Manifesto 1º de Maio: Há 129 anos dos Mártires de Chicago, o Imperialismo Perdeu sua Hegemonia Social no Mundo

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MANIFESTO de 1º de MAIO de 2015

HÁ 129 ANOS DOS MÁRTIRES DE CHICAGO:

O IMPERIALISMO PERDEU SUA HEGEMONIA SOCIAL NO MUNDOLogo Conclusiones Colorido

Passaram 129 anos do levante proletário de 1886 em várias cidades dos EUA pela aplicação da Lei das 8 Horas de Trabalho, que era ignorada pelos patrões. Historicamente, estes acontecimentos ficaram registrados como os “Mártires de Chicago”, porque foi o Estado norteamericano que “julgou” os dirigentes operários, com parcialidade absolutamente funcional à política do sistema capitalista, culminando com o assassinato “legal” de Albert Parsons (estadunidense, 39, jornalista), August Spies (alemão, 31, jornalista), Adolph Fischer (alemão, 30, jornalista), Georg Engel (alemão, 50, tipógrafo), Louis Linng (alemão, 22, carpinteiro), Michael Swabb (alemão, 33, tipógrafo), Samuel Fielden (inglês, 39, pastor metodista e operário têxtil), Oscar Neebe (estadunidense, 36, vendedor). Em 9 de outubro se ditou a sentença de Parsons, Spies, Fischer e Engel: morte na forca. Linng havia cometido “suicídio” antes em sua própria cela. Swabb e Fielden foram condenados a prisão perpétua, e Neebe, a 15 anos de trabalhos forçados.

Em 1889, o Congresso Socialista, celebrado em Paris em homenagem aos Mártires de Chicago, adotou o 1º de maio de cada ano como homenagem à luta pelas 8 Horas e em memória dos mártires assassinados pela justiça dos EUA. Uma data mundial que é solenemente ignorada pelo estado imperialista dos EUA. No entanto, pode se ver claramente nestes 129 anos de luta de classes a confirmação da revolucionária sentença social que Spies dirigiu ao juiz Gary, que lhes ditou a pena:

“Se você acha que nos enforcando vai eliminar o movimento operário, o movimento do qual milhões de pisoteados, que trabalham duramente e passam necessidades e misérias esperam a salvação, se essa é sua opinião, então enforque-nos. Assim você apagará uma centelha, mas aqui e ali, atrás de você e na sua frente, aos seus lados, em todas as partes se ascenderão chamas. Um fogo subterrâneo. E você não poderá apagá-lo”.

Manifestação_8Horas Marx_Estátua MártiresChicago

O sistema capitalista, em seu desenvolvimento, gerou o imperialismo como sua fase superior, como analisaram Marx e Engels, e como previu o gênio revolucionário de Vladimir Ilich Lênin. Hoje é o principal exponente do sistema mundial de produção e acumulação capitalista. Exercer essa função, tentando ser a cabeça hegemônica da humanidade, não sai “de graça” em termos históricos, e nem “passa barato” para as duas forças que hoje são o eixo nas relações das classes no mundo: a luta de classes e a rebelião das forças produtivas, inseparáveis em tudo que diz respeito à sociedade e, daí, à natureza e ao cosmos. O imperialismo, e não só ele, mas como cabeça do sistema capitalista mundial, perdeu a hegemonia que durante alguns anos pôde exercer depois da queda da burocracia soviética, que a direção política do capitalismo alardeou que era o “fim das ideologias” e o triunfo do capitalismo.

Sem dúvida que, por exemplo, na recente “Cúpula de Presidentes da América”, no Panamá, essa hegemonia ficou nas lembranças imperialistas do passado. De outros tempos e espaços. E mesmo sem o campo socialista e a URSS de outra etapa da humanidade, o imperialismo teve que renunciar papel de condução. Barack Obama foi apenas um mensageiro sem ter quem recebesse suas cartas, essas que, em outra etapa, fazia tremer as burguesias e os próprios sistemas capitalistas de cada país. Sua hegemonia está tão desarticulada que, ao mesmo tempo, o empurra, pela natureza histórica, a acelerar a guerra mundial contrarevolucionária aos governos progressistas e povos do mundo. Aí estão os golpes “brandos”, continuados ou midiáticos, e também os projetos de agressão mundial na Ucrânia, no Oriente Médio, na Síria, Iêmen etc… também se expressa na pressão, em aliança com a Inglaterra e a Alemanha, para submeter os povos europeus em base aos acordos de Maastrich, que originaram a Comunidade Europeia e o Euro como atual avalista do dólar. Mas, por outro lado, Putin e a China negociam com as burguesias europeias inquietas pelas crises internas na Itália, Espanha, Suécia, Noruega, Finlândia e nos ex-Estados Operários, cujas direções se desintegram em meio a esta situação.

