O PAPA FRANCISCO E O DESTAPE DA PANELA DE PRESSÃO DA HISTÓRIA

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O desaparecimento formal da URSS e do (mal) chamado “Campo Socialista” do Leste Europeu, assim como a defecção da maioria das direções (não da militância) dos partidos comunistas e socialistas do mundo, deixou aberta uma enorme crise no campo do marxismo. Inclusive honestos revolucionários, do campo da cultura, da ciência e da sociedade em geral “questionaram o marxismo”, colocando em dúvida o materialismo dialético. Isso se expressou também em nossa IV Internacional quando alguns hoje ex-camaradas acabaram seguindo a burocracia soviética dos tempos de Gorbachov, que, com a “perestroika”, queria desarmar o estado operário, o que permanecia do estado operário nas massas soviéticas. Para isso precisava de tempo e espaço para impor uma “política de transição”, só que, como era para retroceder na história, o “relojoeiro” Gorbachov (como o qualificamos desde 1986) não teve o sucesso pretendido. Porque era preciso desarmar o Estado Operário na sociedade, nas massas soviéticas e também na função exercida pelo Exército Vermelho.

Nós tocamos uma luta desigual contra esta postura de defecção em todo mundo, começando pelos renegados do próprio posadismo, onde isso se desenvolvia de forma tão desigual e combinada que, mesmo os que honestamente se equivocavam (e todos tem direito e oportunidade de depois fazer a autocrítica), aplaudiam raivosa e submissamente o “gorbachovismo” como sendo a “regeneração do Estado Operário Soviético”, quando na verdade era a negação dela.

Agora, o leitor pode estar se perguntando o que isso tem a ver com o Papa Francisco. TEM TUDO A VER, porque é desde este momento histórico que a Igreja Católica Apostólica Romana, mas também a Ortodoxa, e as outras, como a Islâmica e o Judaica, começam a revisar seriamente seu papel e suas perspectivas reais de sobrevivência em um capitalismo que, em sua fase superior e última (Lênin) arrasa com tudo que tem a ver com a cultura e com a própria vida.

Esse movimento dentro das Igrejas é captado pelo imperialismo e seu comando estratégico da corporação das 5 Irmãs nos EUA, que então desenvolve uma ação tão arriscada politicamente quanto necessária para eles: gerar conflitos religiosos na URSS, e na Rússia que a continua sob outra forma mas sem perder sua base social de massas soviética.

Com essa ação imperialista nascem as correntes “religiosas” que, mundo afora, vão desde o terrorismo religioso até os que aguardam a “salvação” com o fim do mundo, justificando com isso o conformismo e imobilismo frente às mazelas da sociedade capitalista imperialista. Dentro da religião islâmica e outras, criam grupos terroristas que, de fato, não tem nada a ver com o Islamismo, e que são um atentado real à vida de milhões de seres humanos. São ferramentas úteis ao imperialismo para desenvolver um “terrorismo mundial” que se expressou já com os “Mujahedines” no Afeganistão na década de 80, organizados e bancados pela CIA, e em outros países da região do Oriente Médio e África. E logo colocam em prática essa estratégia mundial com a “Farsa Macabra” do atentado às Torres Gêmeas de Nova Iorque, no 11 de setembro de 2001. Tudo que se desdobra a partir dali afetará profundamente as religiões, particularmente a católica, que tem sua base social nos países mais desenvolvidos do sistema capitalista.

Com a morte de João Paulo II, em 2 de abril de 2005, a Igreja não conseguiu alcançar uma estabilidade interna pelas condições também flutuantes da sociedade no mundo. O Papa polonês deveria ser uma ferramenta de aliança e continuidade da política global do sistema capitalista, por isso o chamavam de “Papa Viajante”, porque tentava colocar a religião mundo afora como escudo da discussão social entre o capital e o trabalho, entre a luta de classes. Mas não obteve sucesso, porque a dialética da realidade da luta de classes já não podia ser contida, desviada e nem aplacada com aquilo de que “dos humildes é o Reino dos Céus”. A tecnologia da luta de classes se une à luta social diária das classes e começa então a surgir na Igreja a noção da NECESSIDADE DE MUDANÇA GERACIONAL QUE EXPRESSASSE E APONTASSE UMA SAÍDA A ESTA CRISE. O padre alemão Joseph Aloisius Ratzinger, o Papa Bento XVI, era para ser a expressão prática da queda do Muro de Berlim (“idiota e burocrático Muro de Berlim”, já diria J.Posadas). Mas este padre remendado pela crise interna da Igreja Católica não podia se manter por um longo tempo nisso. Neste momento o comando político da Igreja decidiu ir realmente ao fundo da questão e colocar o aparato mundial eclesiástico em funcionamento. Era necessário um representante que expressasse a condição do mundo, a saber: A crise mundial do sistema capitalista; A situação mundial de uma sociedade em desenvolvimento científico e cultural na qual estava predominando a luta de classes e o fortalecimento de religiões alternativas à Apostólica Romana.

A conclusão não era só colocar no Vaticano um “padre do terceiro mundo”, mas um que representasse uma política de estado para enfrentar esta crise e propor uma solução, seja ou não uma solução real ou final a ela.

O Papa Francisco (cuja função qualificamos mal, equivocadamente, nos primeiros dias ou horas de sua escolha, porque reagimos sem considerar nem sequer nossas próprias análises e textos prévios) avança, primeiro, reconstruindo o “aparato da Igreja”, dando prioridade aos problemas terrenos, “da paróquia”. E para isso se baseia em sua experiência em seu país natal, a Argentina.

Quando o Papa Francisco afirma “ESTAMOS EM GUERRA”, rompe o esquema da religiosidade da “Paz” como consígnia e como política. As pombas brancas de João Paulo II morreram em seu primeiro voo. O Papa Francisco está colocando que é imprescindível alcançar harmonia para conseguir uma Paz que hoje NÃO EXISTE. E nesse caminho ele ataca o quê? uma Nova Sociedade que está em surgimento? Uma sociedade, o socialismo, que foi denegrida e degradada pelas burocracias dos Estados Operários e da URSS durante décadas? NÃO! O Papa Francisco ataca o SISTEMA CAPITALISTA E O IMPERIALISMO, e aí se reencontra com um papel importante na história, que nós consideramos necessário resgatar como parte do progresso da luta de classes. Porque na luta pelo socialismo estão todas as formas de expressão cultural, religiosa e política que convirjam para MUDAR ESTA SOCIEDADE CAPITALISTA POR UMA NOVA SOCIEDADE, SOCIALISTA.

Por isso ele se dirige aos “jovens” que ficam reféns da TV e das redes sociais. Na realidade, o que Francisco coloca em debate é a necessidade de não perder o sentido do progresso humano. E aí rompe com a continuidade do papel anterior, de séculos, das Igrejas como “ópio dos povos”, porque, sem mudar sua natureza teológica, o Papa Francisco está apontando muito para a luta terrena pela vida, sem focar em que um ser superior vai decidir tudo, e sim que é a luta social, ou de classes, a que pode salvar a humanidade e a natureza.

Por mais que uma parte da Igreja Católica, e das outras, queira se utilizar desta crise final do capitalismo imperialista, está presente e pesa a realidade que impulsiona milhões de seguidores e mesmo de fiéis a mudar a forma de pensar e de agir. E por isso consideramos, nesta breve análise, que o Papa Francisco destapou a “panela de pressão” da História no Século XXI.

Por León Cristalli, Diretor-presidente da Fundação J.Posadas Internacional, e Diretor da Revista Internacional “CONCLUSIONES” (1ª parte – 31/07/2016).

