A Constituinte é um Triunfo do Povo Venezuelano sobre a Ditadura Imperialista

CabeçalhoA CONSTITUINTE SEGUE EM FRENTE!
TRIUNFO DO POVO VENEZUELANO SOBRE A DITADURA IMPERIALISTA

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As massas trabalhadoras venezuelanas, o melhor delas – em especial da juventude – não se deixaram amedrontar nem pelos assassinatos e queimados vivos pelos bandos guarimberos nem pela ação midiática interna e externa levada à frente mundialmente pelos órgãos de imprensa, partidos e governos de direita no mundo. O 30 de julho de 2017, com a votação de mais de 8 milhões nas urnas pela CONSTITUINTE, foi a resposta militante e revolucionária dos motoqueros militares e civis, dos trabalhadores que precisaram inclusive superar as barricadas montadas pela contra-revolução, que se utilizou de assassinos confessos. Esta foi a resposta DE UMA CLASSE TRABALHADORA que, com sua decisão de classe, enfrenta uma ditadura fascista de rua que, estrategicamente, lançando mão de algumas centenas de bandidos pagos, lumpens e malandros, quer IMPOR O CAOS NO COTIDIANO DA VIDA DA IMENSA MAIORIA DO POVO VENEZUELANO.

É necessário partir desta concretização da realidade, que não é nova: sempre esteve presente na história da Venezuela, principalmente desde a ação militar do 4F de 1992 em diante, que se concretizou no 4 de fevereiro de 1999 com o governo do camarada Comandante Eterno Hugo Chávez Frías. É daí em diante que o curso social e político do país dá um salto dialético e se concentra na construção de uma nova sociedade, em que desempenhará papel central o 40% da população que, de forma progressiva e socialmente militante, foi e é a vanguarda de massas que defende o progresso do país e da região a qual se sente integrada. Por isso, porque começa uma nova era do país, que se QUALIFICA COMO CLASSE TRABALHADORA, é que não é tão importante se são do PSUV, do PPT, do PCV, do PODEMOS, etc… porque se manifestam como classe trabalhadora e como a estrutura social e política para lutar e definir seu futuro.

PRESENÇA VIVA DE CHÁVEZ NO POVO DA VENEZUELA

O que é uma conquista do querido comandante Hugo Chávez, que conseguiu concentrar em seus 15 anos de luta revolucionária desde o governo e sua ação em todo o país, na América Latina e no mundo, uma POLÍTICA REVOLUCIONÁRIA, APONTANDO E MOSTRANDO QUE A REALIDADE PASSAVA LONGE DO TAL TRIUNFO DO CAPITALISMO E “FIM DA HISTÓRIA E DAS IDEOLOGIAS”. Por isso tiveram que assassiná-lo pela via mais vil como foi sua cruel enfermidade, frente a qual ele nunca se prostrou, pelo contrário: tocou sua vida em função da luta de classes, sabendo que o imperialismo tinha conseguido inocular-lhe um câncer que o tiraria da vida, mas não da consciência do povo venezuelano e dos povos do mundo e da história da humanidade.

Isso se viu e viveu no domingo, 30 de julho, em toda Venezuela. A luta social e política de Hugo Chávez permanece no coração do eixo da vida social da nação e a impulsiona com sua segurança no futuro socialista. Porque 8 milhões e 80 mil votos, – que se não fossem as ações criminosas de intimidação teriam superado os 10 milhões – expressaram combinadamente o que está se resolvendo hoje na Venezuela, e é questão central relativa à vida e ao progresso social: o povo venezuelano quer A PAZ. Da mesma forma que, na história da luta de classes, no preâmbulo da Revolução Russa bolchevique entre abril e o glorioso outubro de 1917, a palavra de ordem central era a paz. Ontem, na Rússia, a paz contra a idiota guerra do czarismo e das lutas interimperialistas; hoje, na Venezuela, a paz contra o imperialismo e a contrarrevolução interna. Então, A PAZ vem como auge político da luta de casses QUE ASSUME SEU PAPEL NA HISTÓRIA MAIS UMA VEZ.

A Paz na Venezuela é a continuação do programa de construção do Socialismo Bolivariano, Chavista, Marxista-Leninista. Nós agregamos aí a J.Posadas, com o direito que nos dá toda sua obra e sua previsão do curso na Venezuela, como no caso do peronismo, da Frente Ampla, do PT no Brasil, o curso necessário de regeneração do Estado Operário Soviético e suas formas desiguais, parciais mas contínuas. Análise que combina o curso da Revolução Permanente de León Trótski e sua aplicação, por Posadas, no desenvolvimento do “nacionalismo revolucionário”, do qual Hugo Chávez foi a expressão concentrada na Venezuela, mas que antes já tinha se plasmado em grande parte da América Latina. E, partindo deste patamar, o que fomos capazes de aplicar e realizar nestes 36 anos posteriores à desaparição física de J.Posadas.

A revolução Venezuelana é parte do curso da revolução permanente que Trótski analisou; como também é parte do curso do nacionalismo ao Estado operário, que Posadas analisou e pelo qual lutou politicamente. O Posadismo vivo, atuante, é parte deste enorme progresso da história na Venezuela. Os posadistas, com objetividade total – apoiados em todas análises publicadas e aplicadas na luta, nas ruas –, podemos dizer que a revolução venezuelana é Bolivariana, Chavista, marxista-leninista-posadista, ou seja, SOCIALISTA!

Isso não é auto-promoção nem soberba política. Mas o fato é que assumimos essa responsabilidade com amor comunista, chavista, bolivariano socialista, porque é parte da imprescindível reconstrução, também permanente das direções revolucionárias. Por essa razão apoiamos com todas nossas forças em toda América Latina e mundo os camaradas comunistas, socialistas, do MPP, aos tabarezistas ou sem partido – e particularmente no Uruguai destacamos a função central do PIT-CNT e dos sindicatos para a vida e o progresso social do país. Como dissemos em 1994: A Frente Ampla ao governo, o PIT-CNT ao poder! E não era retórica nem superficialismo, mas sim uma concepção de classe e concretização política. Assim como na América Latina também apoiamos com tudo a Revolução Cubana e seus progressos nestes 58 anos de luta pelo socialismo, apoiamos a Nicarágua Sandinista, El Salvador, com a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, Evo Morales e sua incansável luta social e A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e textopolítica, o povo equatoriano que não se dobrou na história recente aos “novos governos” reacionários de direita surgidos de golpes judiciais e estados submissos, com poderes legislativos de maioria corrupta. Assim como no Brasil, em que o golpe jurídico-parlamentar-midiático não conseguiu intimidar Luís Inácio LULA da Silva, nem o PT, nem os sindicatos e movimentos sociais, na Argentina, onde o kirchnerismo, como corrente do peronismo desta etapa desempenha um papel de sujeito histórico para voltar a governar o país em 2019 com Cristina Fernández de Kirchner e uma ampla Frente de Unidade Cidadã, com uma base social trabalhadora que amadurece a cada dia. E também apoiamos o Partido del Trabajo (PT) do México que, como aliado desde a classe operária, o marxismo e o zapatismo mexicano, integra o MORENA, com ANDRES MANUEL LOPES OBRADOR para a presidência em 2018. E poderíamos seguir exemplificando cursos revolucionários como na Grécia, com o Syriza, ou a profundidade da crise do capitalismo no mundo, que gera derrubada de governos, fracassos da União Européia e a crise dos EUA e Alemanha etc…

A DITADURA DEMOCRÁTICA DO PROLETARIADO É A VERDADEIRA PAZ NA VENEZUELA

Mas queremos reafirmar nossa posição em relação ao significado da concentração do curso, que ontem se expressou NO TRIUNFO DAS MASSAS VENEZUELANAS EM SUA CONSTITUINTE, mas que globalmente se decide na Rússia, pseudônimo atual de URSS, na China Popular, no papel de uma nova economia no mundo com o Banco Euroasiático, os BRICS etc.

E também é central não perder o norte e afirmar o melhor do processo, mesmo com suas contradições, e por isso conclamamos a apoiar com toda força ao presidente Tabaré Vázquez contra a enorme e criminosa pressão que o imperialismo faz sobre o Uruguai. E aí não é o personagem de Donald Trump, mas o sistema, que também vai liquidá-lo se ele não cumprir seu papel de cabeça do imperialismo mundial, se não tocar esta política que é, em síntese, a defesa do último bastião de um sistema que está esgotado, porque a direção mundial imperialista sabe e sente que perdeu sua hegemonia do curso da história e tem que se defender. Daí executa ações criminosas em várias partes do mundo, mas percebe que, COMO NA VENEZUELA ONTEM, OS POVOS NÃO SE DOBRAM E LUTAM PELO FUTURO DE UMA NOVA SOCIEDADE.

E justamente por essa consideração e razão política é que SAUDAMOS A DECLARAÇÃO DO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DA RÚSSIA/URSS, que avisou ao imperialismo e ao capitalismo mundial que A VENEZUELA NÃO ESTÁ SÓ. Wladimir Putin está cumprindo uma função insubstituível na história da humanidade, como nação e povo, que deu a vida de 20 milhões de soviéticos para derrotar o nazismo na II Guerra Mundial e hoje está tendo um papel similar no enfrentamento ao imperialismo, e também arrastando, obrigando a burocracia administrativa pró-capitalista da China Popular a recuar e escutar, quando o presidente Xi Jinping diz, à sua maneira, que as Forças Armadas chinesas precisam voltar à vida política, retornar a Marx, Lênin y Mao Tse Tung – utilizando outras palavras, mas dizendo isso de fundo

Este é o curso que o Burô Latino Americano (BLA) já tinha expressado em seu Manifesto de 1º de Maio de 2017, publicado na imprensa e redes sociais posadistas no mundo: “CONVOCATÓRIA REVOLUCIONÁRIA NA VENEZUELA: Conquistar a PAZ, há 28 anos do Caracaço, 25 anos do 4F de 1992, 18 anos de Governo Bolivariano revolucionário, Venezuela caminha para uma ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE ORIGINÁRIA, PLENIPOTENCIÁRIA E CONSTITUCIONAL RUMO A UMA NOVA SOCIEDADE SOCIALISTA”. E foi isso que o povo da Venezuela, com Maduro e uma direção revolucionária, conseguiu com o 30 de Julho de 2017 nesta CONSTITUINTE, que agora deve funcionar, em nossa opinião, com a segurança social e política desta enorme força vinda dos 8 milhões de votos e os outros milhões que não conseguiram votar. Por isso A DITADURA DEMOCRATICA DO PROLETARIADO É A VERDADEIRA PAZ NA VENEZUELA. O imperialismo e seus lacaios internos e externos poderão tomar medidas econômicas, bloqueios, sabotagens etc… mas não conseguirão submeter a imensa maioria da população que quer PAZ COM TRABALHO E FUTURO SOCIALISTA.

VENEZUELA NÃO ESTÁ SÓ! VENEZUELA SE RESPEITA!

Viva CHAVEZ E TODO O GOVERNO MADURO! VIVA O SOCIALISMO!

Buro Latinoamericano da IV Internacional (Leninista-Trotskista-Posadista) 31/7/17

TODO APOIO À CONVOCAÇÃO DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO DO POVO DA VENEZUELA!!

Saudamos o Presidente Nicolás Maduro, o PSUV, o Grande Polo Patriótico e os dirigentes civis e militares da Revolução Bolivariana pela decisão de recorrer ao artigo 347 da Constituição Bolivariana – carta maior construída sob a liderança do eterno Comandante Hugo Chavez – e acionar o poder originário popular por meio da Assembleia Nacional Constituinte.

Logo do anúncio da Constituinte Revolucionária, em histórico ato ontem no 1º de Maio em Caracas, a contrarrevolução já começou a espernear, acusando o contragolpe político recebido da Revolução. Eles próprios que passaram os últimos anos defendendo a realização de uma Constituinte, agora, num tremendo contorcionismo político-verbal, se colocam histericamente contra.

QUEM DECIDE OS RUMOS DO PAÍS É SEU POVO!!

A contrarrevolução vai repetir à exaustão que a proposta viola o sacrossanto principio do sufrágio universal e outras sandices. Eles ladram e a Revolução Bolivariana avança com uma eleição constituinte que fortalecerá e dará um salto no poder popular e operário na Venezuela!!

O anúncio da Constituinte na Venezuela é também uma resposta certeira à OEA e a seu secretario geral, serviçal do imperialismo, Luiz Almagro, como também aos golpistas Macri e Temer, parasitas das duas maiores nações da América do Sul, países que padecem hoje sob governos sem a mínima legitimidade, mas que se arvoram no papel de interventores e tutores da Venezuela.

Nesse particular também damos o total apoio à saída da Venezuela da OEA, um organismo que nunca se descolou do perfil originário de “covil de bandidos”, instrumento da Doutrina Monroe (a América para os “norte” americanos) e hoje mais desvalorizada ainda com o pleno funcionamento da CELAC, organismo multilateral das nações da América Latina e Caribe sem a indesejável presença imperialista dos EUA.

Viva a Revolução Bolivariana!!

Por uma Assembleia Nacional Constituinte que reafirme o caminho da Venezuela ao Socialismo!!

BRASIL E VENEZUELA JUNTOS CONSTRUINDO A UNIDADE LATINOAMERICANA E CARIBENHA!!

Brasília, 2 de maio de 2017

CÍRCULO BOLIVARIANO DE APOIO À VENEZUELA

O TRIUNFO DE TRUMP É PARTE DA HISTÓRIA DA LUTA DO POVO DOS EUA CONTRA AS CORPORAÇÕES TRANSNACIONAIS

É A CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E EXPRESSÃO DA LUTA DE CLASSES E DA REBELIÃO DAS FORÇAS PRODUTIVAS: LUTA ENCABEÇADA NOS EUA PELOS MÁRTIRES DE CHICAGO DESDE 1887!!

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Por León Cristalli, Diretor da revista internacional “Conclusiones”, 9 de novembro de 2016.

O chamado “fenômeno Trump” é expressão de uma situação mundial do capitalismo prevista por Marx e Engels desde o Manifesto Comunista, ou seja, que se daria inevitavelmente em um período do desenvolvimento do capitalismo a união da luta de classes com a rebelião das forças produtivas. E que eles são os 2 elementos constitutivos da queda final do capitalismo. E este Donald Trump certamente está expressando isso de duas formas: primeiro, porque atua na crise dos EUA a rebelião mundial das forças produtivas, que foram substituídas pelas financeiras que só concentram o capital e uma de cujas expressões mais álgidas nos últimos tempos foi o estouro das bolhas financeiras, derrubando instituições bancárias que precisaram ser resgatadas em um novo 1929 pela ação “benfeitora” do Estado, fazendo o povo dos EUA pagar pela crise de sua direção corporativa; Segundo, porque o povo estadunidense, que não dispõe de formas políticas democráticas, nem sequer sindicais, independentes, de se expressar, identificou no “outsider” (personagem fora do jogo político tradicional) Trump uma via para derrotar o sistema político clássico, abertamente representado por Hilary Clinton, e inclusive também pelo próprio Partido Republicano, que aceitou a candidatura de Trump mas não o apoiou com força total. Assim, ele não era um genuíno representante desse sistema político que produz os quadros que o capitalismo precisa para articular uma cabeça política consciente.

A formação e constituição original dos EUA se deu sobre a base de diferentes estados, com interesses diversos, contrapostos uns aos outros, mas que tinham uma grande riqueza natural e mão de obra qualificada vinda da Europa. Eles tinham que se colocar de acordo porque eram abarcados pelo grande capital da Revolução Industrial que se desenvolvia na Europa. Essa condição foi a que gerou a situação prática, objetiva, para a formação dos Estados Unidos. Era o que Marx já analisava: o desenvolvimento das correntes das burguesias nacionais, com interesses capitalistas próprios, regionais e que produziram as “revoluções democráticas” do século XX.

Então, o enfrentamento que a constituição dos EUA gera contra a Europa, principalmente contra Inglaterra, mas também França e Alemanha, era porque eles constituíam a estrutura da Revolução Industrial, e também porque ente financeiro do capitalismo era na Bélgica. E isso fez com que se desenvolvesse um processo libertário com condições muito aptas para o desenvolvimento do valor da força de trabalho e da capacidade individual e coletiva de massas (não exatamente os nativos dos EUA), que impulsionava a formação de uma nação. E a Guerra de Secessão é a conclusão final de todo esse progresso em que o setor industrialista, no Norte (não por acaso, os republicanos, à época) se impôs aos escravistas do Sul (que eram os democratas).