Trata-se de todo um curso em que a hegemonia imperialista está contestada. Em outra época, sentia autoridade de impor políticas econômicas e sociais, mas agora, inclusive com a própria OTAN, aparecem rachas, porque não querem ser sempre o “boi de piranha”. É nessa situação que o papel da Rússia soviética, da China Popular e do BRICS avança na concorrência com o imperialismo e lhe tira poder econômico e político. Desarticulam-no em seu papel que ele achava hegemônico na anterior etapa do tal “fim das ideologias”. Nada disso teria aconecido se a humanidade tivesse baixado a guarda e se entregado ao neoliberalismo imperialista, ao “Consenso de Washington” ou a Maastrich, na Europa. A Grécia, como a Venezuela, a Rússia soviética, como a Argentina, etc., são essa resposta prevista pelos mártires de Chicago em 1886.

Esse “fogo inextinguível” de que falou Spies há 129 anos contou nesse mais de século de lá pra cá com a permanente ação das massas trabalhadoras defendendo seus direitos e conquistas sociais, mas também com o amadurecimento pra disputar a condução da sociedade com o capitalismo imperialista. Desde a Comuna de Paris, até a Revolução Mexicana de 1911, a Russa de 1917, a Chinesa de 1949, a Cubana de 1959 em diante, e passando por inúmeros levantes e ações da luta de classes, avançou pra superar os limites daquela primeira expressão de luta trabalhista dos “direitos humanos do trabalhador”, em que a conquista das 8 horas era facilmente assimilável pelo sistema capitalista. Era preciso conquistar o poder da sociedade toda para construir uma nova, em que fosse o produtor, com sua força de trabalho, que fixasse os limites e direitos objetivos desta força em relação ao estado e ao aparato distributivo. A conquista das 8 horas, apesar dos enormes custos sociais e em vidas, não podia se manter no tempo com a evolução progressiva das forças produtivas.

Nestes “Manifestos de 1º de Maio” da IV Internacional (Trotskista-Posadista) temos desenvolvido uma posição política clara e precisa durante anos. Hoje só fazemos uma breve retomada. Mas o que consideramos central nesta homenagem sempre presente aos Mártires de Chicago é constatar, desde a militância na luta de classes, as mudanças que estão acontecendo no próprio processo de progresso do curso da história.

Putin y Cristina Maduro y Diosdado

A LUTA PELAS 8 HORAS E A DEFESA DO TRABALHO

O capitalismo imperialista absorveu, como parte do desenvolvimento das forças produtivas, o tempo necessário para produzir mercadorias, reduziu o peso ou custo da força de trabalho. Um mesmo operário produz em milésimos de segundo o que há 50 anos levava minutos ou horas. A tecnologia, prinicipalmente a robótica, em mãos do capitalismo, significa maior produtividade a menor custo salarial e menor necessidade de mão de obra. O que faz com que esta, sendo mais qualificada, também seja robotizada no que diz respeito ao custo total do que foi produzido. O sistema capitalista não conseguiu eliminar o papel da força de trabalho e nem evitar que essa aceleração imparável da produção e da produtividade se voltasse contra ele próprio, na ponta da demanda, do consumo, como previram Marx e Engels há quase século e meio.

Há anos qualificamos isso como o tempo da “mais-valia concentrada”: sem eliminar o produtor humano, reduz a retribuição a este relativamente ao que ele produz. Em outras palavras, necessita-se de menos mãos para produzir imensamente mais do que antes.