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Não ao Golpe! Frente Operária #500

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Sumário:

—Não ao Golpe! Não Retroceder! Nenhum Passo Atrás! O povo brasileiro quer aprofundar as mudanças (Editorial)

—As 500 edições de Frente Operária

—Sou “SUS Futebol Clube”

—Grécia: As Eleições na Grécia e o Novo Triunfo do Siryza é um Triunfo de Toda a Humanidade

—Refugiados e Emigrações: encarar o tema com a visão de classe trabalhadora

—Chile: Retomando o Caminho de Salvador Allende e Nelsa Gadea

—CMP: Carta de Salvador

—DF: Ações de Vanguarda e de Base no Distrito Federal

—Brasília é Pólo da Solidariedade Internacionalista

—Revolução Russa: o farol que ilumina a humanidade

Grécia: o verdadeiro país é a economia global da população

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Sobre as recentes medidas de controle de capitais adotadas pelo governo grego para prevenir o caos financeiro, o chamado “corralito grego” (definição de limite de saque bancário), o Burô Latino Americano / Secretariado Internacional da IV Internacional (Trotskista-Posadista), resolve:

  1. É necessário defender o verdadeiro país: a economia global da população. E essa medida assegura o controle monetário da vida do país, frente a uma “integração” com a União Européia que significa retrocesso social e se mostra a cada dia mais em sua verdadeira natureza política: como uma imposição do imperialismo europeu;
  2. Esta medida, necessária economicamente, garante ao ESTADO REVOLUCIONÁRIO grego sustentar-se e poder desenvolver MEDIDAS QUE SEGURAMENTE TERÁ QUE TOMAR, e que posicionarão o Estado grego na NOVA CONDIÇÃO DE ALIANÇAS ESTRATÉGICAS COM O BRICS, a RÚSSIA SOVIÉTICA, A CHINA POPULAR etc… Além do quê, é uma medida prevista dentro dos pontos do Programa de Transição de León Trotsky.
  3. Esta medida de controle do circulante, e por tanto do comércio exterior, na realidade concreta é uma medida de ENORME IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA PORQUE PERMITE AO ESTADO DESENVOLVER UMA FORMA DE MONOPÓLIO DO COMÉRCIO EXTERIOR E DE CONTROLE DA MOEDA, que, não sendo originária grega (o Euro), sempre está a expensas do capital imperialista europeu.
  4. Esta medida, e outras que se tomem nesta linha, NÃO AFETA À GRANDE MASSA DOS TRABALHADORES, QUE NÃO TEM NEM PODEM TER “POUPANÇAS”, COMO SIM TEM A BURGUESIA E A PEQUENA BURGUESIA. Setores estes, minoritários em comparação com toda a população, que USUFRUÍRAM DOS EMPRÉSTIMOS E “BENEFÍCIOS” dos governos neoliberais.
  5. O governo revolucionário do Syriza, presidido pelo camarada Alexis Tsipras, está, com essas medidas, garantindo OS SALÁRIOS DOS TRABALHADORES e o FUNCIONAMENTO NORMAL DO ESTADO.
  6. Por tudo isso, APOIAMOS TOTALMENTE ESSAS MEDIDAS, como o dito “Corralito”, que caracterizamos, por sua inserção social progressiva e revolucionária em sua perspectiva política, de “CORRALITO VERMELHO”, uma política econômica nova para frear a especulação e fuga de capitais, e que controla o capital nacional e estrangeiro, defendendo os INTERESSES NACIONAIS DO POVO GREGO.

ELISEO RAMÍREZ (29 de junho de 2015)

pelo Burô Latino Americano-Secretariado Internacional (BLA-SI)

Corralito Rojo Listado

Manifesto 1º de Maio: Há 129 anos dos Mártires de Chicago, o Imperialismo Perdeu sua Hegemonia Social no Mundo

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MANIFESTO de 1º de MAIO de 2015

HÁ 129 ANOS DOS MÁRTIRES DE CHICAGO:

O IMPERIALISMO PERDEU SUA HEGEMONIA SOCIAL NO MUNDOLogo Conclusiones Colorido

Passaram 129 anos do levante proletário de 1886 em várias cidades dos EUA pela aplicação da Lei das 8 Horas de Trabalho, que era ignorada pelos patrões. Historicamente, estes acontecimentos ficaram registrados como os “Mártires de Chicago”, porque foi o Estado norteamericano que “julgou” os dirigentes operários, com parcialidade absolutamente funcional à política do sistema capitalista, culminando com o assassinato “legal” de Albert Parsons (estadunidense, 39, jornalista), August Spies (alemão, 31, jornalista), Adolph Fischer (alemão, 30, jornalista), Georg Engel (alemão, 50, tipógrafo), Louis Linng (alemão, 22, carpinteiro), Michael Swabb (alemão, 33, tipógrafo), Samuel Fielden (inglês, 39, pastor metodista e operário têxtil), Oscar Neebe (estadunidense, 36, vendedor). Em 9 de outubro se ditou a sentença de Parsons, Spies, Fischer e Engel: morte na forca. Linng havia cometido “suicídio” antes em sua própria cela. Swabb e Fielden foram condenados a prisão perpétua, e Neebe, a 15 anos de trabalhos forçados.

Em 1889, o Congresso Socialista, celebrado em Paris em homenagem aos Mártires de Chicago, adotou o 1º de maio de cada ano como homenagem à luta pelas 8 Horas e em memória dos mártires assassinados pela justiça dos EUA. Uma data mundial que é solenemente ignorada pelo estado imperialista dos EUA. No entanto, pode se ver claramente nestes 129 anos de luta de classes a confirmação da revolucionária sentença social que Spies dirigiu ao juiz Gary, que lhes ditou a pena:

“Se você acha que nos enforcando vai eliminar o movimento operário, o movimento do qual milhões de pisoteados, que trabalham duramente e passam necessidades e misérias esperam a salvação, se essa é sua opinião, então enforque-nos. Assim você apagará uma centelha, mas aqui e ali, atrás de você e na sua frente, aos seus lados, em todas as partes se ascenderão chamas. Um fogo subterrâneo. E você não poderá apagá-lo”.

Manifestação_8Horas Marx_Estátua MártiresChicago

O sistema capitalista, em seu desenvolvimento, gerou o imperialismo como sua fase superior, como analisaram Marx e Engels, e como previu o gênio revolucionário de Vladimir Ilich Lênin. Hoje é o principal exponente do sistema mundial de produção e acumulação capitalista. Exercer essa função, tentando ser a cabeça hegemônica da humanidade, não sai “de graça” em termos históricos, e nem “passa barato” para as duas forças que hoje são o eixo nas relações das classes no mundo: a luta de classes e a rebelião das forças produtivas, inseparáveis em tudo que diz respeito à sociedade e, daí, à natureza e ao cosmos. O imperialismo, e não só ele, mas como cabeça do sistema capitalista mundial, perdeu a hegemonia que durante alguns anos pôde exercer depois da queda da burocracia soviética, que a direção política do capitalismo alardeou que era o “fim das ideologias” e o triunfo do capitalismo.

Sem dúvida que, por exemplo, na recente “Cúpula de Presidentes da América”, no Panamá, essa hegemonia ficou nas lembranças imperialistas do passado. De outros tempos e espaços. E mesmo sem o campo socialista e a URSS de outra etapa da humanidade, o imperialismo teve que renunciar papel de condução. Barack Obama foi apenas um mensageiro sem ter quem recebesse suas cartas, essas que, em outra etapa, fazia tremer as burguesias e os próprios sistemas capitalistas de cada país. Sua hegemonia está tão desarticulada que, ao mesmo tempo, o empurra, pela natureza histórica, a acelerar a guerra mundial contrarevolucionária aos governos progressistas e povos do mundo. Aí estão os golpes “brandos”, continuados ou midiáticos, e também os projetos de agressão mundial na Ucrânia, no Oriente Médio, na Síria, Iêmen etc… também se expressa na pressão, em aliança com a Inglaterra e a Alemanha, para submeter os povos europeus em base aos acordos de Maastrich, que originaram a Comunidade Europeia e o Euro como atual avalista do dólar. Mas, por outro lado, Putin e a China negociam com as burguesias europeias inquietas pelas crises internas na Itália, Espanha, Suécia, Noruega, Finlândia e nos ex-Estados Operários, cujas direções se desintegram em meio a esta situação.