O CAPITALISMO FINANCEIRO INVESTE ONDE TEM MAIS LUCRO

Agora isso volta a se expressar, mas depois de mais de 200 anos história de luta de classes, incluindo aí a experiência do primeiro Estado Operário da história, com a URSS etc… ou seja, agora, numa época na qual o capitalismo não pode mais representar uma perspectiva com interesses comuns às massas dos EUA, porque se concentrou em Wall Street e nas transnacionais como funcionamento lógico do sistema capitalista, que desenvolve sua capacidade produtiva ali onde o custo da mão de obra e da produção em geral é menor. Não só onde está a matéria prima mais acessível, como dizem alguns. Mas onde os outros fatores essenciais à produção de bens, serviços e tecnologia, se desenvolvem a mais baixo custo. Assim analisamos quando surgiu Trump, há um ano. Na realidade, se isso tivesse vindo pelo lado dos democratas, seria antagônico à história deles, como escravistas na Guerra de Secessão.

As condições colocadas para o capitalismo agora são extremamente conflitivas, porque o valor do dólar como moeda universal de troca no sistema capitalista será questionado, mas não porque diminuirá seu potencial, e sim pelo contrário, porque crescerá. Se aumentar o desenvolvimento das forças produtivas internas dos EUA o valor do dólar será totalmente valorizado, e isso entra em choque com o resto das burguesias no mundo. Hoje o dólar é uma moeda de troca, como poderia ser qualquer outra que fosse sustentada, como dizia Posadas, pelo grande potencial tecnológico militar do complexo industrial dos EUA. De modo que não foi Hilary Clinton, pessoalmente, a derrotada nas eleições. Quem perdeu foi Wall Street, as grandes corporações internacionais, os fundos “buitres” (abutres), e governos como o de Macri. É o maior golpe na já perdida hegemonia mundial do imperialismo, como publicamos no Voz Proletária de abril de 2015. Algo que temos que aprofundar nas análises é o motivo pelo qual os libertadores latino-americanos de fins do século XVIII e princípios de XIX tentavam construir repúblicas semelhantes à dos EUA e ao mesmo tempo combatiam-no em sua intenção de avançar e dominar a América Latina.

NOS EUA, PRODUZ-SE UM FATO REVOLUCIONÁRIO UTILIZANDO-SE DE UM INSTRUMENTO NÃO REVOLUCIONÁRIO: DONALD TRUMP

A debilidade do capitalismo pode ser medida claramente porque, assim como treme com o inesperado triunfo de Trump, também se questiona “o que fazemos?”

A debilidade do capitalismo pode ser medida claramente porque, assim como treme com o inesperado triunfo de Trump, também se questiona “o que fazemos?”

É neste contexto histórico que o resultado eleitoral (47% dos votos distribuídos pelos estados de forma que ficou com 279 votos do tal Colégio Eleitoral, 9 além dos necessários para ganhar) é a expressão deformada do curso da revolução social que avança no interior dos EUA e no mundo. É um alento aos povos em luta no mundo, pois desarticula as forças internas do imperialismo e abre uma nova etapa da luta de classes nos EUA. Um curso que não é, nem poderia ser, linear, mas sim dialético: debilita o centro político mundial nos EUA e seus (por enquanto) “sócios” da Europa e, com isso, permite um fôlego para países em disputa com os centros financeiros, como o FMI, e o Banco Mundial, ou a “troika europeia” que sufoca a Grécia e contra a qual o povo grego luta. Permite um ganho de tempo para todos que estão sofrendo com a política conservadora neoliberal financeira do sistema, em sua última etapa, que tem como expressão também os acordos tipo TPP, Tratado do Pacífico etc…

Então, é um erro não ir à fundo em uma análise científica sobre esta enorme crise, que, politicamente, é superior à de 1929/30 e à II Guerra Mundial. Encarar o resultado dessas eleições só como um problema eleitoral entre dois partidos do sistema, quando é justamente por fora dos dois partidos (Democrata e Republicano) que Trump surge, é não enxergar, ou não querer enxergar, que esta crise é a resposta objetiva da história, como Marx e Engels previram, que mostra a convulsão interna do sistema e anuncia claramente a proximidade da última etapa da sociedade capitalista. Nem este curso é linear, nem Trump nem o resultado de uma eleição com participação de menos da metade dos eleitores são a forma genuína de expressão da rebelião das forças produtivas (com direção de classe e revolucionária). Mas abriu as portas para uma retomada da história dos EUA para avançar, superando-a, e na qual o povo estadunidense em sua imensa maioria encontrou, neste curso, os aliados naturais nos povos em luta em todo mundo, principalmente as massas soviéticas, junto com uma parte de sua direção, como Vladimir Putin e o Exército Vermelho.

Por isso é preciso, autocriticamente, analisar com preocupação que a IV Internacional (Leninista-Trotskista-Posadista) vinha compreendendo só parcialmente o caminho por onde passa o curso da revolução permanente. Há textos nossos com análises sobre o significado de Trump logo que ele apareceu nas internas do Partido Republicano. Por outro lado, temos também a alegria de constatar que alguma Seção do trotskismo-posadismo conseguiu publicar alguns destes textos que hoje já são parte da história, não por nós mesmos, mas porque uma vez mais com León Trótski e J.Posadas, voltamos a “nadar contra a corrente”. Isso porque a pseudo-esquerda, os democratas pequeno-burgueses e os idealistas ou nihilistas de pensamento, aberta ou veladamente apoiavam Hilary Clinton, que era, na verdade, a continuidade do establishment, do “Consenso de Washington” e dos mentores do PLANO CONDOR II para a América Latina. Nós nos dispusemos a analisar essa relação, que não é nova, mas que agora aflora com força e se expressa desde o povo dos EUA que, com ferramentas nada próprias e muito menos genuínas, conseguiram dar um golpe gigante, histórico no sistema capitalista, em sua unidade política e de classe, utilizando a eleição de Donald Trump, que, reiteramos, não é instrumento próprio da classe explorada.

A CRISE MUNDIAL CAPITALISTA E A REVOLUÇÃO PERMANENTE

Neste momento, ao observar a repercussão mundial do resultado das eleições, com queda das principais bolsas de valores e alta do preço do ouro, que demonstram a aposta falida da oligarquia financeira transnacional na candidata derrotada, é que nós fazemos questão de lembrar da inteligência de Putin, que apontou Trump como um tipo que quebra as pernas da estrutura central do sistema corporativo-financeiro do neoliberalismo.

Neste momento, ao observar a repercussão mundial do resultado das eleições, com queda das principais bolsas de valores e alta do preço do ouro, que demonstram a aposta falida da oligarquia financeira transnacional na candidata derrotada, é que nós fazemos questão de lembrar da inteligência de Putin, que apontou Trump como um tipo que quebra as pernas da estrutura central do sistema corporativo-financeiro do neoliberalismo.

Agora vejamos, Trump é o defensor máximo do funcionamento clássico do capitalismo, mas para resolver essa visível contradição é preciso voltar atrás na própria história da formação e constituição do capitalismo nos EUA e, ao mesmo tempo, avançar para adiante na sua função. Então, Trump tem que analisar as reais perspectivas de seu futuro governo “industrialista e defensor do mercado interno” em um mundo imperialista em que a concentração transnacional determina a divisão internacional do trabalho. Por isso, nos anos 80, escrevíamos que a estratégia de desenvolvimento econômico de Deng Xiaoping para a República Popular da China com uma política combinada entre o Estado Operário e sua incorporação à divisão mundial do trabalho no mundo capitalista abria uma perspectiva às corporações multinacionais. Porque combinava atração de investimento transnacional com a desobrigação do capitalismo, como sistema, do desafio de resolver problemas sociais básicos ligados à dinâmica da acumulação capitalista: disponibilidade e custo de mão de obra, conflitos sociais, questões trabalhistas, saúde e moradia etc… A República Popular da China, por sua estrutura de Estado Operário suigéneris, assumia a responsabilidade por esses problemas que obstaculizam a longo prazo o desenvolvimento do investimento e direção capitalista transnacional imperialista. O Estado Operário chinês, sua direção política, garantiu às transnacionais uma paz social para produzir a baixíssimo custo, tirar seus lucros e vender no exterior nos valores do sistema capitalista internacional. Então não nos surpreendia o crescimento “a taxas chinesas”, com sua incorporação, nessas condições, ao mercado mundial capitalista. Isto permitiu às transnacionais acelerar o desenvolvimento, combinando alta produtividade do trabalho que gerava uma nova organização internacional da produção, com salários nominais rebaixados em comparação a seu valor nos países imperialistas. Isso tudo acelerou o desenvolvimento de um setor da economia chinesa, mas não resolveu os problemas intrínsecos do curso da revolução chinesa, em que uma grade parte da população ainda vive no campo em condições de vida muito atrasadas.

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, é a resposta da burguesia norteamericana a essas relações financeiras produtivas do capitalismo em sua etapa chamada “globalizada”, e à qual Marx e Engels já qualificavam como tal há 150 anos, porque o sistema capitalista, para existir, precisa dominar o mundo.

Em um plano similar (e oposto), do outro lado da moeda, nos EUA, se deu um retrocesso na sua condição de grande armazém industrial do planeta. Função que passou a cumprir principalmente a partir da II Guerra Mundial, com a expansão da industrialização interna resultado da política do New Deal de Roosevelt, aproveitando a eliminação da concorrência da Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Bélgica etc que estavam “de pires na mão”, destruídos pela guerra. Aí ocorreu um dos grandes crimes da burocracia e de Stálin contra o progresso da história porque, como analisou J.Posadas, e, antes, Trótski, no pós-Guerra estavam presentes as circunstâncias em que a luta pelo socialismo teria sido algo muito fácil, porque a Europa estava apta para a construção ou reconstrução socialista, não via Plano Marshall, como o imperialismo fez, investindo o que hoje seriam centenas de bilhões de dólares para afirmar o capitalismo na Europa. Porém, a burocracia stalinista negociou com o capitalismo, porque o avanço do socialismo pela Europa repercutiria em um processo de revolução política para dentro da URSS.

Hoje, Trump surge como uma “revolução política” na estrutura da tradição bipartidária, que revezava entre os dois partidos a direção política, mas não a condução da economia. Daí que Trump chega à Presidência já não só sem o apoio de seu Partido Republicano, mas com o aberto boicote dele. Chegou para apresentar outra condução da economia, e isso é o âmbito “revolucionário” que diz respeito à crise dos Estados Unidos. Crise que temos analisado (ver “Marx Sempre Teve Razão”, Revista CONCLUSIONES nº 23), afirmando que não podia acontecer o estouro de uma bolha financeira como a de 2008 sem que gerar resultados políticos imediatos e posteriores no povo dos EUA. O problema da migração, por exemplo, é uma política econômica que, no princípio, é favorável ao sistema capitalista, pela substituição do trabalhador nacional com seus direitos e conquistas trabalhistas pela mão de obra barata “importada”. Mas, no longo prazo, socialmente, significa uma redução do nível de vida de amplos setores sociais devido à competição exacerbada pelos postos de trabalho. Concretamente, gera redução do mercado interno e aumento da pobreza: nos EUA há 48 milhões de pobres nas estatísticas oficiais do governo. Esses segmentos sociais, em determinado momento, encontram a forma de se expressar

Então, como resultado desta contradição, que vira antagonismo pelas forças da Revolução Permanente, surge um Donald Trump. Ele não é nenhum doido, é um genuíno representante do sistema, mas que precisa do apoio do proletariado, das classes médias baixas, dos excluídos e marginalizados para defender e aplicar seu programa de reconstrução da economia estadunidense. Por isso especula e utiliza a questão da imigração. Temas como xenofobia, machismo etc são parte do circo do capitalismo, que cria esses preconceitos e depois usa politicamente contra adversários inconvenientes, sem nunca discutir o fundo da questão, que é o papel imperialista no mundo como órgão mundial de opressão e repressão, organizador e executor do Plano Condor II, por exemplo.

No caso da Argentina, depois da crise de 2001, surgiu Néstor Kirchner com uma política de desenvolvimento do mercado interno, de reindustrialização e reconstrução da “burguesia nacional”. Em 2016, Trump, em última instância, também quer desenvolver uma burguesia nacional com interesse no mercado interno, que é o que lhe dá sustentação e segurança interna frente ao curso da história da luta de classes e a etapa da revolução das forças produtivas nos EUA. Não partir desse ponto de análise é cair na imbecilidade da pseudo-esquerda e de uma parte da direita, que se limita ao impressionismo da aparência do fenômeno, ao terreno só do discurso, e não consegue (ou não quer) entender o que Trump, este político burguês norteamericano, representa: a grande contradição entre a imensa força e potencialidade que os EUA tem desde sua formação após a Guerra de Secessão, e a atual realidade econômica de um país quebrado pelo próprio processo financeiro de transnacionalização imperialista, que se concentra em Wall Street, e do qual Hilary Clinton era representante direta.

Por isso, para nós, Posadistas, o resultado das eleições nos EUA não é uma surpresa. Pelo contrário, escrevemos análises sobre os EUA e onde a crise ia estourar. Não tínhamos certeza da vitória de Trump por que os meios de poder podiam manipular a eleição, como fizeram nas internas democratas a favor de Hilary Clinton em detrimento ao pré-candidato Bernie Sanders, reconhecidamente socialista, que era a expressão genuína de uma saída de superação do próprio sistema, algo que claramente Trump não representa.

Nesta linha, ao observar a repercussão mundial do resultado das eleições, com queda das principais bolsas de valores e alta do preço do ouro, que demonstram a aposta falida da oligarquia financeira transnacional na candidata derrotada, é que nós fazemos questão de lembrar da inteligência de Putin, que apontou Trump como um tipo que quebra as pernas da estrutura central do sistema corporativo-financeiro do neoliberalismo. É importante reforçar isso, não porque Trump seja anticapitalista ou vá arriscar seu capital no mundo colocando-o à disposição da “sociedade global” , mas porque vai tentar encontrar uma forma de capitalismo em base ao desenvolvimento do mercado interno, em base ao potencial de autofinanciamento do país. Isso já está acontecendo no caso do petróleo, com o aumento da produção interna mediante novas técnicas, e Trump planeja fazer isso em muitas outras áreas com a aplicação da tecnologia informática, cibernética etc… para o desenvolvimento da indústria nacional. Porque, nos últimos 20/30 anos, os EUA perderam a força, o impulso ao desenvolvimento originário, para benefício das corporações transnacionais, que baixaram seus custos ao levar a produção para fora do país, usufruindo da ditadura do dólar, o que, no fim das contas, levou à crise atual.

Esta crise que resulta no triunfo eleitoral de Trump é a expressão da debilidade do sistema capitalista mundial, e confirma que vive sua etapa final, como previu Vladimir Ilich Ulianov Lênin.

O CAPITALISMO NO MUNDO ESTÁ APAVORADO. A PSEUDO-ESQUERDA E A PEQUENO BURGUESIA LIBERAL TAMBÉM.

Esta nova etapa da luta de classes também derrota as teorias acomodadas dos “tíbios” segundo as quais “a mídia impõe governos e dirige o mundo”

Esta nova etapa da luta de classes também derrota as teorias acomodadas dos “tíbios” segundo as quais “a mídia impõe governos e dirige o mundo”

A debilidade do capitalismo pode ser medida claramente porque, assim como treme com o inesperado triunfo de Trump, também se pergunta “como nos acomodamos a esta mudança no governo?”. Governo que nem representa de fato o verdadeiro poder nos EUA, maior potência capitalista hoje. O sistema se pergunta como se “adaptar” para manter alianças, ou seus guarda-chuvas de apoio como os governos de Temer, no Brasil, Macri, na Argentina, Rajoy, na Espanha e a própria Merkel, na Alemanha, ou na Inglaterra, em que o Brexit quebrou as pernas de uma União Européia que é das transnacionais e não dos povos. Tudo isso não quer dizer que os EUA deixarão de cumprir um papel central na crise do sistema e no enfrentamento de classes e na competição mundial de “sistema contra sistema”, na oposição aos BRICS, ao Banco Asiático, a um Mercosul nacionalista etc… Mas o fato é que essa burguesia norteamericana que Trump representa quer “arrumar a casa” frente à crise mundial dos seus vários “quintais” ao redor do mundo.

