário, mas produz um processo revolucionário nos EUA e no mundo. Se não existisse terra fértil, nada crescia, e Trump aproveitou essa condição natural. Tsipras e o Syriza, na Grécia, ganharão com esta nova relação mundial, enquanto Michel Temer seguirá na corda bamba e será prejudicado, como Macri, na Argentina. Trump não vai fazer a revolução socialista, mas vai voltar-se para dentro para “voltar aos princípios do sistema de 1865”, como analisamos há muito tempo. Reafirmamos: Trump vem para barrar uma guerra mundial quando declarou que “a política de Clinton na Síria pode causar um conflito com a Rússia e a III Guerra Mundial”, ou quando antecipou que “os EUA deixará de mexer com regimes estrangeiros”. Ele faz isso em nome de um sistema capitalista em desvantagem, que ele vai tentar relançar para fazê-lo florescer de novo.

Toda a parafernália midiática, em cima da qual ele próprio especulou e “surfou” durante a campanha eleitoral, acerca de sua xenofobia, sobre a criação de um Muro (que, aliás, já existe e foi construído por governos Republicanos e Democratas), o desrespeito à mulher etc… vão desaparecer quando ele entrar na Casa Branca, porque não precisa mais acariciar os baixos instintos dessa parte conservadora do eleitorado. O governo Trump vai tentar pôr em prática esta missão impossível de remoçar o capitalismo nos EUA e desenvolver um novo papel no mundo. E isso só vai potencializar socialmente o questionamento interno ao imperialismo (lembremos das manifestações de dezenas de milhões nos EUA contra a guerra do Vietnã, das críticas às ações no Oriente Médio e às agressões a Cuba etc…). É que para voltar, hoje, ao desenvolvimento industrial com mercado interno nos EUA, ele terá que mudar relações mundiais que são os pilares da enorme estrutura de poder dentro dos Estados Unidos e que tem seus fundamentos ao redor do planeta. E isso não se pode mudar apenas com decisões políticas, mas com decisões de âmbito social.

Inclusive não descartamos a possibilidade de desdobramentos com resultados parecidos com o de Kennedy, porque o imperialismo financeiro não vai deixar Trump passar ileso com sua política que o desarma internamente e mundialmente. Isso forma parte de um curso muito desigual e combinado, sem dúvida, mas que abre as portas para a volta do Estado Operário na Rússia de base social soviética. Também cria condições para que China Popular reflita sobre seu desenvolvimento capitalista baseado nas empresas transnacionais, em que o Euro assume o papel de avalista do Dólar. E neste sentido se deve fazer uma reavaliação profunda das políticas nacionais, das Frentes Únicas e alianças políticas, porque a mudança de estratégia do governo dos EUA, como os investimentos ou o aumento da taxa de juros nos EUA, vai repercutir dentro dos países. A crise que vai se expressar no mundo com a política externa do governo Trump estimulará os setores nacionais de cada país a proporem uma política nacionalista, mas que, sem a intervenção dos trabalhadores, sindicatos, partidos do campo nacional, popular e revolucionário, pode gerar correntes de direita, como está acontecendo na Europa. Neste curso, achamos que os camaradas cubanos terão que redefinir a política a ser desenvolvida, porque Trump não vai continuar com a ação das transnacionais, de investir bilhões de dólares em Cuba para tentar destruir por dentro a revolução cubana (estratégia que já fizeram na ex-URSS da burocracia, através dos Gorbachov, Yelstin etc…).

Esta eleição de Donald Trump é a mais importante ação política e social do povo estadunidense depois da que impôs, desde às ruas, a retirada do imperialismo do Vietnã. Nós acreditamos que se desataram forças interiores que não poderão ser submetidas por nenhuma ação dos governantes. Reiteramos: não é a força de Trump, mas a “panela de pressão” que o próprio sistema destapou. Como a ditadura cívico-militar na Argentina quando fez a encenação da recuperação das Ilhas Malvinas achando que ia se fortalecer e sair por cima, mas apenas selou sua derrota final.

Em nossa opinião, Trump não muda a ideologia política do capitalismo, mas, para salvá-lo internamente, terá que tomar medidas que avançam direto a uma revolução na economia, política e cultura, apesar de seus próprios objetivos. Os povos do mundo perceberam esta debilidade do imperialismo e as direções terão que agir em concordância com este curso.

Abriu-se um novo curso na luta de classes e na rebelião das forças produtivas no rumo da construção de uma Nova Sociedade: O SOCIALISMO.

León Cristálli –  9 de novembro de 2016

Para ler mais sobre o tema, seguem links de artigos do autor prévios ao resultado das eleições.