Trata-se de todo um curso em que a hegemonia imperialista está contestada. Em outra época, sentia autoridade de impor políticas econômicas e sociais, mas agora, inclusive com a própria OTAN, aparecem rachas, porque não querem ser sempre o “boi de piranha”. É nessa situação que o papel da Rússia soviética, da China Popular e do BRICS avança na concorrência com o imperialismo e lhe tira poder econômico e político. Desarticulam-no em seu papel que ele achava hegemônico na anterior etapa do tal “fim das ideologias”. Nada disso teria aconecido se a humanidade tivesse baixado a guarda e se entregado ao neoliberalismo imperialista, ao “Consenso de Washington” ou a Maastrich, na Europa. A Grécia, como a Venezuela, a Rússia soviética, como a Argentina, etc., são essa resposta prevista pelos mártires de Chicago em 1886.

Esse “fogo inextinguível” de que falou Spies há 129 anos contou nesse mais de século de lá pra cá com a permanente ação das massas trabalhadoras defendendo seus direitos e conquistas sociais, mas também com o amadurecimento pra disputar a condução da sociedade com o capitalismo imperialista. Desde a Comuna de Paris, até a Revolução Mexicana de 1911, a Russa de 1917, a Chinesa de 1949, a Cubana de 1959 em diante, e passando por inúmeros levantes e ações da luta de classes, avançou pra superar os limites daquela primeira expressão de luta trabalhista dos “direitos humanos do trabalhador”, em que a conquista das 8 horas era facilmente assimilável pelo sistema capitalista. Era preciso conquistar o poder da sociedade toda para construir uma nova, em que fosse o produtor, com sua força de trabalho, que fixasse os limites e direitos objetivos desta força em relação ao estado e ao aparato distributivo. A conquista das 8 horas, apesar dos enormes custos sociais e em vidas, não podia se manter no tempo com a evolução progressiva das forças produtivas.

Nestes “Manifestos de 1º de Maio” da IV Internacional (Trotskista-Posadista) temos desenvolvido uma posição política clara e precisa durante anos. Hoje só fazemos uma breve retomada. Mas o que consideramos central nesta homenagem sempre presente aos Mártires de Chicago é constatar, desde a militância na luta de classes, as mudanças que estão acontecendo no próprio processo de progresso do curso da história.

Putin y Cristina Maduro y Diosdado

A LUTA PELAS 8 HORAS E A DEFESA DO TRABALHO

O capitalismo imperialista absorveu, como parte do desenvolvimento das forças produtivas, o tempo necessário para produzir mercadorias, reduziu o peso ou custo da força de trabalho. Um mesmo operário produz em milésimos de segundo o que há 50 anos levava minutos ou horas. A tecnologia, prinicipalmente a robótica, em mãos do capitalismo, significa maior produtividade a menor custo salarial e menor necessidade de mão de obra. O que faz com que esta, sendo mais qualificada, também seja robotizada no que diz respeito ao custo total do que foi produzido. O sistema capitalista não conseguiu eliminar o papel da força de trabalho e nem evitar que essa aceleração imparável da produção e da produtividade se voltasse contra ele próprio, na ponta da demanda, do consumo, como previram Marx e Engels há quase século e meio.

Há anos qualificamos isso como o tempo da “mais-valia concentrada”: sem eliminar o produtor humano, reduz a retribuição a este relativamente ao que ele produz. Em outras palavras, necessita-se de menos mãos para produzir imensamente mais do que antes.

Essa situação, junto à desaparição das burocracias dos Estados Operários, e à queda formal da URSS, levou o imperialismo a decretar “o fim da história e das ideologias”. Mas é bem outra a realidade da história e sua expressão real em cada alvorada da humanidade. “O fogo subterrâneo que não poderão apagar”, citado por Spies, em 1886, encontrou um elemento que, como combustível da luta de classes, se une a esta e se torna inextinguível: “A aliança objetiva da luta de classes com a rebelião das forças produtivas”(LC2001). O imperialismo capitalista não pode conter o crescimento da produtividade da economia mundial, ao mesmo tempo que, por ser uma sociedade baseada na desigualdade social, não consegue gerar um mercado social que absorva essa produção com imensa produtividade embutida.

Em síntese, isso já trouxe há mais de 25 anos um acirramento da disputa pelos postos de trabalho dentro do sistema. O desocupação da força de trabalho no mundo avança em forma geométrica. E isso inclui a pobreza e marginalização da metade da população, e a miséria de mais de uma quarta parte da humanidade. O capitalismo, em seu desenvolvimento, gerará (e já gerou) as forças que o enterrarão, como previsto por Marx e Engels. E aí nem mil convenções coletivas de trabalho nacionais, nem a OIT etc pode dar jeito se não considerar o fundo da questão: O FINAL DA ERA DE EXPANSÃO IMPERIALISTA DO CAPITAL.

A EMIGRAÇÃO E OS CRIMES NA ÁFRICA, E AS CONQUISTAS SOCIAIS NA EUROPA, AMÉRICA LATINA, ÁFRICA E ÁSIA

O sistema capitalista, em sua etapa colonialista, desarticulou a vida de mais de dois terços da humanidade. À sangue e fogo conquistou, para seu desenvolvimento, países em variados níveis de desenvolvimento e povoamento; assim, América, Índia, China e África foram a base para a “revolução industrial”, pro desenvolvimento do capitalismo na Europa. Logo pegou o salto do que hoje são os EUA e ali massacrou todo vestígio de culturas e povos originários. Isso, que há séculos só era uma condição peculiar para o desenvolvimento da sociedade capitalista, hoje se transformou em estigma contra sua própria existência. O modo de produção e distribuição clássica do capitalismo não pode, e menos ainda em sua etapa imperialista, solucionar esta contradição originária, Emigrantes Barcoque se combinava com o impulso ao progresso tecnológico dos países conquistados e subjugados. As colônias permitiram ao capitalismo imperialista dos EUA e da Europa desenvolver um “Estado de Bem-Estar Social” como barreira de contenção das lutas operárias e camponesas destes países “desenvolvidos”. Mas não conseguiram impedir que as massas dezenas de vezes votassem na esquerda, nos partidos comunistas e socialistas, e que as organizações sindicais fossem, em muitos aspectos, parte de um duplo poder objetivo. Mas o “Estado de Bem-Estar” gerou uma camada social “do bem viver” que conquistou benefícios e elevou seu nível de vida. Hoje todas estas conquistas estão ameaçadas pelo sistema, e por isso abrem ou fecham fronteiras visíveis e invisíveis para impedir a unidade entre a força de trabalho já estabelecida e os migrantes que chegam como nova força de trabalho. Centenas de milhões de seres humanos são sentenciados à miséria, no rumo da extinção social. Os crimes contra os emigrantes africanos que fogem das miseráveis condições de seus países na ânsia de se salvar integrando-se ao capitalismo desenvolvido da Europa, são indignantes e fazem lembrar aquele julgamento criminoso do Juiz Gary contra os defensores das 8 Horas nos EUA em 1886.

Mas há outro aspecto dessa crise do sistema que é preciso ver e discutir nesse 1º de maio. É a relação direta, de causa e consequência, entre a emigração de milhões de trabalhadores que em todo mundo fogem da falta de trabalho e/ou de perspectiva de vida, e a crise do sistema capitalista em seus países de origem. A classe trabalhadora é uma só, mundialmente, mas pela divisão mundial do trabalho, adquire distintos níveis de luta e de conquistas sociais.