Mas esta nova etapa da luta de classes também derrota as teorias acomodadas dos “tíbios” segundo a qual “a mídia impõe governos e dirige o mundo”. Sem dúvida que a mídia é uma ferramenta muito bem utilizada pelo capitalismo, mas ele consegue manipular a informação e induzir a opinião não por sua capacidade, e sim pelas debilidades das direções da classe trabalhadora. Direções políticas, sindicais, sociais e culturais débeis, que não tem confiança na capacidade do povo e no critério de classe dos trabalhadores. É aí que a política do assistencialismo e populismo reformista do capitalismo possibilita arejar o edifício construído pelo sistema.

Trump utilizou os poucos meios de comunicação que se animaram a apoiá-lo (nos EUA a mídia declara abertamente quem apoia), em sentido contrário a essa concepção paternalista dos “tíbios” e reformistas socialdemocratas: partindo de uma posição política conservadora, capitalista, baseada na origem da formação dos EUA (principalmente a guerra civil entre norte Republicano industrialista, e o sul Democrata escravista), Trump chutou o balde de uma concepção política e econômica e, mesmo sem mudar um centímetro sua ideologia capitalista, vai fixar como referência o caráter nacional da origem do capitalismo nos EUA.

Agora, isso, há 200 anos, era natural ao desenvolvimento das forças produtivas da época da revolução industrial na Europa e suas colônias, entre elas as do outro lado do Atlântico. Era a potência que gerava uma forma evolutiva e concentrada “através da maquinaria e da revolução das roldanas” (LC 1990), que gerava produtividade concentrada e mais-valia com a força de trabalho humano. Hoje essas condições são inversas, porque as forças que deram aos EUA em meados do século XX uma capacidade hegemônica mundial foram desaparecendo, porque deixaram de ser produtivas de bens e serviços, passando a ser baseadas na concentração financeira: em segundos, o capital imperialista “dá lucros” astronômicos sem produzir nada além de movimentos virtuais dos capitais.

Trump se lança contra isso, mas não em defesa de uma nova sociedade socialista, equitativa, solidariamente harmoniosa. Ele defende uma reorientação da função do Estado Nacional americano que tem se comprometido permanentemente como sistema mundial, como polícia do mundo e diretor, desde Wall Street, das finanças mundiais, e não como “nação”. Por isso não produzia nem gerava emprego nos EUA, e sim internacionalmente onde as corporações tivessem mais lucros. Isso destruiu em grande parte o enorme potencial do produto dos EUA e condenou o proletariado e camadas médias da população estadunidense a um permanente retrocesso no nível de vida.

Esta condição ao interior dos EUA, como em sua relação com o mundo, não podia seguir assim. Aproximava-se uma rebelião da luta de classes e das forças produtivas nos EUA. Para barrar isso, surge Trump com uma política “lógica” desde o sistema capitalista primário, que faz com que este empresário capture a candidatura através do Partido Republicano e chegue ao governo. Agora, veremos se ele conseguirá se manter no governo com essa política, ou se será dirigido desde o poder estrutural já solidamente instalado nos EUA, ou se triunfará de mil maneiras a concepção de “polícia e centro econômico do mundo” que já exerciam os governos pelos tratados de livre comércio, do “Consenso de Washington”, do Plano Condor, com a intervenção militar aberta no Iraque, Líbia, Síria etc… A experiência de Kennedy, que terminou em seu assassinato, ou a de Jimmy Carter, ambos pelo lado Democrata, em outros tempos, mostram que o que comanda os EUA não é o governo político, mas sim o complexo “financeiro-bélico-industrial transnacional”. É o chamado “Círculo Vermelho”, onde se tomam as decisões de fato.

Donald Trump vem dessa classe e dessa estrutura, e desde esse ponto rompe os esquemas lineares estabelecidos para tentar “voltar às estruturas” do sistema capitalista. Propõe recriar uma “burguesia nacional norteamericana” cujo motor não é o mundo – ainda que não o descarte – e sim a potência dos EUA e seu amplo mercado interno.

Esta condição explica por si mesma que se trata de uma tentativa natural do sistema capitalista, na fase (e no país) mais desenvolvida em sua história, de renascer quando está morrendo no mundo todo, em agonia depois de seu esplendor de séculos passados. E isso não só na economia, mas também na ciência, na cultura etc, só não nas relações sociais.

TRUMP E AS RELAÇÕES DOS EUA COM O MUNDO

Nestas condições do curso da luta de classes, da qual Trump não pode fugir, consideramos positivo o desenvolvimento de um setor próximo a Putin que tentar se orientar através do marxismo – mesmo que de modo parcial e deformado – para tentar prever o curso da história e agir de maneira consequente. Principalmente quando se afirmou – via Maxim Krivelévich, chefe da comunidade de especialistas da Escola de Economia da Universidade Federal do Extremo Oriente russa –, antes das eleições, que Hilary Clinton era apoiada pelo capital financeiro, enquanto Trump tinha por trás de si o capital industrial. “O capital financeiro precisa de um dólar caro, petróleo cru e matérias primas baratas, enquanto o capital industrial requer exatamente o oposto: um dólar barato para exportação e para o desenvolvimento da chamada substituição de importações”. E também quando qualificou de “pseudocientíficas” as explicações de que a baixa dos preços de petróleo se deviam ao aumento das reservas do óleo cru e das importações. “Não se deve levar a sério os argumentos que, a posteriori, os representantes do mercado financeiro dão para explicar a queda. Parece ser um tanto forçado quando os comentaristas tentam freneticamente dar alguma razão objetiva quando os preços (do petróleo cru) já tinham baixado. Tudo é muito subjetivo. Sempre justificam com a eleição presidencial. Não há nada mais subjetivo que isso”.

Como a IV INTERNACIONAL Posadista vem defendendo, a motivação da tendência de queda nos preços de petróleo nos últimos 5 anos é pseudoeconômica. A perda de hegemonia do imperialismo se soma à crise interna do sistema e das necessidades objetivas que lhe são colocadas pela rebelião das forças produtivas. E essas forças são as que, por cima da direção do sistema, pesam e geram as crises atuais, situação da qual o triunfo de Trump é uma expressão muito concentrada. Por isso o “dólar alto” não é um divisor de águas entre o capital financeiro e o capital industrial. O que ele marca é uma contradição entre a oligarquia financeira transnacional (na teoria leninista de imperialismo, oligarquia financeira é a fusão ou articulação de interesses entre os capitais oligopolista/monopolista da indústria e os grandes bancos) de um lado, e, do outro lado, o capital não-monopolista, ligado ao âmbito econômico nacional. O camarada J.Posadas mostrou, em seus textos, que é necessário entender o desenvolvimento das contradições intercapitalistas para definir estratégia e tática adequadas para resolver o problema principal: a contradição antagônica entre capital privado e trabalho mundialmente socializado. E isso é o que a maioria das direções, inclusive as da classe explorada, não analisam ou o fazem de forma superficial, mudando sempre de posição e desarmando a classe trabalhadora.

Considerar possível o desenvolvimento de um “capitalismo bom” (Voz Proletária, nº 2003) era criar uma armadilha não ao dólar, mas à luta de classes em sua estrutura, porque diminuía a capacidade de disputa da classe trabalhadora com o poder do capitalismo. E por isso os primeiros anos do governo do companheiro Néstor Kirchner, na Argentina, foram de um “governo em disputa”, que tinha que sustentar o sistema, tentando gerar uma “burguesia nacional” inexistente, porque já tinha provado o mel de não ser sujeito da história, como classe, mas sim objeto de acordos com as transnacionais imperialistas que lhes garantiam a condução política (Consenso de Washington, antes, Plano Condor etc…) enquanto a condução de fato do país era feita pelas transnacionais financeiras imperialistas.

Esta condição que, na forma, parece similar ao que propõe Trump, é bem diferente na estrutura, porque os EUA, como potência mundial econômica, produtiva e militar, que surge radiante depois da II Guerra Mundial, tem componentes internos em relação à potencialidade produtiva que nem Argentina nem outro país do mundo tem. Nem mesmo a China Popular, Europa ou Japão podem superar essa relação. Só os Estados Operários, a URSS, e a China daquela época podiam competir com ele (isso era parte do que J.Posadas qualificava de “concorrência entre sistemas”).

O reconhecimento implícito da imprensa imperialista e de notórios líderes mundiais do sistema acerca do “triunfo de Putin” na eleição de Trump, na realidade, expressa o enorme temor ao povo soviético e à própria URSS latente, que estão totalmente vigentes na história, enquanto eles, o capitalismo imperialista, está com o pé na cova.

O reconhecimento implícito da imprensa imperialista e de notórios líderes mundiais do sistema acerca do “triunfo de Putin” na eleição de Trump, na realidade, expressa o enorme temor ao povo soviético e à própria URSS latente, que estão totalmente vigentes na história, enquanto eles, o capitalismo imperialista, está com o pé na cova.

Donald Trump não é um revolucionário, mas produz um processo revolucionário nos EUA e no mundo. Se não existisse terra fértil, nada crescia, e Trump aproveitou essa condição natural. Tsipras e o Syriza, na Grécia, ganharão com esta nova relação mundial, enquanto Michel Temer seguirá na corda bamba e será prejudicado, como Macri, na Argentina. Trump não vai fazer a revolução socialista, mas vai voltar-se para dentro para “voltar aos princípios do sistema de 1865”, como analisamos há muito tempo. Reafirmamos: Trump vem para barrar uma guerra mundial quando declarou que “a política de Clinton na Síria pode causar um conflito com a Rússia e a III Guerra Mundial”, ou quando antecipou que “os EUA deixará de mexer com regimes estrangeiros”. Ele faz isso em nome de um sistema capitalista em desvantagem, que ele vai tentar relançar para fazê-lo florescer de novo.

Toda a parafernália midiática, em cima da qual ele próprio especulou e “surfou” durante a campanha eleitoral, acerca de sua xenofobia, sobre a criação de um Muro (que, aliás, já existe e foi construído por governos Republicanos e Democratas), o desrespeito à mulher etc… vão desaparecer quando ele entrar na Casa Branca, porque não precisa mais acariciar os baixos instintos dessa parte conservadora do eleitorado. O governo Trump vai tentar pôr em prática esta missão impossível de remoçar o capitalismo nos EUA e desenvolver um novo papel no mundo. E isso só vai potencializar socialmente o questionamento interno ao imperialismo (lembremos das manifestações de dezenas de milhões nos EUA contra a guerra do Vietnã, das críticas às ações no Oriente Médio e às agressões a Cuba etc…). É que para voltar, hoje, ao desenvolvimento industrial com mercado interno nos EUA, ele terá que mudar relações mundiais que são os pilares da enorme estrutura de poder dentro dos Estados Unidos e que tem seus fundamentos ao redor do planeta. E isso não se pode mudar apenas com decisões políticas, mas com decisões de âmbito social.

Inclusive não descartamos a possibilidade de desdobramentos com resultados parecidos com o de Kennedy, porque o imperialismo financeiro não vai deixar Trump passar ileso com sua política que o desarma internamente e mundialmente. Isso forma parte de um curso muito desigual e combinado, sem dúvida, mas que abre as portas para a volta do Estado Operário na Rússia de base social soviética. Também cria condições para que China Popular reflita sobre seu desenvolvimento capitalista baseado nas empresas transnacionais, em que o Euro assume o papel de avalista do Dólar. E neste sentido se deve fazer uma reavaliação profunda das políticas nacionais, das Frentes Únicas e alianças políticas, porque a mudança de estratégia do governo dos EUA, como os investimentos ou o aumento da taxa de juros nos EUA, vai repercutir dentro dos países. A crise que vai se expressar no mundo com a política externa do governo Trump estimulará os setores nacionais de cada país a proporem uma política nacionalista, mas que, sem a intervenção dos trabalhadores, sindicatos, partidos do campo nacional, popular e revolucionário, pode gerar correntes de direita, como está acontecendo na Europa. Neste curso, achamos que os camaradas cubanos terão que redefinir a política a ser desenvolvida, porque Trump não vai continuar com a ação das transnacionais, de investir bilhões de dólares em Cuba para tentar destruir por dentro a revolução cubana (estratégia que já fizeram na ex-URSS da burocracia, através dos Gorbachov, Yelstin etc…).

Esta eleição de Donald Trump é a mais importante ação política e social do povo estadunidense depois da que impôs, desde às ruas, a retirada do imperialismo do Vietnã. Nós acreditamos que se desataram forças interiores que não poderão ser submetidas por nenhuma ação dos governantes. Reiteramos: não é a força de Trump, mas a “panela de pressão” que o próprio sistema destapou. Como a ditadura cívico-militar na Argentina quando fez a encenação da recuperação das Ilhas Malvinas achando que ia se fortalecer e sair por cima, mas apenas selou sua derrota final.

Em nossa opinião, Trump não muda a ideologia política do capitalismo, mas, para salvá-lo internamente, terá que tomar medidas que avançam direto a uma revolução na economia, política e cultura, apesar de seus próprios objetivos. Os povos do mundo perceberam esta debilidade do imperialismo e as direções terão que agir em concordância com este curso.

Abriu-se um novo curso na luta de classes e na rebelião das forças produtivas no rumo da construção de uma Nova Sociedade: O SOCIALISMO.

León Cristálli –  9 de novembro de 2016

Para ler mais sobre o tema, seguem links de artigos do autor prévios ao resultado das eleições.

EUA, Eleições e Crise do Imperialismo, parte I (em português, publicado no jornal Frente Operária 501)

EUA, Eleições e Crise do Imperialismo, parte II (em espanhol)

EUA, Eleições e Crise do Imperialismo, parte III (em espanhol)

DERROTAREMOS OS GOLPISTAS E VOLTAREMOS! Frente Operária #501

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Já está circulando a edição de número 501 do período Frente Operária! Clique aqui para ler.

Sumário:

—Derrotaremos os golpistas! Voltaremos politicamente mais fortes, mais maduros, mais organizados!

—A caçada político-judicial ao Presidente Lula

—O Processo no Uruguai e a experiência da Frente Ampla

—EUA, eleições e a crise do imperialismo

O Papa Francisco e o destape da panela de pressão da História

—Há 76 anos do assassinato de León Trótski

—Internacionalismo Proletário:

Apoio ao Partido do Trabalho, do México;

Solidariedade à Venezuela Bolivariana;

Comitê Rússia 2017

O PAPA FRANCISCO E O DESTAPE DA PANELA DE PRESSÃO DA HISTÓRIA

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O desaparecimento formal da URSS e do (mal) chamado “Campo Socialista” do Leste Europeu, assim como a defecção da maioria das direções (não da militância) dos partidos comunistas e socialistas do mundo, deixou aberta uma enorme crise no campo do marxismo. Inclusive honestos revolucionários, do campo da cultura, da ciência e da sociedade em geral “questionaram o marxismo”, colocando em dúvida o materialismo dialético. Isso se expressou também em nossa IV Internacional quando alguns hoje ex-camaradas acabaram seguindo a burocracia soviética dos tempos de Gorbachov, que, com a “perestroika”, queria desarmar o estado operário, o que permanecia do estado operário nas massas soviéticas. Para isso precisava de tempo e espaço para impor uma “política de transição”, só que, como era para retroceder na história, o “relojoeiro” Gorbachov (como o qualificamos desde 1986) não teve o sucesso pretendido. Porque era preciso desarmar o Estado Operário na sociedade, nas massas soviéticas e também na função exercida pelo Exército Vermelho.

Nós tocamos uma luta desigual contra esta postura de defecção em todo mundo, começando pelos renegados do próprio posadismo, onde isso se desenvolvia de forma tão desigual e combinada que, mesmo os que honestamente se equivocavam (e todos tem direito e oportunidade de depois fazer a autocrítica), aplaudiam raivosa e submissamente o “gorbachovismo” como sendo a “regeneração do Estado Operário Soviético”, quando na verdade era a negação dela.

Agora, o leitor pode estar se perguntando o que isso tem a ver com o Papa Francisco. TEM TUDO A VER, porque é desde este momento histórico que a Igreja Católica Apostólica Romana, mas também a Ortodoxa, e as outras, como a Islâmica e o Judaica, começam a revisar seriamente seu papel e suas perspectivas reais de sobrevivência em um capitalismo que, em sua fase superior e última (Lênin) arrasa com tudo que tem a ver com a cultura e com a própria vida.