EUA, Eleições e Crise do Imperialismo, parte I (em português, publicado no jornal Frente Operária 501)

EUA, Eleições e Crise do Imperialismo, parte II (em espanhol)

EUA, Eleições e Crise do Imperialismo, parte III (em espanhol)

DERROTAREMOS OS GOLPISTAS E VOLTAREMOS! Frente Operária #501

cabecalho-fo-501

Já está circulando a edição de número 501 do período Frente Operária! Clique aqui para ler.

Sumário:

—Derrotaremos os golpistas! Voltaremos politicamente mais fortes, mais maduros, mais organizados!

—A caçada político-judicial ao Presidente Lula

—O Processo no Uruguai e a experiência da Frente Ampla

—EUA, eleições e a crise do imperialismo

O Papa Francisco e o destape da panela de pressão da História

—Há 76 anos do assassinato de León Trótski

—Internacionalismo Proletário:

Apoio ao Partido do Trabalho, do México;

Solidariedade à Venezuela Bolivariana;

Comitê Rússia 2017

O PAPA FRANCISCO E O DESTAPE DA PANELA DE PRESSÃO DA HISTÓRIA

foto-6-papa-francisco-1

O desaparecimento formal da URSS e do (mal) chamado “Campo Socialista” do Leste Europeu, assim como a defecção da maioria das direções (não da militância) dos partidos comunistas e socialistas do mundo, deixou aberta uma enorme crise no campo do marxismo. Inclusive honestos revolucionários, do campo da cultura, da ciência e da sociedade em geral “questionaram o marxismo”, colocando em dúvida o materialismo dialético. Isso se expressou também em nossa IV Internacional quando alguns hoje ex-camaradas acabaram seguindo a burocracia soviética dos tempos de Gorbachov, que, com a “perestroika”, queria desarmar o estado operário, o que permanecia do estado operário nas massas soviéticas. Para isso precisava de tempo e espaço para impor uma “política de transição”, só que, como era para retroceder na história, o “relojoeiro” Gorbachov (como o qualificamos desde 1986) não teve o sucesso pretendido. Porque era preciso desarmar o Estado Operário na sociedade, nas massas soviéticas e também na função exercida pelo Exército Vermelho.

Nós tocamos uma luta desigual contra esta postura de defecção em todo mundo, começando pelos renegados do próprio posadismo, onde isso se desenvolvia de forma tão desigual e combinada que, mesmo os que honestamente se equivocavam (e todos tem direito e oportunidade de depois fazer a autocrítica), aplaudiam raivosa e submissamente o “gorbachovismo” como sendo a “regeneração do Estado Operário Soviético”, quando na verdade era a negação dela.

Agora, o leitor pode estar se perguntando o que isso tem a ver com o Papa Francisco. TEM TUDO A VER, porque é desde este momento histórico que a Igreja Católica Apostólica Romana, mas também a Ortodoxa, e as outras, como a Islâmica e o Judaica, começam a revisar seriamente seu papel e suas perspectivas reais de sobrevivência em um capitalismo que, em sua fase superior e última (Lênin) arrasa com tudo que tem a ver com a cultura e com a própria vida.

Esse movimento dentro das Igrejas é captado pelo imperialismo e seu comando estratégico da corporação das 5 Irmãs nos EUA, que então desenvolve uma ação tão arriscada politicamente quanto necessária para eles: gerar conflitos religiosos na URSS, e na Rússia que a continua sob outra forma mas sem perder sua base social de massas soviética.

Com essa ação imperialista nascem as correntes “religiosas” que, mundo afora, vão desde o terrorismo religioso até os que aguardam a “salvação” com o fim do mundo, justificando com isso o conformismo e imobilismo frente às mazelas da sociedade capitalista imperialista. Dentro da religião islâmica e outras, criam grupos terroristas que, de fato, não tem nada a ver com o Islamismo, e que são um atentado real à vida de milhões de seres humanos. São ferramentas úteis ao imperialismo para desenvolver um “terrorismo mundial” que se expressou já com os “Mujahedines” no Afeganistão na década de 80, organizados e bancados pela CIA, e em outros países da região do Oriente Médio e África. E logo colocam em prática essa estratégia mundial com a “Farsa Macabra” do atentado às Torres Gêmeas de Nova Iorque, no 11 de setembro de 2001. Tudo que se desdobra a partir dali afetará profundamente as religiões, particularmente a católica, que tem sua base social nos países mais desenvolvidos do sistema capitalista.