O neoliberalismo, o imperialismo globalizante e unipolar sempre utilizou, e continua utilizando, a mão de obra barata, ainda que tecnologicamente inferior em sua capacidade produtiva. Juntando essas forças de trabalho migratórias com a robotização (que exige uma função mais mecânica mesmo, mas também superexploradora) tenta destruir as conquistas sociais logradas com duras lutas sindicais e políticas durante anos. Incapaz de sustentar ditaduras cívico-militares, ou alentar movimentos de caráter nazifascista, o sistema utiliza a importação de mão de obra, aliado com burocracias sindicais. Como fez abertamente na Argentina, em 2001, para tentar quebrar a força do movimento operário peronista –quando já havia no país um desemprego aberto que chegou a 28/30% em 2001. Mas casos similares acontecem na Europa, onde a aristocracia sindical e um setor dos próprios trabalhadores não querem trabalhos “inferiores ou sujos” e, assim, abrem as portas a uma emigração que se submete a estas regras criminosas de trabalhos insalubres e salários miseráveis em comparação aos trabalhadores do país.

Neste 1º de Maio de 2015, em que recordamos os Mártires de Chicago e esse movimento operário norteamericano que era composto em uma parte muito grande de migrantes da Europa, vemos também como há uma diferença entre os que vinham com a luta de classes na cabeça, alguns embalados pelo sonho da nova sociedade socialista, e os que, hoje, tentando se salvar da crise do capitalismo atrasado em seus países de origem, se submetem às regras do capitalismo selvagem, imperialista. Não há que temer os Le Pen (extrema direita), na França, e seu crescimento eleitoral; é preciso analisar o papel das direções sindicais e políticas que fazem “paternalismo social”, deixando de fazer uma necessária discussão que tem a ver com a luta de classes. Ou os que idealizam as condições individuais de setores que, sendo parte da classe explorada, atuam contra sua própria classe.

A raiz destas contradições é a postura de dirigentes que não veem, não sentem e nem apoiam o curso que a história mostra como irreversível no progresso a uma nova sociedade. Estas direções são parte da transitoriedade do curso atual da crise do sistema, e no fundo seguem pensando que o capitalismo tem solução pra toda essa crise. Quando a humanidade toda sofre a selvageria de ver os milhares de mortos no oceano porque fogem da África colonial onde a vida não vale nada, ou das ex-colônias que são só formalmente “democracias” com alguma representação de Repúblicas. “Democracias” que, como na recém independente e jovem nação Burkina Faso, na década de 80, o camarada Thomas Sankara tentou transformar revolucionariamente em Democracia Socialista, motivo pelo qual o imperialismo francês o assassinou, e que agora o povo está novamente avançando, com sua memória, em sua luta e governo. Estes países onde guerras tribais assolam populações inteiras, obrigadas a se refugiar, migrando de uma área a outra, quando fazem comércio com a escravidão da mulher e do jovem em pleno século XXI. Isso justifica arriscar a vida nos oceanos. E há que salientar que são países governados por fantoches do imperialismo ianque e europeu. Então a discussão sobre a migração adquire outra relação social e importância sócio-política. Mas também é necessária uma política de integração na qual, SEM PERDER UM SÓ POSTO DE TRABALHO NEM CONQUSTA SOCIAL, SINDICAL, ECONÔMICA E POLÍTICA, OS TRABALHADORES MIGRANTES SE INCORPOREM À FORÇA PRODUTIVA DA REGIÃO.

Isso vale, em nossa opinião, para a América Latina e a integração regional. Não se trata de fazer paternalismo em base a conquistas políticas e sociais resultado de lutas dos povos, mas de integrar o migrante com todos os direitos e também responsabilidades sociais, sindicais e políticas. O capitalismo expulsa trabalhadores, e também pequenos e médios comerciantes que só comerciam em base ao nível de vida superior dos países de destino, alcançado com a luta de classe. Isso se fazia na Venezuela dos “petrodólares” de 30 anos atrás, e era um ralo pelo qual escoavam os esforços e conquistas do povo venezuelano. Não se pode temer a discussão dessa crise das sociedades em transitoriedade. Por isso recordamos a apoiamos Cuba Revolucionária, que afirma que “a melhor forma de ajudar Cuba não é ir morar lá, que já fez a revolução, mas sim fazer a revolução onde se vive ou está”.

Nesta crise aparecem os conflitos internos, especialmente em varias cidades da África, em que as disputas sociais pelo trabalho, particularmente o comércio, levam a enfrentamentos com centenas de feridos e mortos. O capitalismo cria as condições para conflitos intraclasse, e sua grande mídia logo depois acusa: “são expressões de xenofobia!” e fala do livre trabalho, livre comércio e circulação nesses países em que os desempregados e despossuídos tratam de defender-se das condições de vida a que são obrigados a levar pelas transnacionais e corporações imperialistas. Mas não se analisa em nada que este enfrentamento de classe explorada contra si mesma é produto da crise do sistema capitalista, dos governos títeres que são mantidos pelas transnacionais corporativas do petróleo, da mineração ou da agricultura industrial. Na América Latina, criam esses conflitos com a soja, com a mineração a céu aberto etc, que expulsa milhares de trabalhadores do campo pra se abarrotarem nas cidades, gerando cordões de miséria onde devem brigar pra sobreviver. Coisa muito diferente ocorre na Síria, Palestina, Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, ou Criméia, onde há conflito generalizado, sim, mas a população solidariamente assume a luta pela independência nacional e uma nova sociedade.

Marcha AntiFascista Donetsk

Marcha anti-fascista na República Popular de Donetsk, em 2014

Donetsk Mineiros

Manifestação de mineiros em Donetsk contra as agressões do governo fascista da Ucrânia

Os mártires da classe operária que recordamos neste 1º de Maio, os milhares de proletários que nos EUA lutaram com a vida, não o fizeram por progresso individual, e sim coletivo, como classe trabalhadora, e aí reside seu valor histórico. O resto é capitalismo puro. E com isso, e por isso, é que parte da classe operária do mundo, e da Europa, como na Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica etc defende suas conquistas sociais e seu nível de vida com o direito de tê-los conquistado como gênero humano contra um sistema explorador e de opróbio. E a relação contraditória destes setores com a população migrante só pode ser superada DIVIDINDO AS HORAS DE TRABALHO MANTENDO IGUAIS SALÁRIOS, SEM DISTINÇÃO DE GÊNERO. Que o capitalismo – que é e funciona mundialmente centralizado – se encarregue de sua crise em qualquer região do planeta, não deixando que morram milhões no mundo por fome, afogados como estes migrantes ou que vivam na exclusão social.

Isto é gráfico da crise final do sistema, que por isso mesmo fracassou em retroceder os progressos culturais e sociais das massas soviéticas, como sonham agora fazer com uma “China capitalista”. Os problemas das nacionalidades, da integração regional, das “fronteiras e territórios”, como a disputa da Bolívia por uma saída própria ao mar, é uma estupidez de se exigir. Porque se está integrando toda a região e será com a planificação produtiva do quê, como, quando e onde produzir de forma equitativa e harmoniosa que serão superadas todas as disputas. Política de estímulo ao conflito e enfrentamentos que o imperialismo está estimulando, seja pela via econômica, seja com disputas territoriais que debilitam os governos nacionalistas, populares e democráticos que querem avançar em caminhos e programas que, de fundo, são revolucionários.

Então, os problemas da transitoriedade da atual etapa estão sempre unidos à crise do sistema mundial, pois não pode conter ou desviar a objetiva aliança da luta de classes e da rebelião das forças produtivas. Por esta relação transitória TODA FORMA DE PATERNALISMO OU POPULISMO SOCIAL É TÃO NEGATIVO COMO O NEOLIBERALISMO QUE ESTAMOS DERROTANDO.

Putin y Tsipras

Recente visita do companheiro Tsipras, presidente da Grécia, à Rússia de base soviética, do presidente Putin.

BRICS 2014

Cúpula dos BRICS, 2014

AS NOVAS FORÇAS ECONÔMICAS, O ESTADO OPERÁRIO E OS BRICS

Como o marxismo analisa: “Nenhuma formação social desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que cabem dentro dela, e jamais aparecem novas e mais altas relações de produção antes que as condições materiais para sua existência tenham amadurecido no seio da própria sociedade antiga. Por isso, a humanidade não se coloca problemas a não ser para os quais já tem solução”. Seria isso um “dogma religioso, teológico”? Absolutamente não! É uma materialização do pensamento materialista dialético da história aplicada à realidade social. Agora, o valor político dessa afirmação não está em si mesma, e sim na aplicação dela em tempo e espaços corretos.