Esse movimento dentro das Igrejas é captado pelo imperialismo e seu comando estratégico da corporação das 5 Irmãs nos EUA, que então desenvolve uma ação tão arriscada politicamente quanto necessária para eles: gerar conflitos religiosos na URSS, e na Rússia que a continua sob outra forma mas sem perder sua base social de massas soviética.

Com essa ação imperialista nascem as correntes “religiosas” que, mundo afora, vão desde o terrorismo religioso até os que aguardam a “salvação” com o fim do mundo, justificando com isso o conformismo e imobilismo frente às mazelas da sociedade capitalista imperialista. Dentro da religião islâmica e outras, criam grupos terroristas que, de fato, não tem nada a ver com o Islamismo, e que são um atentado real à vida de milhões de seres humanos. São ferramentas úteis ao imperialismo para desenvolver um “terrorismo mundial” que se expressou já com os “Mujahedines” no Afeganistão na década de 80, organizados e bancados pela CIA, e em outros países da região do Oriente Médio e África. E logo colocam em prática essa estratégia mundial com a “Farsa Macabra” do atentado às Torres Gêmeas de Nova Iorque, no 11 de setembro de 2001. Tudo que se desdobra a partir dali afetará profundamente as religiões, particularmente a católica, que tem sua base social nos países mais desenvolvidos do sistema capitalista.

Com a morte de João Paulo II, em 2 de abril de 2005, a Igreja não conseguiu alcançar uma estabilidade interna pelas condições também flutuantes da sociedade no mundo. O Papa polonês deveria ser uma ferramenta de aliança e continuidade da política global do sistema capitalista, por isso o chamavam de “Papa Viajante”, porque tentava colocar a religião mundo afora como escudo da discussão social entre o capital e o trabalho, entre a luta de classes. Mas não obteve sucesso, porque a dialética da realidade da luta de classes já não podia ser contida, desviada e nem aplacada com aquilo de que “dos humildes é o Reino dos Céus”. A tecnologia da luta de classes se une à luta social diária das classes e começa então a surgir na Igreja a noção da NECESSIDADE DE MUDANÇA GERACIONAL QUE EXPRESSASSE E APONTASSE UMA SAÍDA A ESTA CRISE. O padre alemão Joseph Aloisius Ratzinger, o Papa Bento XVI, era para ser a expressão prática da queda do Muro de Berlim (“idiota e burocrático Muro de Berlim”, já diria J.Posadas). Mas este padre remendado pela crise interna da Igreja Católica não podia se manter por um longo tempo nisso. Neste momento o comando político da Igreja decidiu ir realmente ao fundo da questão e colocar o aparato mundial eclesiástico em funcionamento. Era necessário um representante que expressasse a condição do mundo, a saber: A crise mundial do sistema capitalista; A situação mundial de uma sociedade em desenvolvimento científico e cultural na qual estava predominando a luta de classes e o fortalecimento de religiões alternativas à Apostólica Romana.

A conclusão não era só colocar no Vaticano um “padre do terceiro mundo”, mas um que representasse uma política de estado para enfrentar esta crise e propor uma solução, seja ou não uma solução real ou final a ela.

O Papa Francisco (cuja função qualificamos mal, equivocadamente, nos primeiros dias ou horas de sua escolha, porque reagimos sem considerar nem sequer nossas próprias análises e textos prévios) avança, primeiro, reconstruindo o “aparato da Igreja”, dando prioridade aos problemas terrenos, “da paróquia”. E para isso se baseia em sua experiência em seu país natal, a Argentina.

Quando o Papa Francisco afirma “ESTAMOS EM GUERRA”, rompe o esquema da religiosidade da “Paz” como consígnia e como política. As pombas brancas de João Paulo II morreram em seu primeiro voo. O Papa Francisco está colocando que é imprescindível alcançar harmonia para conseguir uma Paz que hoje NÃO EXISTE. E nesse caminho ele ataca o quê? uma Nova Sociedade que está em surgimento? Uma sociedade, o socialismo, que foi denegrida e degradada pelas burocracias dos Estados Operários e da URSS durante décadas? NÃO! O Papa Francisco ataca o SISTEMA CAPITALISTA E O IMPERIALISMO, e aí se reencontra com um papel importante na história, que nós consideramos necessário resgatar como parte do progresso da luta de classes. Porque na luta pelo socialismo estão todas as formas de expressão cultural, religiosa e política que convirjam para MUDAR ESTA SOCIEDADE CAPITALISTA POR UMA NOVA SOCIEDADE, SOCIALISTA.

Por isso ele se dirige aos “jovens” que ficam reféns da TV e das redes sociais. Na realidade, o que Francisco coloca em debate é a necessidade de não perder o sentido do progresso humano. E aí rompe com a continuidade do papel anterior, de séculos, das Igrejas como “ópio dos povos”, porque, sem mudar sua natureza teológica, o Papa Francisco está apontando muito para a luta terrena pela vida, sem focar em que um ser superior vai decidir tudo, e sim que é a luta social, ou de classes, a que pode salvar a humanidade e a natureza.

Por mais que uma parte da Igreja Católica, e das outras, queira se utilizar desta crise final do capitalismo imperialista, está presente e pesa a realidade que impulsiona milhões de seguidores e mesmo de fiéis a mudar a forma de pensar e de agir. E por isso consideramos, nesta breve análise, que o Papa Francisco destapou a “panela de pressão” da História no Século XXI.

Por León Cristalli, Diretor-presidente da Fundação J.Posadas Internacional, e Diretor da Revista Internacional “CONCLUSIONES” (1ª parte – 31/07/2016).

Não ao Golpe! Frente Operária #500

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Sumário:

—Não ao Golpe! Não Retroceder! Nenhum Passo Atrás! O povo brasileiro quer aprofundar as mudanças (Editorial)

—As 500 edições de Frente Operária

—Sou “SUS Futebol Clube”

—Grécia: As Eleições na Grécia e o Novo Triunfo do Siryza é um Triunfo de Toda a Humanidade

—Refugiados e Emigrações: encarar o tema com a visão de classe trabalhadora

—Chile: Retomando o Caminho de Salvador Allende e Nelsa Gadea

—CMP: Carta de Salvador

—DF: Ações de Vanguarda e de Base no Distrito Federal

—Brasília é Pólo da Solidariedade Internacionalista

—Revolução Russa: o farol que ilumina a humanidade

Grécia: o verdadeiro país é a economia global da população

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Para leer en español, haz click aquí

Sobre as recentes medidas de controle de capitais adotadas pelo governo grego para prevenir o caos financeiro, o chamado “corralito grego” (definição de limite de saque bancário), o Burô Latino Americano / Secretariado Internacional da IV Internacional (Trotskista-Posadista), resolve:

  1. É necessário defender o verdadeiro país: a economia global da população. E essa medida assegura o controle monetário da vida do país, frente a uma “integração” com a União Européia que significa retrocesso social e se mostra a cada dia mais em sua verdadeira natureza política: como uma imposição do imperialismo europeu;
  2. Esta medida, necessária economicamente, garante ao ESTADO REVOLUCIONÁRIO grego sustentar-se e poder desenvolver MEDIDAS QUE SEGURAMENTE TERÁ QUE TOMAR, e que posicionarão o Estado grego na NOVA CONDIÇÃO DE ALIANÇAS ESTRATÉGICAS COM O BRICS, a RÚSSIA SOVIÉTICA, A CHINA POPULAR etc… Além do quê, é uma medida prevista dentro dos pontos do Programa de Transição de León Trotsky.
  3. Esta medida de controle do circulante, e por tanto do comércio exterior, na realidade concreta é uma medida de ENORME IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA PORQUE PERMITE AO ESTADO DESENVOLVER UMA FORMA DE MONOPÓLIO DO COMÉRCIO EXTERIOR E DE CONTROLE DA MOEDA, que, não sendo originária grega (o Euro), sempre está a expensas do capital imperialista europeu.
  4. Esta medida, e outras que se tomem nesta linha, NÃO AFETA À GRANDE MASSA DOS TRABALHADORES, QUE NÃO TEM NEM PODEM TER “POUPANÇAS”, COMO SIM TEM A BURGUESIA E A PEQUENA BURGUESIA. Setores estes, minoritários em comparação com toda a população, que USUFRUÍRAM DOS EMPRÉSTIMOS E “BENEFÍCIOS” dos governos neoliberais.
  5. O governo revolucionário do Syriza, presidido pelo camarada Alexis Tsipras, está, com essas medidas, garantindo OS SALÁRIOS DOS TRABALHADORES e o FUNCIONAMENTO NORMAL DO ESTADO.
  6. Por tudo isso, APOIAMOS TOTALMENTE ESSAS MEDIDAS, como o dito “Corralito”, que caracterizamos, por sua inserção social progressiva e revolucionária em sua perspectiva política, de “CORRALITO VERMELHO”, uma política econômica nova para frear a especulação e fuga de capitais, e que controla o capital nacional e estrangeiro, defendendo os INTERESSES NACIONAIS DO POVO GREGO.

ELISEO RAMÍREZ (29 de junho de 2015)

pelo Burô Latino Americano-Secretariado Internacional (BLA-SI)

Corralito Rojo Listado

Manifesto 1º de Maio: Há 129 anos dos Mártires de Chicago, o Imperialismo Perdeu sua Hegemonia Social no Mundo

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MANIFESTO de 1º de MAIO de 2015

HÁ 129 ANOS DOS MÁRTIRES DE CHICAGO:

O IMPERIALISMO PERDEU SUA HEGEMONIA SOCIAL NO MUNDOLogo Conclusiones Colorido

Passaram 129 anos do levante proletário de 1886 em várias cidades dos EUA pela aplicação da Lei das 8 Horas de Trabalho, que era ignorada pelos patrões. Historicamente, estes acontecimentos ficaram registrados como os “Mártires de Chicago”, porque foi o Estado norteamericano que “julgou” os dirigentes operários, com parcialidade absolutamente funcional à política do sistema capitalista, culminando com o assassinato “legal” de Albert Parsons (estadunidense, 39, jornalista), August Spies (alemão, 31, jornalista), Adolph Fischer (alemão, 30, jornalista), Georg Engel (alemão, 50, tipógrafo), Louis Linng (alemão, 22, carpinteiro), Michael Swabb (alemão, 33, tipógrafo), Samuel Fielden (inglês, 39, pastor metodista e operário têxtil), Oscar Neebe (estadunidense, 36, vendedor). Em 9 de outubro se ditou a sentença de Parsons, Spies, Fischer e Engel: morte na forca. Linng havia cometido “suicídio” antes em sua própria cela. Swabb e Fielden foram condenados a prisão perpétua, e Neebe, a 15 anos de trabalhos forçados.

Em 1889, o Congresso Socialista, celebrado em Paris em homenagem aos Mártires de Chicago, adotou o 1º de maio de cada ano como homenagem à luta pelas 8 Horas e em memória dos mártires assassinados pela justiça dos EUA. Uma data mundial que é solenemente ignorada pelo estado imperialista dos EUA. No entanto, pode se ver claramente nestes 129 anos de luta de classes a confirmação da revolucionária sentença social que Spies dirigiu ao juiz Gary, que lhes ditou a pena:

“Se você acha que nos enforcando vai eliminar o movimento operário, o movimento do qual milhões de pisoteados, que trabalham duramente e passam necessidades e misérias esperam a salvação, se essa é sua opinião, então enforque-nos. Assim você apagará uma centelha, mas aqui e ali, atrás de você e na sua frente, aos seus lados, em todas as partes se ascenderão chamas. Um fogo subterrâneo. E você não poderá apagá-lo”.

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O sistema capitalista, em seu desenvolvimento, gerou o imperialismo como sua fase superior, como analisaram Marx e Engels, e como previu o gênio revolucionário de Vladimir Ilich Lênin. Hoje é o principal exponente do sistema mundial de produção e acumulação capitalista. Exercer essa função, tentando ser a cabeça hegemônica da humanidade, não sai “de graça” em termos históricos, e nem “passa barato” para as duas forças que hoje são o eixo nas relações das classes no mundo: a luta de classes e a rebelião das forças produtivas, inseparáveis em tudo que diz respeito à sociedade e, daí, à natureza e ao cosmos. O imperialismo, e não só ele, mas como cabeça do sistema capitalista mundial, perdeu a hegemonia que durante alguns anos pôde exercer depois da queda da burocracia soviética, que a direção política do capitalismo alardeou que era o “fim das ideologias” e o triunfo do capitalismo.

Sem dúvida que, por exemplo, na recente “Cúpula de Presidentes da América”, no Panamá, essa hegemonia ficou nas lembranças imperialistas do passado. De outros tempos e espaços. E mesmo sem o campo socialista e a URSS de outra etapa da humanidade, o imperialismo teve que renunciar papel de condução. Barack Obama foi apenas um mensageiro sem ter quem recebesse suas cartas, essas que, em outra etapa, fazia tremer as burguesias e os próprios sistemas capitalistas de cada país. Sua hegemonia está tão desarticulada que, ao mesmo tempo, o empurra, pela natureza histórica, a acelerar a guerra mundial contrarevolucionária aos governos progressistas e povos do mundo. Aí estão os golpes “brandos”, continuados ou midiáticos, e também os projetos de agressão mundial na Ucrânia, no Oriente Médio, na Síria, Iêmen etc… também se expressa na pressão, em aliança com a Inglaterra e a Alemanha, para submeter os povos europeus em base aos acordos de Maastrich, que originaram a Comunidade Europeia e o Euro como atual avalista do dólar. Mas, por outro lado, Putin e a China negociam com as burguesias europeias inquietas pelas crises internas na Itália, Espanha, Suécia, Noruega, Finlândia e nos ex-Estados Operários, cujas direções se desintegram em meio a esta situação.

Trata-se de todo um curso em que a hegemonia imperialista está contestada. Em outra época, sentia autoridade de impor políticas econômicas e sociais, mas agora, inclusive com a própria OTAN, aparecem rachas, porque não querem ser sempre o “boi de piranha”. É nessa situação que o papel da Rússia soviética, da China Popular e do BRICS avança na concorrência com o imperialismo e lhe tira poder econômico e político. Desarticulam-no em seu papel que ele achava hegemônico na anterior etapa do tal “fim das ideologias”. Nada disso teria aconecido se a humanidade tivesse baixado a guarda e se entregado ao neoliberalismo imperialista, ao “Consenso de Washington” ou a Maastrich, na Europa. A Grécia, como a Venezuela, a Rússia soviética, como a Argentina, etc., são essa resposta prevista pelos mártires de Chicago em 1886.

Esse “fogo inextinguível” de que falou Spies há 129 anos contou nesse mais de século de lá pra cá com a permanente ação das massas trabalhadoras defendendo seus direitos e conquistas sociais, mas também com o amadurecimento pra disputar a condução da sociedade com o capitalismo imperialista. Desde a Comuna de Paris, até a Revolução Mexicana de 1911, a Russa de 1917, a Chinesa de 1949, a Cubana de 1959 em diante, e passando por inúmeros levantes e ações da luta de classes, avançou pra superar os limites daquela primeira expressão de luta trabalhista dos “direitos humanos do trabalhador”, em que a conquista das 8 horas era facilmente assimilável pelo sistema capitalista. Era preciso conquistar o poder da sociedade toda para construir uma nova, em que fosse o produtor, com sua força de trabalho, que fixasse os limites e direitos objetivos desta força em relação ao estado e ao aparato distributivo. A conquista das 8 horas, apesar dos enormes custos sociais e em vidas, não podia se manter no tempo com a evolução progressiva das forças produtivas.

Nestes “Manifestos de 1º de Maio” da IV Internacional (Trotskista-Posadista) temos desenvolvido uma posição política clara e precisa durante anos. Hoje só fazemos uma breve retomada. Mas o que consideramos central nesta homenagem sempre presente aos Mártires de Chicago é constatar, desde a militância na luta de classes, as mudanças que estão acontecendo no próprio processo de progresso do curso da história.

Putin y Cristina Maduro y Diosdado

A LUTA PELAS 8 HORAS E A DEFESA DO TRABALHO

O capitalismo imperialista absorveu, como parte do desenvolvimento das forças produtivas, o tempo necessário para produzir mercadorias, reduziu o peso ou custo da força de trabalho. Um mesmo operário produz em milésimos de segundo o que há 50 anos levava minutos ou horas. A tecnologia, prinicipalmente a robótica, em mãos do capitalismo, significa maior produtividade a menor custo salarial e menor necessidade de mão de obra. O que faz com que esta, sendo mais qualificada, também seja robotizada no que diz respeito ao custo total do que foi produzido. O sistema capitalista não conseguiu eliminar o papel da força de trabalho e nem evitar que essa aceleração imparável da produção e da produtividade se voltasse contra ele próprio, na ponta da demanda, do consumo, como previram Marx e Engels há quase século e meio.