Essa situação, junto à desaparição das burocracias dos Estados Operários, e à queda formal da URSS, levou o imperialismo a decretar “o fim da história e das ideologias”. Mas é bem outra a realidade da história e sua expressão real em cada alvorada da humanidade. “O fogo subterrâneo que não poderão apagar”, citado por Spies, em 1886, encontrou um elemento que, como combustível da luta de classes, se une a esta e se torna inextinguível: “A aliança objetiva da luta de classes com a rebelião das forças produtivas”(LC2001). O imperialismo capitalista não pode conter o crescimento da produtividade da economia mundial, ao mesmo tempo que, por ser uma sociedade baseada na desigualdade social, não consegue gerar um mercado social que absorva essa produção com imensa produtividade embutida.

Em síntese, isso já trouxe há mais de 25 anos um acirramento da disputa pelos postos de trabalho dentro do sistema. O desocupação da força de trabalho no mundo avança em forma geométrica. E isso inclui a pobreza e marginalização da metade da população, e a miséria de mais de uma quarta parte da humanidade. O capitalismo, em seu desenvolvimento, gerará (e já gerou) as forças que o enterrarão, como previsto por Marx e Engels. E aí nem mil convenções coletivas de trabalho nacionais, nem a OIT etc pode dar jeito se não considerar o fundo da questão: O FINAL DA ERA DE EXPANSÃO IMPERIALISTA DO CAPITAL.

A EMIGRAÇÃO E OS CRIMES NA ÁFRICA, E AS CONQUISTAS SOCIAIS NA EUROPA, AMÉRICA LATINA, ÁFRICA E ÁSIA

O sistema capitalista, em sua etapa colonialista, desarticulou a vida de mais de dois terços da humanidade. À sangue e fogo conquistou, para seu desenvolvimento, países em variados níveis de desenvolvimento e povoamento; assim, América, Índia, China e África foram a base para a “revolução industrial”, pro desenvolvimento do capitalismo na Europa. Logo pegou o salto do que hoje são os EUA e ali massacrou todo vestígio de culturas e povos originários. Isso, que há séculos só era uma condição peculiar para o desenvolvimento da sociedade capitalista, hoje se transformou em estigma contra sua própria existência. O modo de produção e distribuição clássica do capitalismo não pode, e menos ainda em sua etapa imperialista, solucionar esta contradição originária, Emigrantes Barcoque se combinava com o impulso ao progresso tecnológico dos países conquistados e subjugados. As colônias permitiram ao capitalismo imperialista dos EUA e da Europa desenvolver um “Estado de Bem-Estar Social” como barreira de contenção das lutas operárias e camponesas destes países “desenvolvidos”. Mas não conseguiram impedir que as massas dezenas de vezes votassem na esquerda, nos partidos comunistas e socialistas, e que as organizações sindicais fossem, em muitos aspectos, parte de um duplo poder objetivo. Mas o “Estado de Bem-Estar” gerou uma camada social “do bem viver” que conquistou benefícios e elevou seu nível de vida. Hoje todas estas conquistas estão ameaçadas pelo sistema, e por isso abrem ou fecham fronteiras visíveis e invisíveis para impedir a unidade entre a força de trabalho já estabelecida e os migrantes que chegam como nova força de trabalho. Centenas de milhões de seres humanos são sentenciados à miséria, no rumo da extinção social. Os crimes contra os emigrantes africanos que fogem das miseráveis condições de seus países na ânsia de se salvar integrando-se ao capitalismo desenvolvido da Europa, são indignantes e fazem lembrar aquele julgamento criminoso do Juiz Gary contra os defensores das 8 Horas nos EUA em 1886.

Mas há outro aspecto dessa crise do sistema que é preciso ver e discutir nesse 1º de maio. É a relação direta, de causa e consequência, entre a emigração de milhões de trabalhadores que em todo mundo fogem da falta de trabalho e/ou de perspectiva de vida, e a crise do sistema capitalista em seus países de origem. A classe trabalhadora é uma só, mundialmente, mas pela divisão mundial do trabalho, adquire distintos níveis de luta e de conquistas sociais.