Nós, os posadistas da IV Internacional (Trotskista), aplicando as análises e a teoria de León Trótski sobre “A Revolução Permanente”, consideramos que esta é a época em que se conjugam as duas forças motoras da história, a saber: LUTA DE CLASSES e REBELIÃO DAS FORÇAS PRODUTIVAS. Daí que projetamos há anos este curso como INEVITÁVEL, assim como base para desenvolver a política mundial, e suas expressões regionais e nacionais.

Os Movimentos Nacionalistas e sua função revolucionária, que J.Posadas já analisou desde a década de 1947 em relação ao peronismo antimperialista e a expressão comunista da função do proletariado que este gerava na Argentina, são hoje uma base irreversível do curso objetivo da história da humanidade. Mesmo na Rússia, que qualificamos há anos como “pseudônimo atual da URSS”, este curso nacionalista revolucionário se desenvolve, com intervenção de Putin, que também é impulsionado, sem opor resistência alguma. Ou como na Venezuela Bolivariana e Socialista, a continuidade do camarada Hugo Chávez, expressão do chavismo vivo, se expressa no governo do camarada Nicolás Maduro; na Grécia, com o Siryza e Tsipras, na Argentina, com a companheira Cristina Kirchner, no Brasil, com Lula-Dilma, na Bolívia, com Evo Morales, e logo com mudanças na Espanha, Portugal, Irlanda etc…

Neste curso, a história, que tem sim memória, vai elevando as relações internas e aprendendo, gerando novas coordenadas pra se apoiar e avançar. O papel das direções aparece na mesma superfície. Por isso J.Posadas dizia que “enquanto Trótski está vigente e vivo na luta de classes, quem se lembra de Stálin, enterrado pela história?”

As burocracias não surgem por acaso, e sim de condições geradas pela formação das forças produtivas e da distribuição. Quanto maior o desenvolvimento destas, resultado da maior participação social de uma nova sociedade, somem as condições que propiciam a consolidação das burocracias em seu papel de dobradiça, de ponte, entre o capitalismo e a classe trabalhadora, porque NÃO TEM FUNÇÃO SOCIAL ALGUMA A DESEMPENHAR. A mesma coisa acontece em relação ao hedonismo, ao protagonismo caudilhesco e ao individualismo no âmbito sindical e político. São heranças do sistema capitalista, baseadas na insegurança individual que ele gera. Por isso se burocratizam e fazem de sua tarefa social uma função administrativa e, logo, burocrática, que vai contra os interesses da sociedade dos iguais que deveriam representar.

Neste 1º de Maio de 2015, insistimos, como temos feito desde 1990, que a URSS não desapareceu. O que houve foi a queda da burocracia soviética em um “desvio transitório do curso regenerativo do Estado Operário” (LC1990). Então, o curso objetivo da história neste Século XXI não coloca a necessidade de descobrir um “novo socialismo”, mas sim de limpar socialmente tudo o que se arrasta do sistema capitalista em decomposição neste caminho da construção da nova sociedade e sua etapa transitória, nos Estados Revolucionários de transição.

Este curso tem expressões concretas. Por exemplo, na luta antimperialista mundial contra a globalização unipolar imperialista, aparecem OS BRICS CONCORRENDO COM O CAPITALISMO IMPERIALISTA DA ÉPOCA. E como não ver que isso, ainda que não negue o capitalismo, nega sim o imperialismo? Compete com ele, e por quebrar sua necessária centralização, acabará sendo uma força enorme – já em desenvolvimento – aliada à luta mundial de classes e a rebelião das forças produtiva. Ou não é concretamente isso que propõe Putin enfrentando o imperialismo quando diz: “Queremos ser como é a América Latina”. Sim, esta “Luminosa América Latina” (como os posadistas tem qualificado há 20 anos) está desempenhando um papel fundamental no curso da história. Ou quando, na Grécia, o Siryza e Tsipras usam o exemplo da Argentina para avançar na construção da uma Grécia Popular e Revolucionária. Quando ressurge a função da hoje Rússia Soviética em ALIANÇA COM OS POVOS DO MUNDO POR SUA INDEPENDÊNCIA.

OS SINDICATOS, MOVIMENTOS SOCIAIS E PARTIDOS DA CLASSE TRABALHADORA, E O ESTADO REVOLUCIONÁRIO

Neste curso estão vivas as lutas do proletariado dos EUA e os camaradas Mártires de Chicago. O ritmo da crise do sistema é desigual e combinado. Por um lado os progressos tecnológico-científicos reduzem os tempos de produção e produtividade, eliminando postos de trabalho e baixando os custos produtivos e de comercialização, mas, por outro lado, não incorporam centenas de milhares da força de trabalho no mundo. Neste curso, os Sindicatos, Movimentos Sociais, Partidos da Classe Trabalhadora tem um papel central. E também os governos nacionais, populares e democraticamente revolucionários, como expressão das mudanças profundas na história e uma nova geografia sócio-política econômica.

Manifestación 17oct 45 Plaza Mayo

Argentina, Praça de Mayo, 17/10/1945: Peronismo de massas

Huelga Ferrocarriles México 1959

México, 1959: Greve de Ferroviários

 A etapa de transitoriedade não tem data marcada para passar a um estágio superior, que são os Estados Revolucionários de Transição, mas tem tempos e espaços para seu desenvolvimento. Por isso é central o papel dos organismos dos trabalhadores. Os governos nacionalistas revolucionários atuais são resultado da incansável luta de classes, mesmo que não se definam como seus representantes. É o curso desigual e combinado que estabelece no mundo o desenvolvimento da “Revolução Permanente”, que atua sem pedir licença, estruturando a defesa do progresso já alcançado, mas também impulsionando o avanço dos governos progressistas. A Grécia, Venezuela, Rússia, Argentina, Equador, Bolívia, Espanha etc expressam esta condição, já prevista e analisada por textos de J.Posadas nos Manifestos de 1º de maio há mais de 40 anos.

A ausência da Internacional Comunista de Massas, por enquanto, é suprida pela coordenação dos movimentos e governos revolucionários no mundo. Não há homogeneidade ou harmonia porque as relações de classes ainda não foram superadas, mas houve progressos ao compensar interesses nacionais e regionais. A aliança da Rússia soviética, China Popular, Brasil, etc, no BRICS, assim como os acordos bilaterais que abrem caminho a acordos muito mais profundos em perspectiva, são a ponta de proa do barco do progresso social.

Paro Sindical Uru antiTISA

Uruguai, 2015: Paralisação da PIT-CNT contra Tratado de Livre Comércio proposto pelos EUA

Huelga General Esp 2013

Espanha, 2013: Greve Geral

O sistema prepara e está lançando permanentemente agressões contra a humanidade. A resposta são as lutas das massas do mundo apoiadas por governos e países em estado de transição, e estas são condições novas do mundo. O fracasso do neoliberalismo, do consenso de Washington, de Maastricht, assim como o surgimento dos BRICS e o papel da Rússia soviética e da China Popular são parte deste progresso. Certamente existem guerras no Oriente Médio, na Síria, Iêmen, contra o povo palestino, organizadas pelos agentes do imperialismo, sejam os Alqaeda ou ISIS etc… Certamente morrem milhares afogados no mar Mediterrâneo, e também segue a agressão contra a Venezuela, Argentina, Brasil, Chile, etc, mas o curso de progresso que, há 129 anos da luta dos Mártires de Chicago, hoje recordamos, é imparável e irreversível.

Por isso saudamos com alegria comunista neste 1º de maio de 2015 todos os povos do mundo que fizeram, com suas lutas, progressos e alegrias sociais, o melhor cenário para a construção de uma nova sociedade: O SOCIALISMO.