Há anos qualificamos isso como o tempo da “mais-valia concentrada”: sem eliminar o produtor humano, reduz a retribuição a este relativamente ao que ele produz. Em outras palavras, necessita-se de menos mãos para produzir imensamente mais do que antes.

Essa situação, junto à desaparição das burocracias dos Estados Operários, e à queda formal da URSS, levou o imperialismo a decretar “o fim da história e das ideologias”. Mas é bem outra a realidade da história e sua expressão real em cada alvorada da humanidade. “O fogo subterrâneo que não poderão apagar”, citado por Spies, em 1886, encontrou um elemento que, como combustível da luta de classes, se une a esta e se torna inextinguível: “A aliança objetiva da luta de classes com a rebelião das forças produtivas”(LC2001). O imperialismo capitalista não pode conter o crescimento da produtividade da economia mundial, ao mesmo tempo que, por ser uma sociedade baseada na desigualdade social, não consegue gerar um mercado social que absorva essa produção com imensa produtividade embutida.

Em síntese, isso já trouxe há mais de 25 anos um acirramento da disputa pelos postos de trabalho dentro do sistema. O desocupação da força de trabalho no mundo avança em forma geométrica. E isso inclui a pobreza e marginalização da metade da população, e a miséria de mais de uma quarta parte da humanidade. O capitalismo, em seu desenvolvimento, gerará (e já gerou) as forças que o enterrarão, como previsto por Marx e Engels. E aí nem mil convenções coletivas de trabalho nacionais, nem a OIT etc pode dar jeito se não considerar o fundo da questão: O FINAL DA ERA DE EXPANSÃO IMPERIALISTA DO CAPITAL.

A EMIGRAÇÃO E OS CRIMES NA ÁFRICA, E AS CONQUISTAS SOCIAIS NA EUROPA, AMÉRICA LATINA, ÁFRICA E ÁSIA

O sistema capitalista, em sua etapa colonialista, desarticulou a vida de mais de dois terços da humanidade. À sangue e fogo conquistou, para seu desenvolvimento, países em variados níveis de desenvolvimento e povoamento; assim, América, Índia, China e África foram a base para a “revolução industrial”, pro desenvolvimento do capitalismo na Europa. Logo pegou o salto do que hoje são os EUA e ali massacrou todo vestígio de culturas e povos originários. Isso, que há séculos só era uma condição peculiar para o desenvolvimento da sociedade capitalista, hoje se transformou em estigma contra sua própria existência. O modo de produção e distribuição clássica do capitalismo não pode, e menos ainda em sua etapa imperialista, solucionar esta contradição originária, Emigrantes Barcoque se combinava com o impulso ao progresso tecnológico dos países conquistados e subjugados. As colônias permitiram ao capitalismo imperialista dos EUA e da Europa desenvolver um “Estado de Bem-Estar Social” como barreira de contenção das lutas operárias e camponesas destes países “desenvolvidos”. Mas não conseguiram impedir que as massas dezenas de vezes votassem na esquerda, nos partidos comunistas e socialistas, e que as organizações sindicais fossem, em muitos aspectos, parte de um duplo poder objetivo. Mas o “Estado de Bem-Estar” gerou uma camada social “do bem viver” que conquistou benefícios e elevou seu nível de vida. Hoje todas estas conquistas estão ameaçadas pelo sistema, e por isso abrem ou fecham fronteiras visíveis e invisíveis para impedir a unidade entre a força de trabalho já estabelecida e os migrantes que chegam como nova força de trabalho. Centenas de milhões de seres humanos são sentenciados à miséria, no rumo da extinção social. Os crimes contra os emigrantes africanos que fogem das miseráveis condições de seus países na ânsia de se salvar integrando-se ao capitalismo desenvolvido da Europa, são indignantes e fazem lembrar aquele julgamento criminoso do Juiz Gary contra os defensores das 8 Horas nos EUA em 1886.

Mas há outro aspecto dessa crise do sistema que é preciso ver e discutir nesse 1º de maio. É a relação direta, de causa e consequência, entre a emigração de milhões de trabalhadores que em todo mundo fogem da falta de trabalho e/ou de perspectiva de vida, e a crise do sistema capitalista em seus países de origem. A classe trabalhadora é uma só, mundialmente, mas pela divisão mundial do trabalho, adquire distintos níveis de luta e de conquistas sociais.

O neoliberalismo, o imperialismo globalizante e unipolar sempre utilizou, e continua utilizando, a mão de obra barata, ainda que tecnologicamente inferior em sua capacidade produtiva. Juntando essas forças de trabalho migratórias com a robotização (que exige uma função mais mecânica mesmo, mas também superexploradora) tenta destruir as conquistas sociais logradas com duras lutas sindicais e políticas durante anos. Incapaz de sustentar ditaduras cívico-militares, ou alentar movimentos de caráter nazifascista, o sistema utiliza a importação de mão de obra, aliado com burocracias sindicais. Como fez abertamente na Argentina, em 2001, para tentar quebrar a força do movimento operário peronista –quando já havia no país um desemprego aberto que chegou a 28/30% em 2001. Mas casos similares acontecem na Europa, onde a aristocracia sindical e um setor dos próprios trabalhadores não querem trabalhos “inferiores ou sujos” e, assim, abrem as portas a uma emigração que se submete a estas regras criminosas de trabalhos insalubres e salários miseráveis em comparação aos trabalhadores do país.

Neste 1º de Maio de 2015, em que recordamos os Mártires de Chicago e esse movimento operário norteamericano que era composto em uma parte muito grande de migrantes da Europa, vemos também como há uma diferença entre os que vinham com a luta de classes na cabeça, alguns embalados pelo sonho da nova sociedade socialista, e os que, hoje, tentando se salvar da crise do capitalismo atrasado em seus países de origem, se submetem às regras do capitalismo selvagem, imperialista. Não há que temer os Le Pen (extrema direita), na França, e seu crescimento eleitoral; é preciso analisar o papel das direções sindicais e políticas que fazem “paternalismo social”, deixando de fazer uma necessária discussão que tem a ver com a luta de classes. Ou os que idealizam as condições individuais de setores que, sendo parte da classe explorada, atuam contra sua própria classe.

A raiz destas contradições é a postura de dirigentes que não veem, não sentem e nem apoiam o curso que a história mostra como irreversível no progresso a uma nova sociedade. Estas direções são parte da transitoriedade do curso atual da crise do sistema, e no fundo seguem pensando que o capitalismo tem solução pra toda essa crise. Quando a humanidade toda sofre a selvageria de ver os milhares de mortos no oceano porque fogem da África colonial onde a vida não vale nada, ou das ex-colônias que são só formalmente “democracias” com alguma representação de Repúblicas. “Democracias” que, como na recém independente e jovem nação Burkina Faso, na década de 80, o camarada Thomas Sankara tentou transformar revolucionariamente em Democracia Socialista, motivo pelo qual o imperialismo francês o assassinou, e que agora o povo está novamente avançando, com sua memória, em sua luta e governo. Estes países onde guerras tribais assolam populações inteiras, obrigadas a se refugiar, migrando de uma área a outra, quando fazem comércio com a escravidão da mulher e do jovem em pleno século XXI. Isso justifica arriscar a vida nos oceanos. E há que salientar que são países governados por fantoches do imperialismo ianque e europeu. Então a discussão sobre a migração adquire outra relação social e importância sócio-política. Mas também é necessária uma política de integração na qual, SEM PERDER UM SÓ POSTO DE TRABALHO NEM CONQUSTA SOCIAL, SINDICAL, ECONÔMICA E POLÍTICA, OS TRABALHADORES MIGRANTES SE INCORPOREM À FORÇA PRODUTIVA DA REGIÃO.

Isso vale, em nossa opinião, para a América Latina e a integração regional. Não se trata de fazer paternalismo em base a conquistas políticas e sociais resultado de lutas dos povos, mas de integrar o migrante com todos os direitos e também responsabilidades sociais, sindicais e políticas. O capitalismo expulsa trabalhadores, e também pequenos e médios comerciantes que só comerciam em base ao nível de vida superior dos países de destino, alcançado com a luta de classe. Isso se fazia na Venezuela dos “petrodólares” de 30 anos atrás, e era um ralo pelo qual escoavam os esforços e conquistas do povo venezuelano. Não se pode temer a discussão dessa crise das sociedades em transitoriedade. Por isso recordamos a apoiamos Cuba Revolucionária, que afirma que “a melhor forma de ajudar Cuba não é ir morar lá, que já fez a revolução, mas sim fazer a revolução onde se vive ou está”.

Nesta crise aparecem os conflitos internos, especialmente em varias cidades da África, em que as disputas sociais pelo trabalho, particularmente o comércio, levam a enfrentamentos com centenas de feridos e mortos. O capitalismo cria as condições para conflitos intraclasse, e sua grande mídia logo depois acusa: “são expressões de xenofobia!” e fala do livre trabalho, livre comércio e circulação nesses países em que os desempregados e despossuídos tratam de defender-se das condições de vida a que são obrigados a levar pelas transnacionais e corporações imperialistas. Mas não se analisa em nada que este enfrentamento de classe explorada contra si mesma é produto da crise do sistema capitalista, dos governos títeres que são mantidos pelas transnacionais corporativas do petróleo, da mineração ou da agricultura industrial. Na América Latina, criam esses conflitos com a soja, com a mineração a céu aberto etc, que expulsa milhares de trabalhadores do campo pra se abarrotarem nas cidades, gerando cordões de miséria onde devem brigar pra sobreviver. Coisa muito diferente ocorre na Síria, Palestina, Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, ou Criméia, onde há conflito generalizado, sim, mas a população solidariamente assume a luta pela independência nacional e uma nova sociedade.

Marcha AntiFascista Donetsk

Marcha anti-fascista na República Popular de Donetsk, em 2014

Donetsk Mineiros

Manifestação de mineiros em Donetsk contra as agressões do governo fascista da Ucrânia

Os mártires da classe operária que recordamos neste 1º de Maio, os milhares de proletários que nos EUA lutaram com a vida, não o fizeram por progresso individual, e sim coletivo, como classe trabalhadora, e aí reside seu valor histórico. O resto é capitalismo puro. E com isso, e por isso, é que parte da classe operária do mundo, e da Europa, como na Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica etc defende suas conquistas sociais e seu nível de vida com o direito de tê-los conquistado como gênero humano contra um sistema explorador e de opróbio. E a relação contraditória destes setores com a população migrante só pode ser superada DIVIDINDO AS HORAS DE TRABALHO MANTENDO IGUAIS SALÁRIOS, SEM DISTINÇÃO DE GÊNERO. Que o capitalismo – que é e funciona mundialmente centralizado – se encarregue de sua crise em qualquer região do planeta, não deixando que morram milhões no mundo por fome, afogados como estes migrantes ou que vivam na exclusão social.

Isto é gráfico da crise final do sistema, que por isso mesmo fracassou em retroceder os progressos culturais e sociais das massas soviéticas, como sonham agora fazer com uma “China capitalista”. Os problemas das nacionalidades, da integração regional, das “fronteiras e territórios”, como a disputa da Bolívia por uma saída própria ao mar, é uma estupidez de se exigir. Porque se está integrando toda a região e será com a planificação produtiva do quê, como, quando e onde produzir de forma equitativa e harmoniosa que serão superadas todas as disputas. Política de estímulo ao conflito e enfrentamentos que o imperialismo está estimulando, seja pela via econômica, seja com disputas territoriais que debilitam os governos nacionalistas, populares e democráticos que querem avançar em caminhos e programas que, de fundo, são revolucionários.

Então, os problemas da transitoriedade da atual etapa estão sempre unidos à crise do sistema mundial, pois não pode conter ou desviar a objetiva aliança da luta de classes e da rebelião das forças produtivas. Por esta relação transitória TODA FORMA DE PATERNALISMO OU POPULISMO SOCIAL É TÃO NEGATIVO COMO O NEOLIBERALISMO QUE ESTAMOS DERROTANDO.

Putin y Tsipras

Recente visita do companheiro Tsipras, presidente da Grécia, à Rússia de base soviética, do presidente Putin.

BRICS 2014

Cúpula dos BRICS, 2014

AS NOVAS FORÇAS ECONÔMICAS, O ESTADO OPERÁRIO E OS BRICS

Como o marxismo analisa: “Nenhuma formação social desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que cabem dentro dela, e jamais aparecem novas e mais altas relações de produção antes que as condições materiais para sua existência tenham amadurecido no seio da própria sociedade antiga. Por isso, a humanidade não se coloca problemas a não ser para os quais já tem solução”. Seria isso um “dogma religioso, teológico”? Absolutamente não! É uma materialização do pensamento materialista dialético da história aplicada à realidade social. Agora, o valor político dessa afirmação não está em si mesma, e sim na aplicação dela em tempo e espaços corretos.

Nós, os posadistas da IV Internacional (Trotskista), aplicando as análises e a teoria de León Trótski sobre “A Revolução Permanente”, consideramos que esta é a época em que se conjugam as duas forças motoras da história, a saber: LUTA DE CLASSES e REBELIÃO DAS FORÇAS PRODUTIVAS. Daí que projetamos há anos este curso como INEVITÁVEL, assim como base para desenvolver a política mundial, e suas expressões regionais e nacionais.

Os Movimentos Nacionalistas e sua função revolucionária, que J.Posadas já analisou desde a década de 1947 em relação ao peronismo antimperialista e a expressão comunista da função do proletariado que este gerava na Argentina, são hoje uma base irreversível do curso objetivo da história da humanidade. Mesmo na Rússia, que qualificamos há anos como “pseudônimo atual da URSS”, este curso nacionalista revolucionário se desenvolve, com intervenção de Putin, que também é impulsionado, sem opor resistência alguma. Ou como na Venezuela Bolivariana e Socialista, a continuidade do camarada Hugo Chávez, expressão do chavismo vivo, se expressa no governo do camarada Nicolás Maduro; na Grécia, com o Siryza e Tsipras, na Argentina, com a companheira Cristina Kirchner, no Brasil, com Lula-Dilma, na Bolívia, com Evo Morales, e logo com mudanças na Espanha, Portugal, Irlanda etc…

Neste curso, a história, que tem sim memória, vai elevando as relações internas e aprendendo, gerando novas coordenadas pra se apoiar e avançar. O papel das direções aparece na mesma superfície. Por isso J.Posadas dizia que “enquanto Trótski está vigente e vivo na luta de classes, quem se lembra de Stálin, enterrado pela história?”

As burocracias não surgem por acaso, e sim de condições geradas pela formação das forças produtivas e da distribuição. Quanto maior o desenvolvimento destas, resultado da maior participação social de uma nova sociedade, somem as condições que propiciam a consolidação das burocracias em seu papel de dobradiça, de ponte, entre o capitalismo e a classe trabalhadora, porque NÃO TEM FUNÇÃO SOCIAL ALGUMA A DESEMPENHAR. A mesma coisa acontece em relação ao hedonismo, ao protagonismo caudilhesco e ao individualismo no âmbito sindical e político. São heranças do sistema capitalista, baseadas na insegurança individual que ele gera. Por isso se burocratizam e fazem de sua tarefa social uma função administrativa e, logo, burocrática, que vai contra os interesses da sociedade dos iguais que deveriam representar.

Neste 1º de Maio de 2015, insistimos, como temos feito desde 1990, que a URSS não desapareceu. O que houve foi a queda da burocracia soviética em um “desvio transitório do curso regenerativo do Estado Operário” (LC1990). Então, o curso objetivo da história neste Século XXI não coloca a necessidade de descobrir um “novo socialismo”, mas sim de limpar socialmente tudo o que se arrasta do sistema capitalista em decomposição neste caminho da construção da nova sociedade e sua etapa transitória, nos Estados Revolucionários de transição.