O neoliberalismo, o imperialismo globalizante e unipolar sempre utilizou, e continua utilizando, a mão de obra barata, ainda que tecnologicamente inferior em sua capacidade produtiva. Juntando essas forças de trabalho migratórias com a robotização (que exige uma função mais mecânica mesmo, mas também superexploradora) tenta destruir as conquistas sociais logradas com duras lutas sindicais e políticas durante anos. Incapaz de sustentar ditaduras cívico-militares, ou alentar movimentos de caráter nazifascista, o sistema utiliza a importação de mão de obra, aliado com burocracias sindicais. Como fez abertamente na Argentina, em 2001, para tentar quebrar a força do movimento operário peronista –quando já havia no país um desemprego aberto que chegou a 28/30% em 2001. Mas casos similares acontecem na Europa, onde a aristocracia sindical e um setor dos próprios trabalhadores não querem trabalhos “inferiores ou sujos” e, assim, abrem as portas a uma emigração que se submete a estas regras criminosas de trabalhos insalubres e salários miseráveis em comparação aos trabalhadores do país.

Neste 1º de Maio de 2015, em que recordamos os Mártires de Chicago e esse movimento operário norteamericano que era composto em uma parte muito grande de migrantes da Europa, vemos também como há uma diferença entre os que vinham com a luta de classes na cabeça, alguns embalados pelo sonho da nova sociedade socialista, e os que, hoje, tentando se salvar da crise do capitalismo atrasado em seus países de origem, se submetem às regras do capitalismo selvagem, imperialista. Não há que temer os Le Pen (extrema direita), na França, e seu crescimento eleitoral; é preciso analisar o papel das direções sindicais e políticas que fazem “paternalismo social”, deixando de fazer uma necessária discussão que tem a ver com a luta de classes. Ou os que idealizam as condições individuais de setores que, sendo parte da classe explorada, atuam contra sua própria classe.

A raiz destas contradições é a postura de dirigentes que não veem, não sentem e nem apoiam o curso que a história mostra como irreversível no progresso a uma nova sociedade. Estas direções são parte da transitoriedade do curso atual da crise do sistema, e no fundo seguem pensando que o capitalismo tem solução pra toda essa crise. Quando a humanidade toda sofre a selvageria de ver os milhares de mortos no oceano porque fogem da África colonial onde a vida não vale nada, ou das ex-colônias que são só formalmente “democracias” com alguma representação de Repúblicas. “Democracias” que, como na recém independente e jovem nação Burkina Faso, na década de 80, o camarada Thomas Sankara tentou transformar revolucionariamente em Democracia Socialista, motivo pelo qual o imperialismo francês o assassinou, e que agora o povo está novamente avançando, com sua memória, em sua luta e governo. Estes países onde guerras tribais assolam populações inteiras, obrigadas a se refugiar, migrando de uma área a outra, quando fazem comércio com a escravidão da mulher e do jovem em pleno século XXI. Isso justifica arriscar a vida nos oceanos. E há que salientar que são países governados por fantoches do imperialismo ianque e europeu. Então a discussão sobre a migração adquire outra relação social e importância sócio-política. Mas também é necessária uma política de integração na qual, SEM PERDER UM SÓ POSTO DE TRABALHO NEM CONQUSTA SOCIAL, SINDICAL, ECONÔMICA E POLÍTICA, OS TRABALHADORES MIGRANTES SE INCORPOREM À FORÇA PRODUTIVA DA REGIÃO.

Isso vale, em nossa opinião, para a América Latina e a integração regional. Não se trata de fazer paternalismo em base a conquistas políticas e sociais resultado de lutas dos povos, mas de integrar o migrante com todos os direitos e também responsabilidades sociais, sindicais e políticas. O capitalismo expulsa trabalhadores, e também pequenos e médios comerciantes que só comerciam em base ao nível de vida superior dos países de destino, alcançado com a luta de classe. Isso se fazia na Venezuela dos “petrodólares” de 30 anos atrás, e era um ralo pelo qual escoavam os esforços e conquistas do povo venezuelano. Não se pode temer a discussão dessa crise das sociedades em transitoriedade. Por isso recordamos a apoiamos Cuba Revolucionária, que afirma que “a melhor forma de ajudar Cuba não é ir morar lá, que já fez a revolução, mas sim fazer a revolução onde se vive ou está”.