21/04/2015 – Eliseo Ramírez – Pelo Burô Latinoamericano (BLA) da IV Internacional (Trotskista-Posadista)

Crise Imperialista e III Guerra Mundial

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León Cristalli, diretor da Revista Internacional “CONCLUSIONES”.

10 de janeiro de 2015

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Este atentado terrorista em Paris é parte de um aprofundamento da III Guerra Mundial que o imperialismo lança no mundo. A “Guerra mundial petroleira” é mais um dos tantos tentáculos com os quais está querendo encaminhar o mundo, a humanidade, o planeta a uma conflagração mundial. O atentado é parte de uma estratégia para dividir o povo da França, dar apoio social à direita de Marie Le Pen, mas também a outras organizações que querem restaurar uma sociedade abertamente escravista, xenófoba e na qual a vida perderá seu valor. Não é um problema de “terrorismo Islâmico” isolado deste contexto mundial. Por isso, na Ucrânia, de mãos dadas com a OTAN, revivem o mais atrasado social e culturalmente do setor que colaborou com os nazistas na II Guerra Mundial, e onde aparecem, sustentados por mãos mágicas e finanças obscuras, grupos que agem contra A DEMOCRACIA. É a destruição de um Afeganistão, que, na década de 80, com a intervenção soviética solicitada pelo presidente afegão à época, saía do atraso ancestral, florescendo sua saúde, educação e em uma perspectiva de nação que começava por “instalar água encanada nas comunidades”, que 95% do povo nem sabia o que era, e então o imperialismo criou os “mujahedines” ou “terroristas financiados pela CIA”, os mesmos que depois viraram o Alqaeda, e que são os ISIS de hoje etc… Todos braços armados para prostituir a luta de classes desde dentro, confundindo culturas com assassinatos e o detrito das religiões. Com isso, querem destruir a Síria para abrir um corredor livre contra o Irã e a Rússia de base soviética. Da mesma forma que já utilizam a Coréia do Sul, capitalista, contra a Coréia do Norte, e, no fundo, contra a China Popular, temida pelo sistema capitalista mundial, porque tentou engoli-la mas acabou infiltrado, e, agora, tem “dentro de seu estômago” algo que não pode digerir, e que está comendo o capitalismo por dentro, porque a China não é capitalista, apesar das burocracias e dos “novos burgueses chineses”, que, como já analisaram Marx e Engels, e depois León Trótski, não têm como virar “classe burguesa”, e seguem sendo parasitas de origem, com certo poder econômico pela natureza da atual economia da China, mas parasitas do Estado Operário suigéneris chinês. Os BRICS, a aliança da China Popular com países do mundo, com burguesias que tentam um desenvolvimento independente nacional e percebem que só conseguem aliando-se ao Estado Operário Chinês. Burguesias que veem a destruição que o colonialismo fez na África, o berço da humanidade. Coisa que queriam fazer na América Latina com o “Consenso de Washington” e seu “organograma pra América Latina”, a ALCA (Aliança de Livre Comércio da Américas), que seria a “africanização da América Latina” (ver LC, 1999), mas fracassaram devido às políticas desenvolvidas pela Venezuela, Argentina e Brasil, que lideraram o resto da América Latina e impuseram aos EUA o famoso “ALCA AL CARAJO” de Hugo Chávez.

Crisis Fictícia Petróleo

EM SUA CRISE FINAL, O SISTEMA CAPITALISTA NÃO PRECISA E NEM SE APÓIA MAIS NA DEMOCRACIA

Esta ação “terrorista” na França é parte da política do sistema capitalista mundial contra A ALIANÇA DA LUTA DE CLASSES com A REBELIÃO DAS FORÇAS PRODUTIVAS, sobre o quê temos escrito há anos. Por isso essa crise do sistema capitalista traz à tona QUE JÁ NÃO PRECISA NEM SE APÓIA MAIS NA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA, essa em que o próprio sistema se amparou e abrigou durante mais de um século no mundo, principalmente na França, “berço da sociedade burguesa desde 1789”, mas que hoje, esgotado o desenvolvimento econômico de suas forças produtivas (Marx-Engels), tem que ir às raízes de sua origem de CLASSE SOCIAL EXPLORADORA CONCENTRADA NO IMPERIALISMO. Todo o resto só é parte da “Guerra de 4ª Geração”, ou GUERRA MIDIÁTICA, mas agora com consequências materiais diretas, como os assassinatos na França, que inclui os jornalistas, policiais, civis e os próprios terroristas, que são juticiados in situ PARA QUE NÃO FALEM. Mas, claro, antes de serem mortos têm tempo de assumir a “responsabilidade” dos assassinatos, tomar reféns etc… Quanta funcionalidade, não?

Escrevemos isso poucas horas depois que a humanidade se inteirou destes selvagens acontecimentos. A França não é um lugar escolhido por acaso, porque é a BASE DO NASCIMENTO DA DEMOCRACIA BURGUESA, QUE, HOJE, ESTÁ LIQUIDANDO O SISTEMA CAPITALISTA NO MUNDO. Nunca fomos cúmplices, por idiotice político-cultural, dessa ideia que estes episódios são “problemas de seitas islâmicas”. É uma questão de estrutura político-militar com aplicação em pleno desenvolvimento no mundo.

A Igreja Católica, que sempre esteve um passo à frente na previsão do curso da história, desde a desintegração do império romano, colocou o Papa Francisco, e ele, entendendo corretamente este curso de crise do sistema capitalista imperialista, oferece, propõe novas formas de convivência social, mas rodando pra trás o relógio da história. Uma sociedade em transição não pode ser transitória rumo a uma involução. O sistema capitalista imperialista que o Papa Francisco condena de muitas formas, não pode deixar de ser imperialista, nem muito menos abrir caminho a uma sociedade burguesa capitalista distributiva, cuja falta de perspectiva são sabidas pela Igreja Católica e todas as religiões. Por isso o sistema desenvolve essa Guerra fracionada, criando desarticulação social, política e econômica aqui e ali, mas de forma centralizada, porque sabe que entramos no ciclo do ocaso final do capitalismo.

Este curso atual, em pleno desenvolvimento, não é misterioso para a humanidade. Esta fase da história da foi explicada em 1848, com o Manifesto Comunista de Marx-Engels; os trabalhadores tentaram aplicar esse ensinamento em 1871, na “Comuna da Paris”; mas se constatou e afirmou como novo começo da com a REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917 que, triunfante, derrotou pela primeira vez o sistema de opróbio de exploração do ser humano por si mesmo. E nem a degeneração burocrática do stalinismo pôde retroceder o relógio da história. Com a revolução proletária russa, com os bolcheviques à frente naquele Outubro (novembro) de 1917, a história deu um salto dialético que já não poderá ser apagado por nenhuma força. Por isso a humanidade, apesar do déficit de suas direções e da ausência de uma Internacional Comunista de Massas, avança desigual e combinadamente, com contradições e mesmo com golpes em algumas partes do planeta, mas estruturalmente sem retroceder nem um centímetro nos avanços e progressos já alcançados.

E é isso que o sistema tenta derrotar. É o curso revolucionário do povo grego, que se prepara em alguns dias para pegar um salto progressivo imenso com o Syriza e a enorme possibilidade de um governo no rumo de um Estado Revolucionário com o camarada Alexis Tsipras presidente. São os progressos da Argentina, que não se submete aos “fundos abutres”, como tampouco se submeteu antes ao FMI etc… É a Bolívia, que avança como Estado Plurinacional, mas cuja estrutura em construção é a de uma nova sociedade sem classes, do “bem viver”, que necessariamente não será capitalista. E a Venezuela, que combate uma agressão externa e seus sequazes internos do sistema imperialista, e está lutando e se construindo e reconstruindo a cada dia desde (e com) a sua direção e uma enorme base social chavista dura, revolucionária, socialista. É o Brasil, que segue com o 4º governo do PT, com Dilma na presidência e Lula como condutor social proletário – isso, atenção, em um dos 10 países de maior desenvolvimento econômico, portanto, do próprio sistema capitalista. Guardadas as diferenças de poder econômico-militar, mas socialmente, sim, é como se em um país potência do sistema, como o próprio EUA, se conseguisse instaurar um governo do PT pela quarta vez. A burguesia brasileira é uma das mais potentes do sistema, mas sua crise também se expressa no fato de que já não pode se desenvolver socialmente na grande massa do povo, e, então, uma parte desta burguesia, para negociar e sobreviver, precisa pactuar com o PT, que, porém, historicamente e no final das contas, será seu coveiro político-social.