Este curso tem expressões concretas. Por exemplo, na luta antimperialista mundial contra a globalização unipolar imperialista, aparecem OS BRICS CONCORRENDO COM O CAPITALISMO IMPERIALISTA DA ÉPOCA. E como não ver que isso, ainda que não negue o capitalismo, nega sim o imperialismo? Compete com ele, e por quebrar sua necessária centralização, acabará sendo uma força enorme – já em desenvolvimento – aliada à luta mundial de classes e a rebelião das forças produtiva. Ou não é concretamente isso que propõe Putin enfrentando o imperialismo quando diz: “Queremos ser como é a América Latina”. Sim, esta “Luminosa América Latina” (como os posadistas tem qualificado há 20 anos) está desempenhando um papel fundamental no curso da história. Ou quando, na Grécia, o Siryza e Tsipras usam o exemplo da Argentina para avançar na construção da uma Grécia Popular e Revolucionária. Quando ressurge a função da hoje Rússia Soviética em ALIANÇA COM OS POVOS DO MUNDO POR SUA INDEPENDÊNCIA.

OS SINDICATOS, MOVIMENTOS SOCIAIS E PARTIDOS DA CLASSE TRABALHADORA, E O ESTADO REVOLUCIONÁRIO

Neste curso estão vivas as lutas do proletariado dos EUA e os camaradas Mártires de Chicago. O ritmo da crise do sistema é desigual e combinado. Por um lado os progressos tecnológico-científicos reduzem os tempos de produção e produtividade, eliminando postos de trabalho e baixando os custos produtivos e de comercialização, mas, por outro lado, não incorporam centenas de milhares da força de trabalho no mundo. Neste curso, os Sindicatos, Movimentos Sociais, Partidos da Classe Trabalhadora tem um papel central. E também os governos nacionais, populares e democraticamente revolucionários, como expressão das mudanças profundas na história e uma nova geografia sócio-política econômica.

Manifestación 17oct 45 Plaza Mayo

Argentina, Praça de Mayo, 17/10/1945: Peronismo de massas

Huelga Ferrocarriles México 1959

México, 1959: Greve de Ferroviários

 A etapa de transitoriedade não tem data marcada para passar a um estágio superior, que são os Estados Revolucionários de Transição, mas tem tempos e espaços para seu desenvolvimento. Por isso é central o papel dos organismos dos trabalhadores. Os governos nacionalistas revolucionários atuais são resultado da incansável luta de classes, mesmo que não se definam como seus representantes. É o curso desigual e combinado que estabelece no mundo o desenvolvimento da “Revolução Permanente”, que atua sem pedir licença, estruturando a defesa do progresso já alcançado, mas também impulsionando o avanço dos governos progressistas. A Grécia, Venezuela, Rússia, Argentina, Equador, Bolívia, Espanha etc expressam esta condição, já prevista e analisada por textos de J.Posadas nos Manifestos de 1º de maio há mais de 40 anos.

A ausência da Internacional Comunista de Massas, por enquanto, é suprida pela coordenação dos movimentos e governos revolucionários no mundo. Não há homogeneidade ou harmonia porque as relações de classes ainda não foram superadas, mas houve progressos ao compensar interesses nacionais e regionais. A aliança da Rússia soviética, China Popular, Brasil, etc, no BRICS, assim como os acordos bilaterais que abrem caminho a acordos muito mais profundos em perspectiva, são a ponta de proa do barco do progresso social.

Paro Sindical Uru antiTISA

Uruguai, 2015: Paralisação da PIT-CNT contra Tratado de Livre Comércio proposto pelos EUA

Huelga General Esp 2013

Espanha, 2013: Greve Geral

O sistema prepara e está lançando permanentemente agressões contra a humanidade. A resposta são as lutas das massas do mundo apoiadas por governos e países em estado de transição, e estas são condições novas do mundo. O fracasso do neoliberalismo, do consenso de Washington, de Maastricht, assim como o surgimento dos BRICS e o papel da Rússia soviética e da China Popular são parte deste progresso. Certamente existem guerras no Oriente Médio, na Síria, Iêmen, contra o povo palestino, organizadas pelos agentes do imperialismo, sejam os Alqaeda ou ISIS etc… Certamente morrem milhares afogados no mar Mediterrâneo, e também segue a agressão contra a Venezuela, Argentina, Brasil, Chile, etc, mas o curso de progresso que, há 129 anos da luta dos Mártires de Chicago, hoje recordamos, é imparável e irreversível.

Por isso saudamos com alegria comunista neste 1º de maio de 2015 todos os povos do mundo que fizeram, com suas lutas, progressos e alegrias sociais, o melhor cenário para a construção de uma nova sociedade: O SOCIALISMO.

21/04/2015 – Eliseo Ramírez – Pelo Burô Latinoamericano (BLA) da IV Internacional (Trotskista-Posadista)

Crise Imperialista e III Guerra Mundial

Logo Conclusiones Colorido

León Cristalli, diretor da Revista Internacional “CONCLUSIONES”.

10 de janeiro de 2015

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Este atentado terrorista em Paris é parte de um aprofundamento da III Guerra Mundial que o imperialismo lança no mundo. A “Guerra mundial petroleira” é mais um dos tantos tentáculos com os quais está querendo encaminhar o mundo, a humanidade, o planeta a uma conflagração mundial. O atentado é parte de uma estratégia para dividir o povo da França, dar apoio social à direita de Marie Le Pen, mas também a outras organizações que querem restaurar uma sociedade abertamente escravista, xenófoba e na qual a vida perderá seu valor. Não é um problema de “terrorismo Islâmico” isolado deste contexto mundial. Por isso, na Ucrânia, de mãos dadas com a OTAN, revivem o mais atrasado social e culturalmente do setor que colaborou com os nazistas na II Guerra Mundial, e onde aparecem, sustentados por mãos mágicas e finanças obscuras, grupos que agem contra A DEMOCRACIA. É a destruição de um Afeganistão, que, na década de 80, com a intervenção soviética solicitada pelo presidente afegão à época, saía do atraso ancestral, florescendo sua saúde, educação e em uma perspectiva de nação que começava por “instalar água encanada nas comunidades”, que 95% do povo nem sabia o que era, e então o imperialismo criou os “mujahedines” ou “terroristas financiados pela CIA”, os mesmos que depois viraram o Alqaeda, e que são os ISIS de hoje etc… Todos braços armados para prostituir a luta de classes desde dentro, confundindo culturas com assassinatos e o detrito das religiões. Com isso, querem destruir a Síria para abrir um corredor livre contra o Irã e a Rússia de base soviética. Da mesma forma que já utilizam a Coréia do Sul, capitalista, contra a Coréia do Norte, e, no fundo, contra a China Popular, temida pelo sistema capitalista mundial, porque tentou engoli-la mas acabou infiltrado, e, agora, tem “dentro de seu estômago” algo que não pode digerir, e que está comendo o capitalismo por dentro, porque a China não é capitalista, apesar das burocracias e dos “novos burgueses chineses”, que, como já analisaram Marx e Engels, e depois León Trótski, não têm como virar “classe burguesa”, e seguem sendo parasitas de origem, com certo poder econômico pela natureza da atual economia da China, mas parasitas do Estado Operário suigéneris chinês. Os BRICS, a aliança da China Popular com países do mundo, com burguesias que tentam um desenvolvimento independente nacional e percebem que só conseguem aliando-se ao Estado Operário Chinês. Burguesias que veem a destruição que o colonialismo fez na África, o berço da humanidade. Coisa que queriam fazer na América Latina com o “Consenso de Washington” e seu “organograma pra América Latina”, a ALCA (Aliança de Livre Comércio da Américas), que seria a “africanização da América Latina” (ver LC, 1999), mas fracassaram devido às políticas desenvolvidas pela Venezuela, Argentina e Brasil, que lideraram o resto da América Latina e impuseram aos EUA o famoso “ALCA AL CARAJO” de Hugo Chávez.

Crisis Fictícia Petróleo

EM SUA CRISE FINAL, O SISTEMA CAPITALISTA NÃO PRECISA E NEM SE APÓIA MAIS NA DEMOCRACIA

Esta ação “terrorista” na França é parte da política do sistema capitalista mundial contra A ALIANÇA DA LUTA DE CLASSES com A REBELIÃO DAS FORÇAS PRODUTIVAS, sobre o quê temos escrito há anos. Por isso essa crise do sistema capitalista traz à tona QUE JÁ NÃO PRECISA NEM SE APÓIA MAIS NA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA, essa em que o próprio sistema se amparou e abrigou durante mais de um século no mundo, principalmente na França, “berço da sociedade burguesa desde 1789”, mas que hoje, esgotado o desenvolvimento econômico de suas forças produtivas (Marx-Engels), tem que ir às raízes de sua origem de CLASSE SOCIAL EXPLORADORA CONCENTRADA NO IMPERIALISMO. Todo o resto só é parte da “Guerra de 4ª Geração”, ou GUERRA MIDIÁTICA, mas agora com consequências materiais diretas, como os assassinatos na França, que inclui os jornalistas, policiais, civis e os próprios terroristas, que são juticiados in situ PARA QUE NÃO FALEM. Mas, claro, antes de serem mortos têm tempo de assumir a “responsabilidade” dos assassinatos, tomar reféns etc… Quanta funcionalidade, não?

Escrevemos isso poucas horas depois que a humanidade se inteirou destes selvagens acontecimentos. A França não é um lugar escolhido por acaso, porque é a BASE DO NASCIMENTO DA DEMOCRACIA BURGUESA, QUE, HOJE, ESTÁ LIQUIDANDO O SISTEMA CAPITALISTA NO MUNDO. Nunca fomos cúmplices, por idiotice político-cultural, dessa ideia que estes episódios são “problemas de seitas islâmicas”. É uma questão de estrutura político-militar com aplicação em pleno desenvolvimento no mundo.

A Igreja Católica, que sempre esteve um passo à frente na previsão do curso da história, desde a desintegração do império romano, colocou o Papa Francisco, e ele, entendendo corretamente este curso de crise do sistema capitalista imperialista, oferece, propõe novas formas de convivência social, mas rodando pra trás o relógio da história. Uma sociedade em transição não pode ser transitória rumo a uma involução. O sistema capitalista imperialista que o Papa Francisco condena de muitas formas, não pode deixar de ser imperialista, nem muito menos abrir caminho a uma sociedade burguesa capitalista distributiva, cuja falta de perspectiva são sabidas pela Igreja Católica e todas as religiões. Por isso o sistema desenvolve essa Guerra fracionada, criando desarticulação social, política e econômica aqui e ali, mas de forma centralizada, porque sabe que entramos no ciclo do ocaso final do capitalismo.

Este curso atual, em pleno desenvolvimento, não é misterioso para a humanidade. Esta fase da história da foi explicada em 1848, com o Manifesto Comunista de Marx-Engels; os trabalhadores tentaram aplicar esse ensinamento em 1871, na “Comuna da Paris”; mas se constatou e afirmou como novo começo da com a REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917 que, triunfante, derrotou pela primeira vez o sistema de opróbio de exploração do ser humano por si mesmo. E nem a degeneração burocrática do stalinismo pôde retroceder o relógio da história. Com a revolução proletária russa, com os bolcheviques à frente naquele Outubro (novembro) de 1917, a história deu um salto dialético que já não poderá ser apagado por nenhuma força. Por isso a humanidade, apesar do déficit de suas direções e da ausência de uma Internacional Comunista de Massas, avança desigual e combinadamente, com contradições e mesmo com golpes em algumas partes do planeta, mas estruturalmente sem retroceder nem um centímetro nos avanços e progressos já alcançados.

E é isso que o sistema tenta derrotar. É o curso revolucionário do povo grego, que se prepara em alguns dias para pegar um salto progressivo imenso com o Syriza e a enorme possibilidade de um governo no rumo de um Estado Revolucionário com o camarada Alexis Tsipras presidente. São os progressos da Argentina, que não se submete aos “fundos abutres”, como tampouco se submeteu antes ao FMI etc… É a Bolívia, que avança como Estado Plurinacional, mas cuja estrutura em construção é a de uma nova sociedade sem classes, do “bem viver”, que necessariamente não será capitalista. E a Venezuela, que combate uma agressão externa e seus sequazes internos do sistema imperialista, e está lutando e se construindo e reconstruindo a cada dia desde (e com) a sua direção e uma enorme base social chavista dura, revolucionária, socialista. É o Brasil, que segue com o 4º governo do PT, com Dilma na presidência e Lula como condutor social proletário – isso, atenção, em um dos 10 países de maior desenvolvimento econômico, portanto, do próprio sistema capitalista. Guardadas as diferenças de poder econômico-militar, mas socialmente, sim, é como se em um país potência do sistema, como o próprio EUA, se conseguisse instaurar um governo do PT pela quarta vez. A burguesia brasileira é uma das mais potentes do sistema, mas sua crise também se expressa no fato de que já não pode se desenvolver socialmente na grande massa do povo, e, então, uma parte desta burguesia, para negociar e sobreviver, precisa pactuar com o PT, que, porém, historicamente e no final das contas, será seu coveiro político-social.

O TERRORISMO, ARMA DO IMPERIALISMO

Os revolucionários, na história da humanidade, não se “utilizaram” de terrorismo algum, porque não é parte da construção da nova sociedade. Não se muda o estado de coisas pelas vias do terrorismo, do assassinato individual ou coletivo. Pelo contrário, as distintas classes opressoras sociais na história sempre utilizaram o terrorismo como ferramenta de conquista do poder. A I Guerra Mundial de 1914 camuflou sua motivação interimperialista atrás de um atentado terrorista (assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, da Áustria). Hoje, a III Guerra Mundial fracionada no mundo é produto de uma crise sem saída da economia distributiva do sistema imperialista. Não podem solucionar a contradição do grande progresso das forças produtivas com o diminuto das forças distributivas do sistema. Nesse contexto, o imperialismo organiza a contrarrevolução utilizando as contradições do curso, o desigual e combinado deste processo de “Revolução Permanente”, nas palavras de León Trótski. O imperialismo, sua OTAN (NATO), a IV Frota, VII etc… não podem justificar invadir militarmente de forma direta. Então inventam “armas de destruição em massa”, “armas químicas”, ou a famosa “intervenção humanitária”, como no Iraque e na Líbia. Mas a crise no chifre da África segue vigente, na Somália, no Iêmen, na Palestina, no Egito, onde o imperialismo tentou se adiantar ao curso e fazer a “sua primavera”, mas saiu um “inverno”, porque, ainda que não se condene ainda o pior de Mubarak etc., o curso do Egito hoje está muito mais perto da Síria, do Irã, da Rússia e da China, do que dos EUA.

É aí em que a aliança objetiva da luta de classes e a rebelião das forças produtivas se concentra em um curso da história da humanidade, que o sistema capitalista não pode mais controlar nem decidir sem considera-la, em função de seus interesses imperialistas e que concretamente se expressa na perda do mundo que as transnacionais consideram seus quintais, base dessa campanha de terrorismo mundial. Mas, tão importante quanto isso, em nossa opinião, está a necessidade da direção política nos EUA (Democratas e Republicanos) de justificar frente ao próprio povo dos EUA o que estão preparando em escala mundial. E isso já foi denunciado pelos dirigentes e presidentes de vários países do mundo, como Putin, Xi Jinping, Maduro, Evo Morales, Rafael Correa, Raúl Castro etc…

A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E O SOCIALISMO

O assassinato de jornalistas e empregados da revista “Charlie Hebdo” é, sem dúvida, uma provocação política e cultural, particularmente à população de centro e centro esquerda. Mas, porque a eles e não a outros? Por uma questão de piada religiosa meramente ou porque por ali passa uma fibra muito concreta que diz respeito à vida social da França, que durante séculos, como país colonialista, extraía não só as riquezas naturais, mas também a força de trabalho barata ou até escrava de suas “colônias”. Mas isso não é um problema da Democracia surgida em 1789 e sua revolução burguesa, conhecida por proclamar as nunca integralmente aplicadas “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Isso é um problema do imperialismo francês, alemão, inglês, estadunidense… É parte da divisão mundial do trabalho e do desenvolvimento das forças produtivas, em que o papel da imigração é usado pelas transnacionais e seus governos neoliberais como contrapeso das lutas pelas conquistas sociais. O regime capitalista organiza mundialmente as coisas de maneira a seus negócios serem mais lucrativos, gerando o que nós, posadistas, definimos há anos como “mais-valia concentrada”, mas não conseguem resolver o problema da distribuição social. E na França se expressa nas centenas de milhões de migrantes, como força de trabalho subempregada, uma desarmonia que o imperialismo colonial não pode resolver, assim como não pode conter o poder das forças produtivas e sua atual rebelião em marcha. Por isso, em nossa opinião, NÃO EXISTEM PROBLEMAS DE NACIONALIDADES, DE ETNIAS OU RELIGIÕES, MAS SIM DA LUTA DE CLASSES, FRENTE À QUAL O CAPITALISMO AGRIDE A HUMANIDADE.