Nesta crise aparecem os conflitos internos, especialmente em varias cidades da África, em que as disputas sociais pelo trabalho, particularmente o comércio, levam a enfrentamentos com centenas de feridos e mortos. O capitalismo cria as condições para conflitos intraclasse, e sua grande mídia logo depois acusa: “são expressões de xenofobia!” e fala do livre trabalho, livre comércio e circulação nesses países em que os desempregados e despossuídos tratam de defender-se das condições de vida a que são obrigados a levar pelas transnacionais e corporações imperialistas. Mas não se analisa em nada que este enfrentamento de classe explorada contra si mesma é produto da crise do sistema capitalista, dos governos títeres que são mantidos pelas transnacionais corporativas do petróleo, da mineração ou da agricultura industrial. Na América Latina, criam esses conflitos com a soja, com a mineração a céu aberto etc, que expulsa milhares de trabalhadores do campo pra se abarrotarem nas cidades, gerando cordões de miséria onde devem brigar pra sobreviver. Coisa muito diferente ocorre na Síria, Palestina, Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, ou Criméia, onde há conflito generalizado, sim, mas a população solidariamente assume a luta pela independência nacional e uma nova sociedade.

Marcha AntiFascista Donetsk

Marcha anti-fascista na República Popular de Donetsk, em 2014

Donetsk Mineiros

Manifestação de mineiros em Donetsk contra as agressões do governo fascista da Ucrânia

Os mártires da classe operária que recordamos neste 1º de Maio, os milhares de proletários que nos EUA lutaram com a vida, não o fizeram por progresso individual, e sim coletivo, como classe trabalhadora, e aí reside seu valor histórico. O resto é capitalismo puro. E com isso, e por isso, é que parte da classe operária do mundo, e da Europa, como na Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica etc defende suas conquistas sociais e seu nível de vida com o direito de tê-los conquistado como gênero humano contra um sistema explorador e de opróbio. E a relação contraditória destes setores com a população migrante só pode ser superada DIVIDINDO AS HORAS DE TRABALHO MANTENDO IGUAIS SALÁRIOS, SEM DISTINÇÃO DE GÊNERO. Que o capitalismo – que é e funciona mundialmente centralizado – se encarregue de sua crise em qualquer região do planeta, não deixando que morram milhões no mundo por fome, afogados como estes migrantes ou que vivam na exclusão social.

Isto é gráfico da crise final do sistema, que por isso mesmo fracassou em retroceder os progressos culturais e sociais das massas soviéticas, como sonham agora fazer com uma “China capitalista”. Os problemas das nacionalidades, da integração regional, das “fronteiras e territórios”, como a disputa da Bolívia por uma saída própria ao mar, é uma estupidez de se exigir. Porque se está integrando toda a região e será com a planificação produtiva do quê, como, quando e onde produzir de forma equitativa e harmoniosa que serão superadas todas as disputas. Política de estímulo ao conflito e enfrentamentos que o imperialismo está estimulando, seja pela via econômica, seja com disputas territoriais que debilitam os governos nacionalistas, populares e democráticos que querem avançar em caminhos e programas que, de fundo, são revolucionários.

Então, os problemas da transitoriedade da atual etapa estão sempre unidos à crise do sistema mundial, pois não pode conter ou desviar a objetiva aliança da luta de classes e da rebelião das forças produtivas. Por esta relação transitória TODA FORMA DE PATERNALISMO OU POPULISMO SOCIAL É TÃO NEGATIVO COMO O NEOLIBERALISMO QUE ESTAMOS DERROTANDO.

Putin y Tsipras

Recente visita do companheiro Tsipras, presidente da Grécia, à Rússia de base soviética, do presidente Putin.

BRICS 2014

Cúpula dos BRICS, 2014

AS NOVAS FORÇAS ECONÔMICAS, O ESTADO OPERÁRIO E OS BRICS

Como o marxismo analisa: “Nenhuma formação social desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que cabem dentro dela, e jamais aparecem novas e mais altas relações de produção antes que as condições materiais para sua existência tenham amadurecido no seio da própria sociedade antiga. Por isso, a humanidade não se coloca problemas a não ser para os quais já tem solução”. Seria isso um “dogma religioso, teológico”? Absolutamente não! É uma materialização do pensamento materialista dialético da história aplicada à realidade social. Agora, o valor político dessa afirmação não está em si mesma, e sim na aplicação dela em tempo e espaços corretos.