Com a morte de João Paulo II, em 2 de abril de 2005, a Igreja não conseguiu alcançar uma estabilidade interna pelas condições também flutuantes da sociedade no mundo. O Papa polonês deveria ser uma ferramenta de aliança e continuidade da política global do sistema capitalista, por isso o chamavam de “Papa Viajante”, porque tentava colocar a religião mundo afora como escudo da discussão social entre o capital e o trabalho, entre a luta de classes. Mas não obteve sucesso, porque a dialética da realidade da luta de classes já não podia ser contida, desviada e nem aplacada com aquilo de que “dos humildes é o Reino dos Céus”. A tecnologia da luta de classes se une à luta social diária das classes e começa então a surgir na Igreja a noção da NECESSIDADE DE MUDANÇA GERACIONAL QUE EXPRESSASSE E APONTASSE UMA SAÍDA A ESTA CRISE. O padre alemão Joseph Aloisius Ratzinger, o Papa Bento XVI, era para ser a expressão prática da queda do Muro de Berlim (“idiota e burocrático Muro de Berlim”, já diria J.Posadas). Mas este padre remendado pela crise interna da Igreja Católica não podia se manter por um longo tempo nisso. Neste momento o comando político da Igreja decidiu ir realmente ao fundo da questão e colocar o aparato mundial eclesiástico em funcionamento. Era necessário um representante que expressasse a condição do mundo, a saber: A crise mundial do sistema capitalista; A situação mundial de uma sociedade em desenvolvimento científico e cultural na qual estava predominando a luta de classes e o fortalecimento de religiões alternativas à Apostólica Romana.

A conclusão não era só colocar no Vaticano um “padre do terceiro mundo”, mas um que representasse uma política de estado para enfrentar esta crise e propor uma solução, seja ou não uma solução real ou final a ela.

O Papa Francisco (cuja função qualificamos mal, equivocadamente, nos primeiros dias ou horas de sua escolha, porque reagimos sem considerar nem sequer nossas próprias análises e textos prévios) avança, primeiro, reconstruindo o “aparato da Igreja”, dando prioridade aos problemas terrenos, “da paróquia”. E para isso se baseia em sua experiência em seu país natal, a Argentina.

Quando o Papa Francisco afirma “ESTAMOS EM GUERRA”, rompe o esquema da religiosidade da “Paz” como consígnia e como política. As pombas brancas de João Paulo II morreram em seu primeiro voo. O Papa Francisco está colocando que é imprescindível alcançar harmonia para conseguir uma Paz que hoje NÃO EXISTE. E nesse caminho ele ataca o quê? uma Nova Sociedade que está em surgimento? Uma sociedade, o socialismo, que foi denegrida e degradada pelas burocracias dos Estados Operários e da URSS durante décadas? NÃO! O Papa Francisco ataca o SISTEMA CAPITALISTA E O IMPERIALISMO, e aí se reencontra com um papel importante na história, que nós consideramos necessário resgatar como parte do progresso da luta de classes. Porque na luta pelo socialismo estão todas as formas de expressão cultural, religiosa e política que convirjam para MUDAR ESTA SOCIEDADE CAPITALISTA POR UMA NOVA SOCIEDADE, SOCIALISTA.

Por isso ele se dirige aos “jovens” que ficam reféns da TV e das redes sociais. Na realidade, o que Francisco coloca em debate é a necessidade de não perder o sentido do progresso humano. E aí rompe com a continuidade do papel anterior, de séculos, das Igrejas como “ópio dos povos”, porque, sem mudar sua natureza teológica, o Papa Francisco está apontando muito para a luta terrena pela vida, sem focar em que um ser superior vai decidir tudo, e sim que é a luta social, ou de classes, a que pode salvar a humanidade e a natureza.

Por mais que uma parte da Igreja Católica, e das outras, queira se utilizar desta crise final do capitalismo imperialista, está presente e pesa a realidade que impulsiona milhões de seguidores e mesmo de fiéis a mudar a forma de pensar e de agir. E por isso consideramos, nesta breve análise, que o Papa Francisco destapou a “panela de pressão” da História no Século XXI.

Por León Cristalli, Diretor-presidente da Fundação J.Posadas Internacional, e Diretor da Revista Internacional “CONCLUSIONES” (1ª parte – 31/07/2016).

Não ao Golpe! Frente Operária #500

FO500_Cabeçalho

Já está circulando a edição de número 500 do período Frente Operária! Clique aqui para ler.

Sumário:

—Não ao Golpe! Não Retroceder! Nenhum Passo Atrás! O povo brasileiro quer aprofundar as mudanças (Editorial)

—As 500 edições de Frente Operária

—Sou “SUS Futebol Clube”

—Grécia: As Eleições na Grécia e o Novo Triunfo do Siryza é um Triunfo de Toda a Humanidade

—Refugiados e Emigrações: encarar o tema com a visão de classe trabalhadora

—Chile: Retomando o Caminho de Salvador Allende e Nelsa Gadea

—CMP: Carta de Salvador

—DF: Ações de Vanguarda e de Base no Distrito Federal

—Brasília é Pólo da Solidariedade Internacionalista

—Revolução Russa: o farol que ilumina a humanidade