Na URSS, Lênin e os bolcheviques resolveram os ditos “problemas” étnicos, religiosos e culturais de uma imensa nação, e com duríssimo histórico de invasões e submissões de povos nas épocas dos czares. Conseguiram isso integrando todas as etnias e religiões em um objetivo comum: tirar o jovem Estado Operário Soviético da crise deixada pelos desastres da I Guerra Mundial e superar os desafios de harmonizar a economia de guerra com a ação da nova sociedade. Ali os problemas étnicos, religiosos, culturais, autóctones ficaram relegados ou passaram a um terceiro plano de preocupação da população. Não diminuir nenhuma etnia nem subestimar a função ou peculiaridades de cada nação que começava a se integrar à URSS: isso só era possível em base a uma nova concepção da propriedade e de sua função na distribuição do que se produz.

A ação do imperialismo na era Gorbatchov-Yeltsin foi de estimular desde o campo econômico e militar as nacionalidades que compunham a URSS, algumas duramente espoliadas pela burocracia moscovita stalinista, que não tinha mais nada a ver com a posição bolchevique de V.I. Lênin e sua política “Sobre as Nacionalidades”. Queriam reavivar ufanismos chovinistas e usar isso como elemento de disputa. Tiveram sucesso porque a burocracia parasita tinha criado um caldo de cultura para tal, e também pela idiotice congênita de todas as burocracias, seja capitalista ou mal chamadas de “socialistas”.

A revista “Charlie Hebdo” se posicionava à esquerda em um desigual e complexo quadro de interesses midiáticos, mas não cumpria uma função defensora da liberdade de imprensa e dos direitos dos profissionais do jornalismo. Na verdade, como outras, em nossa opinião, pseudo “revistas de humor político”, acaba deturpando a luta de classes no que diz respeito à sua função direta, assim como sua essência libertadora do pensamento humano. Sem cair em qualquer moralismo conservador, vemos que estas revistas são apenas uma diversão na forma de masturbação cultural sobre a realidade da vida no capitalismo, cuja sociedade supostamente criticam, mas sem aportar em nada pra elevar a luta de classes e a concepção científica exigida por esta para construir uma nova sociedade.

São formas maniqueístas de se situar acima da realidade e, no fim das contas, deformá-la, para que ela não pese na geração de ideias superadoras da decomposição atual desta sociedade. O fato de não fazerem distinção entre as religiões ou políticos que satirizam não justifica cultural nem socialmente sua linha editorial. A sátira política que os gregos faziam mostrava as contradições de sua sociedade, mas sempre criticando, e com formas muito peculiares e profundas de mostrar o fundo do “poder” de um sistema escravista. Mas faziam isso incorporando a sociedade e propondo os progressos necessários a essa sociedade.

A liberdade de imprensa no capitalismo é utilizada como instrumento de dominação e coerção social. As empresas “jornalísticas”, em sua grande maioria, não são outra coisa que capitais nacionais e internacionais organizados para fabricar realidades, inclusive tocando lutas fratricidas pelo mercado das notícias e da venda de produtos do sistema comercial.

A suposta objetividade das empresas de venda de mercadorias publicitárias, seja imprensa escrita, TV, rádio ou informática, é pura fantasia. Por isso o sistema está desenvolvendo esta arma de penetração na sociedade, na cabeça de bilhões e seres humanos, com falsidades que, descobertas depois, nunca ficam os registros destas empresas comerciais do imperialismo.

A revista “Charlie Hebdo” não é progresso social nem representa a classe trabalhadora francesa e nem mundial. E desempenha um papel que, agora mesmo, é aproveitado claramente pelo sistema capitalista mundial, pelo imperialismo, para avançar um degrau a mais na escalada da III Guerra Mundial em desenvolvimento, com as características que podem dar a seu desenvolvimento.

Como na URSS, há 25 anos, para destruí-la de dentro, agora o sistema insere na humanidade problemas alheios em tempo e espaço a suas necessidades, e levantam bandeira de direitos com consignas pseudo-patrióticas que nada tem a ver com o progresso da história. É como pautar, em meio à Integração da América Latina, disputas territoriais, particularmente dentro da UNASUL, fechando os olhos para o fato de que, com A INTEGRAÇÃO POLÍTICA DA REGIÃO SE SUPERAM TODAS AS ARBITRARIEDADES DAS POLÍTICAS CAPITALISTAS ANTERIORES, oriundas da própria emancipação política parcial da região. Contra isso já se levantaram desde Bolívar, San Martín, Artigas, Martí e centenas de verdadeiros revolucionários na história da América Latina e do mundo.

Não existe guerra entre Ocidente e Oriente, não existe GUERRA DE CULTURAS nem DE RELIGIÕES, o que existe é um aprofundamento da crise histórica do sistema capitalista e de suas consequências na vida da humanidade. Reiteramos: a Igreja Católica, com as denúncias do Papa Francisco, está tratando de uma realidade que não tem instrumento de superação desde o púlpito, porque isso sempre toca a um aliado desde o campo da classe abastada. Mas não deixa de ser um valioso instrumento de luta pela maneira que incorpora centenas de milhões de seres humanos no debate sobre esta realidade do mundo – não o que é divulgado pela mídia, inclusive pela revista “Charlie Hebdo”, e sim o que o imperialismo faz na Síria, na Ucrânia, Palestina, Somália, Iêmen, Iraque, Afeganistão, Líbia etc…

O sistema range e começa um caminho de desintegração em sua estrutura mundial. Os EUA, como cabeça do sistema, percebe isso, estende seus tentáculos pelo mundo, e está se preparando a uma resposta massiva que virá, também, de todo o mundo. Precisa ter os motivos que justifiquem sua ação naquilo que é seu tendão de Aquiles: O POVO DOS EUA E SEU DESEJO POR PAZ. Por isso organizaram o 11 de setembro em Nova Iorque, a “Farsa Macabra” (ver Resolução da IV Internacional, de 12/11/2001), com o assassinato nas Torres Gêmeas, inventaram o embuste das “armas de destruição em massa” no Iraque, um país que foi destruído, massacrando-se um milhão de seres humanos. Na Palestina, assassinam todos os dias a população cuja única reivindicação é o direito de viver em paz em suas terras, o mesmo que na Síria, Líbia, Somália e no chifre da África, como na América Latina. Este golpe contra a humanidade, na França, tem o objetivo de destruir o caminho da fraternidade, da solidariedade e da liberdade.

Condenar este atentado sem especificar seus objetivos e seu conteúdo seria tão criminoso quanto o próprio ato em si. Por isso é que, desde as organizações sociais, sindicatos, partidos democráticos e revolucionários, instituições culturais, religiosas, militares e profissionais, é preciso assumir como necessidade de vida, a contenção e derrota desta escalada que pode ter um fim desastroso à vida do ser humano, à natureza e à nossa relação com o cosmos.

O objetivo é derrotar à humanidade no curso de reconstrução de sua história. Nós, desde nossa revista CONCLUSIONES, sem medo e com muita convicção, afirmamos que estas ações, ora abertas, ora veladas, do imperialismo, tem como fim interromper o avanço rumo a NOVA SOCIEDADE SOCIALISTA.

L.C.                                                      10 de janeiro de 2015.

www.revistaconclusiones.org

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FRENTE AOS DERROTISTAS DE SEMPRE, CUBA VENCERÁ

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León Cristalli – 27/12/2014

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Quem pode chegar a pensar, a não ser se for desde o campo do imperialismo, que já está concretizado o objetivo de retroagir Cuba Estado operário suigéneris ao sistema capitalista? Na realidade, não chega a precisar de muito cérebro para se concluir que “ah! O imperialismo quer retroagir Cuba ao capitalismo”.

Descobrir que os seres vivos, de sangue frio ou quente, se não respirarem, mesmo os que o fazem com brânquias, acabam morrendo, não chega a ser nenhuma novidade, nem nas ciências específicas nem na que a humanidade pratica, como norma de vida. Não queremos parodiar nenhum revolucionário honesto que vê, nos outros, os seus próprios medos, ignorando, assim, o curso da história da civilização e da luta de classes e nem enxergando também os povos e sua fortaleza. Mas o perigo disso, quando menos, é semear o pessimismo e, daí, a deserção dos progressos que a humanidade realizou no curso de sua história. É querer encontrar “pêlo em ovo” em um caminho em pleno desenvolvimento.

Os que só enxergam o “plano imperialista” lembram (ou são mesmo) aqueles que, no começo dos anos 90 do século XX, faziam autópsias da URSS, e aconselhavam visitar logo Cuba socialista, “porque logo iria acabar” etc… os que se sentiam paralisados pela simples e passageira derrota eleitoral na Nicarágua. Não viam o que a IV Internacional (posadista) analisou em documento publicado em fevereiro de 1990: que era apenas uma expressão da política de Mikhail Gorbachov, na URSS, que trilhava o caminho da entrega do Estado Operário soviético, junto a uma condição acumulada de erros políticos da direção sandinista (FSLN), que permitiu aflorar “a solidão das urnas”.

E esse sentimento derrotista fica mais fora de contexto hoje, agora, quando – e não “por enquanto” – a luta dos povos e dos governos nacionalistas revolucionários, populares e democráticos está derrubando o sistema imperialista mundial, contra toda exploração do ser humano. Um processo que tem como expressão o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com 49,7% da população mundial e uma força econômica que produz 27,8% do PIB mundial, e que, se somarmos os países da CELAC, aumentaria uns 20% nesse cálculo. Quando estas forças já estabelecidas na escala mundial da produção e da produtividade da sociedade tem sua base ao interior do sistema capitalista, que não pode negá-las, porque formam parte de seu próprio desenvolvimento, isso é a rebelião das forças produtivas, que temos analisado há 20 anos. Essa previsão de “volta de Cuba ao capitalismo em pouco tempo, com a criação de uma burguesia cubana” parte de quem vê só a superfície, e não o conteúdo da história. Na realidade, retratam seus próprios medos existenciais: temores de quem considera teoria sem prática. Karl Marx analisou que a teoria se constrói desde a prática, de maneira materialista dialética, no curso histórico.

A revolução cubana, seu povo e direção política e de governo têm sido consequentes consigo mesmos há 55 anos. É impossível a consecução do “socialismo em um só país”, mas eles desenvolveram uma concepção socialista de sociedade, pois tem como objetivo a sua construção. Primeiro, contando com a existência da URSS e do chamado “campo socialista”, e, depois, apoiando-se no curso revolucionário da história.

Localizar Cuba como em um processo de deserção desta concepção – que é estrutura social da imensa maioria do povo cubano, inclusive de sua juventude – é um desrespeito a uma conquista histórica que tem sido saudada por governos nacionais, populares e revolucionários do mundo todo.

Fundamentalmente, quando menos, é resultado de uma imbecilidade a mais vinda dos tais “analistas do óbvio”, os quais, quando não vem tudo já mastigado pelo curso objetivo, botam os pés pelas mãos e se esvaem como barro, ou como merengue, como diria Fidel. O povo cubano mostrou que a teoria da revolução permanente de León Trótski se desenvolveu, se afirmou solidamente, no medular da sua consciência. Daí provêm o pensamento do “Che” Guevara sobre o imperialismo: “não se pode confiar nem um tantinho assim no imperialismo”, que é hoje um guia de ação do melhor do povo de Cuba.

Este é o Exército Revolucionário que a ultradireita tanto teme: EXÉRCITO DE MÉDICOS CUBANOS PARA TAREFAS DE SOLIDARIEDADE INTERNACIONALISTA

Este é o Exército Revolucionário que a ultradireita tanto teme: EXÉRCITO DE MÉDICOS CUBANOS PARA TAREFAS DE SOLIDARIEDADE INTERNACIONALISTAS

O imperialismo está vivendo uma crise, em seu conjunto, superior à crise de 29 e 30 do século XX. A política das empresas transnacionais de planificação mundialmente de sua produção, que eliminou dezenas de milhões de postos de trabalho dos EUA, está em crise, o que o controle ditatorial que o Estado imperialista exerce sobre seus cidadãos. Cria-se uma situação de instabilidade social que se expressa, entre outros efeitos, nos repetidos assassinatos massivos em escolas, universidades ou empresas. Como também em um incremento das políticas e ações racistas contra negros e latinos. A disputa pelo trabalho, a manutenção de uma fonte segura de salário dos trabalhadores, caminha junto com a política de corte de direitos e conquistas trabalhistas, que engloba redução de salários, como também de acesso a serviços de saúde contra milhões de trabalhadores aposentados. Uma política de flexibilização laboral está em vias de aplicação nos EUA, em relação à qual Democratas e Republicanos fingem que não é com eles. Isso é uma estratégia para tentar reincorporar ao mercado nacional de trabalho as empresas dos EUA atualmente instaladas principalmente na China, mas também em outros países da Ásia e outros em que se pagam baixos salários, sem regulação trabalhista. O imperialismo precisa alcançar um tipo de paz social interna que lhe permita reinstalar indústrias importantes, apoiando-as com novas tecnologias de produção e produtividade.

Em síntese, o imperialismo precisa ganhar tempo para enfrentar a luta de classes e seus novos aliados: os governos nacionalistas, populares, revolucionários. Aí estão os BRICS, com a Rússia de base soviética; aí está a China Popular, uma sociedade que, apesar dos pesares, segue sendo uma República popular, dirigida pelo Partido Comunista, com uma população que avança em reivindicações internas, encurralando os setores pró-capitalistas. Frente a esta rebelião, o imperialismo precisa se acomodar internamente: o reatamento diplomático com Cuba é uma clara tentativa de se credenciar com o seu povo, que não é um governo imperialista nem reacionário, mas, enquanto isso, rearmam seu complexo econômico e militar.

LEÓN TROTSKY e a REVOLUÇÃO PERMANENTE

Mas este curso foi previsto e analisado, em termos de literatura, “desde o fundo da história”, por León Trótski, com análise certeira em base a sua teoria da “Revolução Permanente”, que é uma aplicação, em tempo e espaço, desde 1904/05, do pensamento de Marx e Engels, cujo eixo era a noção de que não há possibilidade de “socialismo em um só país”. Isto permitiu que, logo da fundação da IV Internacional e seu “Programa de Transição”, em 1938, se desse resposta à deserção da III Internacional pelo stalinismo, além da previsão de que estalaria a II Guerra Mundial, e em relação à qual era necessário desenvolver uma política que superasse a crise de direções revolucionárias da humanidade, pela aplicação prática da luta de classes no mundo.

Uma análise que armou o melhor dos Partidos Comunistas e Socialistas, os intelectuais do mundo, para que a guerra não fosse o fim de tudo, mas sim para que dali surgissem os que reconstruiriam o mundo. Afirmou: “seremos milhões!”. E assim foi: com o desenvolvimento de novos Estados Operários, o surgimento de Estado Revolucionários, e também em direções revolucionárias, como J.Posadas (Homero Cristalli), na Argentina, discípulo de León Trótski, proletário de origem, mestre dos mestres em base ao seu estudo autodidata do marxismo, continuando Trótski e aplicando sua teoria à etapa posterior à II Guerra Mundial em que, derrotado o nazismo, se desenvolveriam movimentos nacionalistas revolucionários em todo o mundo.

J.Posadas desenvolve a aplicação da concepção materialista dialética naquela etapa e nesta etapa, plenamente vigente, que concentrou em seu trabalho “Do Nacionalismo ao Estado Revolucionário e ao Estado Operário”.

Essa compreensão permitiu a J.Posadas intervir em Cuba, em 1960, em pleno Festival Mundial da Juventude (em uma época em que a revolução cubana nem de longe era unanimidade), defendendo que Cuba dava o salto adiante no rumo do Estado Operário se expulsasse o imperialismo, estatizasse as principais indústrias da cidade e do campo, as finanças e os bancos nacionais e imperialistas, assim como realizasse o Monopólio do Comércio Exterior. Nunca escreveu, nunca afirmou que “Cuba estava sozinha”, nem que sua direção – que estava progredindo, a cada segundo, no campo da luta de classes – iria fracassar ou que o povo cubano seria derrotado. Pelo contrário, festejou em La Habana os progressos enormes de “Che” Guevara, de Fidel e dos camaradas do 26 de Julio.