O TERRORISMO, ARMA DO IMPERIALISMO

Os revolucionários, na história da humanidade, não se “utilizaram” de terrorismo algum, porque não é parte da construção da nova sociedade. Não se muda o estado de coisas pelas vias do terrorismo, do assassinato individual ou coletivo. Pelo contrário, as distintas classes opressoras sociais na história sempre utilizaram o terrorismo como ferramenta de conquista do poder. A I Guerra Mundial de 1914 camuflou sua motivação interimperialista atrás de um atentado terrorista (assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, da Áustria). Hoje, a III Guerra Mundial fracionada no mundo é produto de uma crise sem saída da economia distributiva do sistema imperialista. Não podem solucionar a contradição do grande progresso das forças produtivas com o diminuto das forças distributivas do sistema. Nesse contexto, o imperialismo organiza a contrarrevolução utilizando as contradições do curso, o desigual e combinado deste processo de “Revolução Permanente”, nas palavras de León Trótski. O imperialismo, sua OTAN (NATO), a IV Frota, VII etc… não podem justificar invadir militarmente de forma direta. Então inventam “armas de destruição em massa”, “armas químicas”, ou a famosa “intervenção humanitária”, como no Iraque e na Líbia. Mas a crise no chifre da África segue vigente, na Somália, no Iêmen, na Palestina, no Egito, onde o imperialismo tentou se adiantar ao curso e fazer a “sua primavera”, mas saiu um “inverno”, porque, ainda que não se condene ainda o pior de Mubarak etc., o curso do Egito hoje está muito mais perto da Síria, do Irã, da Rússia e da China, do que dos EUA.

É aí em que a aliança objetiva da luta de classes e a rebelião das forças produtivas se concentra em um curso da história da humanidade, que o sistema capitalista não pode mais controlar nem decidir sem considera-la, em função de seus interesses imperialistas e que concretamente se expressa na perda do mundo que as transnacionais consideram seus quintais, base dessa campanha de terrorismo mundial. Mas, tão importante quanto isso, em nossa opinião, está a necessidade da direção política nos EUA (Democratas e Republicanos) de justificar frente ao próprio povo dos EUA o que estão preparando em escala mundial. E isso já foi denunciado pelos dirigentes e presidentes de vários países do mundo, como Putin, Xi Jinping, Maduro, Evo Morales, Rafael Correa, Raúl Castro etc…

A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E O SOCIALISMO

O assassinato de jornalistas e empregados da revista “Charlie Hebdo” é, sem dúvida, uma provocação política e cultural, particularmente à população de centro e centro esquerda. Mas, porque a eles e não a outros? Por uma questão de piada religiosa meramente ou porque por ali passa uma fibra muito concreta que diz respeito à vida social da França, que durante séculos, como país colonialista, extraía não só as riquezas naturais, mas também a força de trabalho barata ou até escrava de suas “colônias”. Mas isso não é um problema da Democracia surgida em 1789 e sua revolução burguesa, conhecida por proclamar as nunca integralmente aplicadas “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Isso é um problema do imperialismo francês, alemão, inglês, estadunidense… É parte da divisão mundial do trabalho e do desenvolvimento das forças produtivas, em que o papel da imigração é usado pelas transnacionais e seus governos neoliberais como contrapeso das lutas pelas conquistas sociais. O regime capitalista organiza mundialmente as coisas de maneira a seus negócios serem mais lucrativos, gerando o que nós, posadistas, definimos há anos como “mais-valia concentrada”, mas não conseguem resolver o problema da distribuição social. E na França se expressa nas centenas de milhões de migrantes, como força de trabalho subempregada, uma desarmonia que o imperialismo colonial não pode resolver, assim como não pode conter o poder das forças produtivas e sua atual rebelião em marcha. Por isso, em nossa opinião, NÃO EXISTEM PROBLEMAS DE NACIONALIDADES, DE ETNIAS OU RELIGIÕES, MAS SIM DA LUTA DE CLASSES, FRENTE À QUAL O CAPITALISMO AGRIDE A HUMANIDADE.

Na URSS, Lênin e os bolcheviques resolveram os ditos “problemas” étnicos, religiosos e culturais de uma imensa nação, e com duríssimo histórico de invasões e submissões de povos nas épocas dos czares. Conseguiram isso integrando todas as etnias e religiões em um objetivo comum: tirar o jovem Estado Operário Soviético da crise deixada pelos desastres da I Guerra Mundial e superar os desafios de harmonizar a economia de guerra com a ação da nova sociedade. Ali os problemas étnicos, religiosos, culturais, autóctones ficaram relegados ou passaram a um terceiro plano de preocupação da população. Não diminuir nenhuma etnia nem subestimar a função ou peculiaridades de cada nação que começava a se integrar à URSS: isso só era possível em base a uma nova concepção da propriedade e de sua função na distribuição do que se produz.

A ação do imperialismo na era Gorbatchov-Yeltsin foi de estimular desde o campo econômico e militar as nacionalidades que compunham a URSS, algumas duramente espoliadas pela burocracia moscovita stalinista, que não tinha mais nada a ver com a posição bolchevique de V.I. Lênin e sua política “Sobre as Nacionalidades”. Queriam reavivar ufanismos chovinistas e usar isso como elemento de disputa. Tiveram sucesso porque a burocracia parasita tinha criado um caldo de cultura para tal, e também pela idiotice congênita de todas as burocracias, seja capitalista ou mal chamadas de “socialistas”.

A revista “Charlie Hebdo” se posicionava à esquerda em um desigual e complexo quadro de interesses midiáticos, mas não cumpria uma função defensora da liberdade de imprensa e dos direitos dos profissionais do jornalismo. Na verdade, como outras, em nossa opinião, pseudo “revistas de humor político”, acaba deturpando a luta de classes no que diz respeito à sua função direta, assim como sua essência libertadora do pensamento humano. Sem cair em qualquer moralismo conservador, vemos que estas revistas são apenas uma diversão na forma de masturbação cultural sobre a realidade da vida no capitalismo, cuja sociedade supostamente criticam, mas sem aportar em nada pra elevar a luta de classes e a concepção científica exigida por esta para construir uma nova sociedade.

São formas maniqueístas de se situar acima da realidade e, no fim das contas, deformá-la, para que ela não pese na geração de ideias superadoras da decomposição atual desta sociedade. O fato de não fazerem distinção entre as religiões ou políticos que satirizam não justifica cultural nem socialmente sua linha editorial. A sátira política que os gregos faziam mostrava as contradições de sua sociedade, mas sempre criticando, e com formas muito peculiares e profundas de mostrar o fundo do “poder” de um sistema escravista. Mas faziam isso incorporando a sociedade e propondo os progressos necessários a essa sociedade.

A liberdade de imprensa no capitalismo é utilizada como instrumento de dominação e coerção social. As empresas “jornalísticas”, em sua grande maioria, não são outra coisa que capitais nacionais e internacionais organizados para fabricar realidades, inclusive tocando lutas fratricidas pelo mercado das notícias e da venda de produtos do sistema comercial.

A suposta objetividade das empresas de venda de mercadorias publicitárias, seja imprensa escrita, TV, rádio ou informática, é pura fantasia. Por isso o sistema está desenvolvendo esta arma de penetração na sociedade, na cabeça de bilhões e seres humanos, com falsidades que, descobertas depois, nunca ficam os registros destas empresas comerciais do imperialismo.