Nós, os posadistas da IV Internacional (Trotskista), aplicando as análises e a teoria de León Trótski sobre “A Revolução Permanente”, consideramos que esta é a época em que se conjugam as duas forças motoras da história, a saber: LUTA DE CLASSES e REBELIÃO DAS FORÇAS PRODUTIVAS. Daí que projetamos há anos este curso como INEVITÁVEL, assim como base para desenvolver a política mundial, e suas expressões regionais e nacionais.

Os Movimentos Nacionalistas e sua função revolucionária, que J.Posadas já analisou desde a década de 1947 em relação ao peronismo antimperialista e a expressão comunista da função do proletariado que este gerava na Argentina, são hoje uma base irreversível do curso objetivo da história da humanidade. Mesmo na Rússia, que qualificamos há anos como “pseudônimo atual da URSS”, este curso nacionalista revolucionário se desenvolve, com intervenção de Putin, que também é impulsionado, sem opor resistência alguma. Ou como na Venezuela Bolivariana e Socialista, a continuidade do camarada Hugo Chávez, expressão do chavismo vivo, se expressa no governo do camarada Nicolás Maduro; na Grécia, com o Siryza e Tsipras, na Argentina, com a companheira Cristina Kirchner, no Brasil, com Lula-Dilma, na Bolívia, com Evo Morales, e logo com mudanças na Espanha, Portugal, Irlanda etc…

Neste curso, a história, que tem sim memória, vai elevando as relações internas e aprendendo, gerando novas coordenadas pra se apoiar e avançar. O papel das direções aparece na mesma superfície. Por isso J.Posadas dizia que “enquanto Trótski está vigente e vivo na luta de classes, quem se lembra de Stálin, enterrado pela história?”

As burocracias não surgem por acaso, e sim de condições geradas pela formação das forças produtivas e da distribuição. Quanto maior o desenvolvimento destas, resultado da maior participação social de uma nova sociedade, somem as condições que propiciam a consolidação das burocracias em seu papel de dobradiça, de ponte, entre o capitalismo e a classe trabalhadora, porque NÃO TEM FUNÇÃO SOCIAL ALGUMA A DESEMPENHAR. A mesma coisa acontece em relação ao hedonismo, ao protagonismo caudilhesco e ao individualismo no âmbito sindical e político. São heranças do sistema capitalista, baseadas na insegurança individual que ele gera. Por isso se burocratizam e fazem de sua tarefa social uma função administrativa e, logo, burocrática, que vai contra os interesses da sociedade dos iguais que deveriam representar.

Neste 1º de Maio de 2015, insistimos, como temos feito desde 1990, que a URSS não desapareceu. O que houve foi a queda da burocracia soviética em um “desvio transitório do curso regenerativo do Estado Operário” (LC1990). Então, o curso objetivo da história neste Século XXI não coloca a necessidade de descobrir um “novo socialismo”, mas sim de limpar socialmente tudo o que se arrasta do sistema capitalista em decomposição neste caminho da construção da nova sociedade e sua etapa transitória, nos Estados Revolucionários de transição.

Este curso tem expressões concretas. Por exemplo, na luta antimperialista mundial contra a globalização unipolar imperialista, aparecem OS BRICS CONCORRENDO COM O CAPITALISMO IMPERIALISTA DA ÉPOCA. E como não ver que isso, ainda que não negue o capitalismo, nega sim o imperialismo? Compete com ele, e por quebrar sua necessária centralização, acabará sendo uma força enorme – já em desenvolvimento – aliada à luta mundial de classes e a rebelião das forças produtiva. Ou não é concretamente isso que propõe Putin enfrentando o imperialismo quando diz: “Queremos ser como é a América Latina”. Sim, esta “Luminosa América Latina” (como os posadistas tem qualificado há 20 anos) está desempenhando um papel fundamental no curso da história. Ou quando, na Grécia, o Siryza e Tsipras usam o exemplo da Argentina para avançar na construção da uma Grécia Popular e Revolucionária. Quando ressurge a função da hoje Rússia Soviética em ALIANÇA COM OS POVOS DO MUNDO POR SUA INDEPENDÊNCIA.