OS DERROTISTAS DIZIAM, em 1990: FIM do SOCIALISMO, da URSS, e, em MESES, de Cuba.

Assim diziam os auto-teóricos do marxismo. Reiteramos: uns de boa fé, outros por insuficiência de sua capacidade de análise, por não viverem dentro da luta de classes, mas sim “intelectualmente”. No fim das contas, a base da deformação teórica destes derrotistas de ontem, de hoje e de amanhã, é o curso degenerativo da Revolução Russa de 1917, depois da morte de V.I. Lênin, quando a primeira revolução proletária e camponesa triunfante não pôde se estender mundialmente, junto à reação da burocracia administrativa do Estado e de setores intelectuais do Partido Bolchevique, que afrouxaram e acabaram se submetendo ao que se construiu ao redor de Josef Stálin

Plekhanov abre o caminho ao pensamento de Karl Marx, expressando que “a vida económica se desenvolve sob a influência do incremento das forças produtivas”. Explica porque as relações que existem entre os homens se transformam e, com elas, o estado psíquico humano. É Karl Marx, no prefácio ao seu livro “Crítica à Economia Política”, que afirma: “Em certo grau de evolução, as forças produtivas da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes no seio desta sociedade. Ou, em termos jurídicos, com as relações de propriedade, no quadro das quais aquelas tinham evoluído. De formas que favoreciam a evolução das forças produtivas, as relações de produção se transformam em cadeias para esse desenvolvimento. Começa, então, uma época de revolução social. Com a transformação da base económica, toda a formidável superestrutura edificada sobre ela se transforma em um ritmo, ora lento, ora acelerado”. Aqui está o centro do pensamento marxista.

Marx afirma que “nenhuma formação social desparece antes que se tenham desenvolvido todas as forças produtivas que nela encontram ampla cabida, nem se estabelecem jamais novas relações de produção, no lugar das precedentes, enquanto as condições materiais indispensáveis a sua existência não tenham amadurecido no seio da velha sociedade”. É que a humanidade nunca se coloca problemas que já não possa resolver, já que, olhando a questão de perto, se constatará que “o problema não se apresenta a não ser ali onde as condições necessárias à sua solução já existam, ou já estejam, pelo menos, em vias de surgir”.

Vejamos desde o campo do materialismo dialético, ou seja, do marxismo – que alguns dizem esgrimir, mas como machado enferrujado e sem fio –, quais são as condições do campo capitalista, especificamente do imperialismo, sua cabeça mundial: uma verdadeira inflação monetária gigantesca, quatro vezes o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, e em proporção quase igual na Inglaterra, França e mesmo na supostamente “potente” Alemanha de Ângela Merkel.

Acumulação de bens de capital, concentrados nas instituições financeiras do sistema que derrotaram o capitalismo de três séculos atrás (“revolucionário”, por seu papel de superador do feudalismo), num processo que Marx analisa assim em seu tempo e espaço: “Temos uma álgebra puramente materialista da evolução social. Nesta álgebra, há lugar para os saltos – da época de revoluções sociais –, assim como para as transformações graduais”. Aí explana as mudanças para novas formas de produção, e agrega: “Os modos de produção oriental, feudal e burguês contemporâneo podem ser considerados de maneira geral como épocas consecutivas (progressivas) da evolução econômica da sociedade”. A que abriu caminho ao capitalismo foi a sociedade feudal, e seu atrasado modo de produção. Em Cuba, o imperialismo oferece ao povo cubano uma forma superior de propriedade, de produção e de distribuição?

Na realidade, existem os que, auto proclamando-se gramscianos, esquecem a base do pensamento de massas de Gramsci: quebrar a “hegemonia da burguesia” sobre a sociedade. Uma condição que foi desenvolvida amplamente na sociedade cubana, mesmo quando possa – em base a erros ou limitações que o curso objetivo da história impôs a Cuba – existir um setor social que não foi assimilado pela nova sociedade em construção. Em Cuba, em mais de meio século de revolução, mesmo com mil e uma contradições em seu desenvolvimento econômico, o povo cubano, em sua imensa maioria, defende a revolução. Mesmo quando ficam à espreita setores pró-capitalistas, burocrático-administrativos, junto a uma reduzidíssima porção lumpen, produto não da revolução nem de seus erros e acertos, mas do fato de que não há possibilidade alguma de desenvolver uma nova sociedade socialista em um só país. Portanto, o país sofre, fica parcialmente condicionado ao que exige a luta pelo desenvolvimento nacional e as contradições do curso mundial da economia e da sociedade.

O BRICS NÃO É SÓCIO DO IMPERIALISMO

Nós temos defendido que o BRICS é uma expressão deformada, tanto quanto necessária, da evolução da economia, suas contradições e, finalmente, de seu antagonismo com o desenvolvimento que as forças produtivas exigem hoje. Descrevemos há mais de 25 anos que o desenvolvimento da tecnologia aplicada à produção gerou o que qualificamos de “mais valia concentrada”. O capital se nutre desse sangue que flui como rio transbordado, que em um determinado momento rompe as margens e se espalha sem controle. Esta é, em nossa análise, a “rebelião das forças produtivas”. O rio não cabe mais nas “margens” sociais distributivas lógicas, reduzidas ainda pela concentração capitalista e cuja vazão está cerceada pela única eclusa aberta à frente: o capital financeiro.

O BRICS acaba então competindo com o sistema imperialista financeiro. Mesmo não se desprendendo do sistema capitalista, precisa estender-se mundialmente com novas formas concretas de cooperação produtiva e comércio distributivo. O pilar deste curso não é a Índia, desigual em seu desenvolvimento, mas sim a China e a Rússia (pseudônimo atual de URSS), que impulsionam o yuan e o rublo como moedas de intercâmbio, deixando o dólar “na solidão” dos entes financeiros, porque ao mesmo tempo que vai se concentrando bilionariamente, também vai perdendo espaço na sociedade humana. Reiteramos que 49.7% da humanidade já integra o BRICS, um acordo que terá necessariamente que dar batalha no campo da economia mundial contra o imperialismo. Assim, não é sócio do imperialismo, mas sim seu principal adversário. É aí onde nós, os posadistas, defendemos que os BRICS, apesar de não ser uma economia “concorrente com o sistema” – como era a URSS e os Estados Operários –, no seu desenvolvimento acabará enfrentando, de outra forma, o capitalismo imperialista e, portanto, acabará “concorrendo com ele”.

Um exemplo das mudanças revolucionárias da nova correlação de forças no mundo é a posição do presidente V.Putin sobre a “doutrina militar da Federação Russa”, adotada há uma semana no Conselho de Segurança da Rússia, quando modifica o ponto 27, dando-lhe uma nova versão que diz que “a Federação da Rússia se reserva o direito de utilizar armas nucleares em resposta a ataques com armas nucleares ou outras armas de destruição em massa, contra a Rússia e/ou seus aliados, assim como no caso de uma agressão à Federação da Rússia com armas convencionais que suponha uma ameaça à existência do Estado”. Esta determinação não é circunstancial nem superficial, é estrutural, e responde à necessidade da defesa da Rússia soviética, tanto como de seus aliados, entre eles, sem dúvida, Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Síria etc…

É preciso ter isso em conta como parte do acordo diplomático entre Cuba triunfante e EUA derrotado, depois de 55 anos de uma política de agressão tanto permanente como fracassada nos âmbitos político e social. Então, em quê se pode sustentar uma análise séria de que se abrem as portas, em pouco tempo, à restauração da burguesia cubana e do capitalismo em Cuba?

Análises, em perspectiva, quase catastróficos sobre o “acordo” entre Cuba e EUA estão sendo prognosticados pelos “elaboradores teóricos” de uma esquerda de boteco, para além da honestidade intelectual ou não de seu erro, em nossa opinião. Catastrofistas que se preparam para retirarem-se a seus quartéis de inverno, ou à “resistência heróica”, que é justificativa de um curso que não compreendem, quando, de fundo, estruturalmente, vivem superficialmente o curso revolucionário da história da luta de classes.

Em última instância não fazem mais que festejar idealistamente certos acontecimentos do devir da sociedade como fatos consumados, ou, na outra face da mesma moeda, seu pensamento não avança além de prognosticar, no curso revolucionário de Cuba, o dilúvio prévio à desaparição da revolução. Mostram-se propensos a alimentarem-se dos ingredientes com que se nutrem as campanhas midiáticas ou de Guerra de 4ª Geração imperialista. Não analisam as raízes culturais e o papel das classes, tão determinantes, como, por exemplo, nos problemas e obstáculos posteriores à derrota imperialista no Vietnã e as condições em que o povo revolucionário teve que se sustentar na construção do Estado Operário “sui géneris” vietnamita. Obstáculos como os assassinatos, durante a guerra, de milhões de seres humanos integrantes do povo do Vietnã, a política da burocracia ex-soviética na URSS, o papel contrarrevolucionário, em determinado momento, da direção política da China (isso foi analisado em memorável texto de J.Posadas sobre o papel contrarrevolucionário da burocracia chinesa daquele momento). Logo, os golpes contrarrevolucionários nos Estados Operários da Europa Oriental, junto à formal desaparição da União Soviética durante uma década.

Não é a mesma condição atual no mundo hoje, quando Cuba enfrenta e derrota social e culturalmente o imperialismo.

Marx explicou que “se, por um lado, os homens são produto do meio, este é, de outro modo, modificado precisamente por aqueles”. Marx explicou de que maneira o “meio” pode ser modificado pelos homens, produtos, por sua vez, desse mesmo meio. São as condições de produção as que, independentemente da atividade humana, e não de forma automática, vão certamente se refletir em Cuba, na melhora das relações de intercâmbio com o sistema capitalista. Cuba não pode se independentizar totalmente como em grande parte o fez, antes, com o intercâmbio com a URSS. Por sua vez, Marx deixa claro que são estes mesmos homens os que estabelecem, no curso, o processo de sua atividade.

O imperialismo não pode oferecer ao povo cubano outra coisa além da desintegração social que vive os EUA. Ainda que possam entrar na economia cubana créditos ou investimentos financeiros (político-financeiros, pelos seus objetivos), com escassas possibilidades de retorno. Podem meter milhares de TVs de plasma, máquinas de lavar roupas etc… mas não poderão quebrar a cultura já desenvolvida, em várias gerações, pelo povo cubano, e por sua direção política, nas ruas e desde o governo revolucionário. O que sim vai aparecer, e com muita clareza, é o papel da burocracia conservadora que se nutriu nestes anos difíceis do Período Especial. Uma burocracia cuja certidão de nascimento vem de muito antes, quando já “Che” Guevara a combatia com toda força tanto na Ilha quanto também na URSS e nos chamados Estados Socialistas da Europa, às quais ele denunciava como “burocracias parasitas”.

O PAPEL DOS ORGANISMOS DE MASSAS, O PARTIDO COMUNISTA, SINDICATOS, CDRs, COMUNAS E MUNICÍPIOS

Nesta etapa irão se reempoderar os organismos de massas cubanos. As melhoras que podem acontecer no âmbito econômico e como isso influirá na vida cotidiana da população não necessariamente tem que ser abordado como “processo contrarrevolucionário”. Mesmo partindo da hipótese – ao menos até o momento de escrever essas linhas – de que o imperialismo vai se mobilizar pra “investir” em Cuba, tentando minar a estrutura de sua economia e, daí, assumir um papel de “direção política”.

Agora é preciso ter em conta dois fatores centrais:

1) O imperialismo, em nome do capitalismo mundial, logo que Bóris Yeltsin assumiu na Rússia, investiu bilhões de dólares, em uma gastança da mais-valia mundial, para afirmar um suposto triunfo do capitalismo. Nestes anos de 1990, os posadistas já escrevemos onde ia acabar esses investimentos: em pura perda para o sistema, dado o caráter irrecuperável destes investimentos. O essencial foi que o povo soviético não tinha mudado de Estado. O que tinha acontecido é que a condução política burocrática tinha se trasladado a um estado de limbo: nem era mais burocracia parasita do Estado Operário, como antes, nem tinha se transformado em capitalista, burguesa.

2) O sistema capitalista mundial esperava “festejar” o fim das ideologias, o fim do socialismo e da história, com o triunfo do capitalismo. Ficou 10 anos investindo e sustentando uma direção pinguça, e ideológica e humanamente parasita que, no final das contas, foi desalojada (em 2000), desde dentro do próprio aparato de Estado, fracassada em sua intenção de involucionar a Rússia, na contramão da história e do povo soviético. Assim, o capitalismo só conseguiu, depois de tudo isso, o apoio de 20% do povo, mesma proporção minoritária que hoje não apoia Vladimir Putin e sua política econômico-militar.

Fidel e Che

Cuba nunca esteve nem nunca estará sozinha, não só porque como povo se fez merecedor desta relação com o resto da humanidade, mas também porque foi metodológica e culturalmente avançando em construir relações de uma sociedade superior ao capitalismo, em vias à construção socialista. Um avanço que não se compra no “shopping do capitalismo”, mas se constrói e se adquire em base a novas relações sociais. Essas relações das quais nos falavam Marx-Engels-Lênin-Trótski e J.Posadas.

O curso exigirá uma maior vida política, de ida e volta, da direção do Governo revolucionário, com o Partido Comunista Cubano, com a CTC (Central de Trabalhadores de Cuba), os sindicatos, os CDRs (Comitês de Defesa da Revolução), a direção dos municípios. Longe de distanciarem-se do curso da história, aos camaradas cubanos lhes é dado enfrentar uma nova realidade, partindo de que o imperialismo não abandonou seus planos de agressão permanente, que inclui invasão, somada a tentativas de afrouxar desde dentro o Governo revolucionário.

A principal democracia é a que resolve os direitos humanos e políticos do povo, a que supre as necessidades da sociedade em seu conjunto. Cuba alcançou isso, e conseguiu manter essa conquista mesmo após a desaparição formal da URSS, com a instalação do “Período Especial”, que os posadistas apoiamos com um documento lido pela Rádio Reloj, e distribuído publicamente, participando que estávamos em Cuba daquele 26 de Julho de 1993, à tarde. E há precedentes históricos com que se comparar: o período de contrarrevolução que a primeira revolução proletária triunfante da história da humanidade, na Rússia, teve que suportar. Em 1917, a Revolução Russa, Bolchevique, foi posta à prova – como nenhuma outra revolução e povo –, durante 4 anos, quando tinham que dividir pão preto com café sem açúcar, como fez o próprio Lênin e a direção bolchevique. Depois, na segunda guerra mundial, após derrotar a invasão nazista, estendeu-se por toda Europa, apesar das traições do stalinismo.

Cuba revolucionaria não chegou àqueles extremos, mas teve que sofrer um bloqueio comercial que ainda não foi suspenso. Mesmo assim, o povo passou por cima do imperialismo e seus sequazes de toda laia: não cedeu à sedução que muitas vezes o sistema capitalista mundial desenvolveu. Pelo contrario, foi e é suporte de confiança social e política para os governos progressistas, nacionais e populares que existem, principalmente na América Latina. Cuba revolucionária é parte da luta independentista de mais de um século e meio, nesta “nuestra América”, como dizia Martí. Cuba se manteve com bravura na defesa dos ideais de liberdade social, para construir uma nova sociedade, não só nacional, por isso a Constituição de Cuba é socialista já desde seus primeiros parágrafos.

Os que, “pirinchando” o céu[1], tremem frente ao imperialismo e só veem derrotas e involução em Cuba, só olham no espelho dos próprios medos existenciais. O que não entendem é que a expressão máxima de resistência e luta do povo cubano e de sua direção nem é Praia Girón, nem a crise dos mísseis[2], mas sim a segurança, a confiança de que já começaram, e avançaram – superando mil problemas – a trilhar o caminho de construção de uma nova e superior sociedade. Como afirmam Marx e Engels: nenhuma sociedade se propõe algo que já, em seu interior, não o tenha resolvido.

León Cristalli

Diretor da Revista Internacional “CONCLUSIONES”                                     27/12/2014

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[1] Poesia “El Orejano”, do uruguaio Serafím J. García: “y digo ande cuadre que pa`nada sirven los que solo viven pirinchando al cielo”.

[2] Crise dos Mísseis: conflito entre os EUA, URSS e Cuba, em outubro de 1962, com base na instalação de mísseis nucleares soviéticos em território cubano.