OS SINDICATOS, MOVIMENTOS SOCIAIS E PARTIDOS DA CLASSE TRABALHADORA, E O ESTADO REVOLUCIONÁRIO

Neste curso estão vivas as lutas do proletariado dos EUA e os camaradas Mártires de Chicago. O ritmo da crise do sistema é desigual e combinado. Por um lado os progressos tecnológico-científicos reduzem os tempos de produção e produtividade, eliminando postos de trabalho e baixando os custos produtivos e de comercialização, mas, por outro lado, não incorporam centenas de milhares da força de trabalho no mundo. Neste curso, os Sindicatos, Movimentos Sociais, Partidos da Classe Trabalhadora tem um papel central. E também os governos nacionais, populares e democraticamente revolucionários, como expressão das mudanças profundas na história e uma nova geografia sócio-política econômica.

Manifestación 17oct 45 Plaza Mayo

Argentina, Praça de Mayo, 17/10/1945: Peronismo de massas

Huelga Ferrocarriles México 1959

México, 1959: Greve de Ferroviários

 A etapa de transitoriedade não tem data marcada para passar a um estágio superior, que são os Estados Revolucionários de Transição, mas tem tempos e espaços para seu desenvolvimento. Por isso é central o papel dos organismos dos trabalhadores. Os governos nacionalistas revolucionários atuais são resultado da incansável luta de classes, mesmo que não se definam como seus representantes. É o curso desigual e combinado que estabelece no mundo o desenvolvimento da “Revolução Permanente”, que atua sem pedir licença, estruturando a defesa do progresso já alcançado, mas também impulsionando o avanço dos governos progressistas. A Grécia, Venezuela, Rússia, Argentina, Equador, Bolívia, Espanha etc expressam esta condição, já prevista e analisada por textos de J.Posadas nos Manifestos de 1º de maio há mais de 40 anos.

A ausência da Internacional Comunista de Massas, por enquanto, é suprida pela coordenação dos movimentos e governos revolucionários no mundo. Não há homogeneidade ou harmonia porque as relações de classes ainda não foram superadas, mas houve progressos ao compensar interesses nacionais e regionais. A aliança da Rússia soviética, China Popular, Brasil, etc, no BRICS, assim como os acordos bilaterais que abrem caminho a acordos muito mais profundos em perspectiva, são a ponta de proa do barco do progresso social.

Paro Sindical Uru antiTISA

Uruguai, 2015: Paralisação da PIT-CNT contra Tratado de Livre Comércio proposto pelos EUA

Huelga General Esp 2013

Espanha, 2013: Greve Geral

O sistema prepara e está lançando permanentemente agressões contra a humanidade. A resposta são as lutas das massas do mundo apoiadas por governos e países em estado de transição, e estas são condições novas do mundo. O fracasso do neoliberalismo, do consenso de Washington, de Maastricht, assim como o surgimento dos BRICS e o papel da Rússia soviética e da China Popular são parte deste progresso. Certamente existem guerras no Oriente Médio, na Síria, Iêmen, contra o povo palestino, organizadas pelos agentes do imperialismo, sejam os Alqaeda ou ISIS etc… Certamente morrem milhares afogados no mar Mediterrâneo, e também segue a agressão contra a Venezuela, Argentina, Brasil, Chile, etc, mas o curso de progresso que, há 129 anos da luta dos Mártires de Chicago, hoje recordamos, é imparável e irreversível.

Por isso saudamos com alegria comunista neste 1º de maio de 2015 todos os povos do mundo que fizeram, com suas lutas, progressos e alegrias sociais, o melhor cenário para a construção de uma nova sociedade: O SOCIALISMO.

21/04/2015 – Eliseo Ramírez – Pelo Burô Latinoamericano (BLA) da IV Internacional (Trotskista-Posadista)

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Publicado em abril 30, 2015, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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