A revista “Charlie Hebdo” não é progresso social nem representa a classe trabalhadora francesa e nem mundial. E desempenha um papel que, agora mesmo, é aproveitado claramente pelo sistema capitalista mundial, pelo imperialismo, para avançar um degrau a mais na escalada da III Guerra Mundial em desenvolvimento, com as características que podem dar a seu desenvolvimento.

Como na URSS, há 25 anos, para destruí-la de dentro, agora o sistema insere na humanidade problemas alheios em tempo e espaço a suas necessidades, e levantam bandeira de direitos com consignas pseudo-patrióticas que nada tem a ver com o progresso da história. É como pautar, em meio à Integração da América Latina, disputas territoriais, particularmente dentro da UNASUL, fechando os olhos para o fato de que, com A INTEGRAÇÃO POLÍTICA DA REGIÃO SE SUPERAM TODAS AS ARBITRARIEDADES DAS POLÍTICAS CAPITALISTAS ANTERIORES, oriundas da própria emancipação política parcial da região. Contra isso já se levantaram desde Bolívar, San Martín, Artigas, Martí e centenas de verdadeiros revolucionários na história da América Latina e do mundo.

Não existe guerra entre Ocidente e Oriente, não existe GUERRA DE CULTURAS nem DE RELIGIÕES, o que existe é um aprofundamento da crise histórica do sistema capitalista e de suas consequências na vida da humanidade. Reiteramos: a Igreja Católica, com as denúncias do Papa Francisco, está tratando de uma realidade que não tem instrumento de superação desde o púlpito, porque isso sempre toca a um aliado desde o campo da classe abastada. Mas não deixa de ser um valioso instrumento de luta pela maneira que incorpora centenas de milhões de seres humanos no debate sobre esta realidade do mundo – não o que é divulgado pela mídia, inclusive pela revista “Charlie Hebdo”, e sim o que o imperialismo faz na Síria, na Ucrânia, Palestina, Somália, Iêmen, Iraque, Afeganistão, Líbia etc…

O sistema range e começa um caminho de desintegração em sua estrutura mundial. Os EUA, como cabeça do sistema, percebe isso, estende seus tentáculos pelo mundo, e está se preparando a uma resposta massiva que virá, também, de todo o mundo. Precisa ter os motivos que justifiquem sua ação naquilo que é seu tendão de Aquiles: O POVO DOS EUA E SEU DESEJO POR PAZ. Por isso organizaram o 11 de setembro em Nova Iorque, a “Farsa Macabra” (ver Resolução da IV Internacional, de 12/11/2001), com o assassinato nas Torres Gêmeas, inventaram o embuste das “armas de destruição em massa” no Iraque, um país que foi destruído, massacrando-se um milhão de seres humanos. Na Palestina, assassinam todos os dias a população cuja única reivindicação é o direito de viver em paz em suas terras, o mesmo que na Síria, Líbia, Somália e no chifre da África, como na América Latina. Este golpe contra a humanidade, na França, tem o objetivo de destruir o caminho da fraternidade, da solidariedade e da liberdade.

Condenar este atentado sem especificar seus objetivos e seu conteúdo seria tão criminoso quanto o próprio ato em si. Por isso é que, desde as organizações sociais, sindicatos, partidos democráticos e revolucionários, instituições culturais, religiosas, militares e profissionais, é preciso assumir como necessidade de vida, a contenção e derrota desta escalada que pode ter um fim desastroso à vida do ser humano, à natureza e à nossa relação com o cosmos.

O objetivo é derrotar à humanidade no curso de reconstrução de sua história. Nós, desde nossa revista CONCLUSIONES, sem medo e com muita convicção, afirmamos que estas ações, ora abertas, ora veladas, do imperialismo, tem como fim interromper o avanço rumo a NOVA SOCIEDADE SOCIALISTA.

L.C.                                                      10 de janeiro de 2015.

www.revistaconclusiones.org

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FRENTE AOS DERROTISTAS DE SEMPRE, CUBA VENCERÁ

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León Cristalli – 27/12/2014

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Quem pode chegar a pensar, a não ser se for desde o campo do imperialismo, que já está concretizado o objetivo de retroagir Cuba Estado operário suigéneris ao sistema capitalista? Na realidade, não chega a precisar de muito cérebro para se concluir que “ah! O imperialismo quer retroagir Cuba ao capitalismo”.

Descobrir que os seres vivos, de sangue frio ou quente, se não respirarem, mesmo os que o fazem com brânquias, acabam morrendo, não chega a ser nenhuma novidade, nem nas ciências específicas nem na que a humanidade pratica, como norma de vida. Não queremos parodiar nenhum revolucionário honesto que vê, nos outros, os seus próprios medos, ignorando, assim, o curso da história da civilização e da luta de classes e nem enxergando também os povos e sua fortaleza. Mas o perigo disso, quando menos, é semear o pessimismo e, daí, a deserção dos progressos que a humanidade realizou no curso de sua história. É querer encontrar “pêlo em ovo” em um caminho em pleno desenvolvimento.

Os que só enxergam o “plano imperialista” lembram (ou são mesmo) aqueles que, no começo dos anos 90 do século XX, faziam autópsias da URSS, e aconselhavam visitar logo Cuba socialista, “porque logo iria acabar” etc… os que se sentiam paralisados pela simples e passageira derrota eleitoral na Nicarágua. Não viam o que a IV Internacional (posadista) analisou em documento publicado em fevereiro de 1990: que era apenas uma expressão da política de Mikhail Gorbachov, na URSS, que trilhava o caminho da entrega do Estado Operário soviético, junto a uma condição acumulada de erros políticos da direção sandinista (FSLN), que permitiu aflorar “a solidão das urnas”.

E esse sentimento derrotista fica mais fora de contexto hoje, agora, quando – e não “por enquanto” – a luta dos povos e dos governos nacionalistas revolucionários, populares e democráticos está derrubando o sistema imperialista mundial, contra toda exploração do ser humano. Um processo que tem como expressão o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com 49,7% da população mundial e uma força econômica que produz 27,8% do PIB mundial, e que, se somarmos os países da CELAC, aumentaria uns 20% nesse cálculo. Quando estas forças já estabelecidas na escala mundial da produção e da produtividade da sociedade tem sua base ao interior do sistema capitalista, que não pode negá-las, porque formam parte de seu próprio desenvolvimento, isso é a rebelião das forças produtivas, que temos analisado há 20 anos. Essa previsão de “volta de Cuba ao capitalismo em pouco tempo, com a criação de uma burguesia cubana” parte de quem vê só a superfície, e não o conteúdo da história. Na realidade, retratam seus próprios medos existenciais: temores de quem considera teoria sem prática. Karl Marx analisou que a teoria se constrói desde a prática, de maneira materialista dialética, no curso histórico.

A revolução cubana, seu povo e direção política e de governo têm sido consequentes consigo mesmos há 55 anos. É impossível a consecução do “socialismo em um só país”, mas eles desenvolveram uma concepção socialista de sociedade, pois tem como objetivo a sua construção. Primeiro, contando com a existência da URSS e do chamado “campo socialista”, e, depois, apoiando-se no curso revolucionário da história.

Localizar Cuba como em um processo de deserção desta concepção – que é estrutura social da imensa maioria do povo cubano, inclusive de sua juventude – é um desrespeito a uma conquista histórica que tem sido saudada por governos nacionais, populares e revolucionários do mundo todo.

Fundamentalmente, quando menos, é resultado de uma imbecilidade a mais vinda dos tais “analistas do óbvio”, os quais, quando não vem tudo já mastigado pelo curso objetivo, botam os pés pelas mãos e se esvaem como barro, ou como merengue, como diria Fidel. O povo cubano mostrou que a teoria da revolução permanente de León Trótski se desenvolveu, se afirmou solidamente, no medular da sua consciência. Daí provêm o pensamento do “Che” Guevara sobre o imperialismo: “não se pode confiar nem um tantinho assim no imperialismo”, que é hoje um guia de ação do melhor do povo de Cuba.

Este é o Exército Revolucionário que a ultradireita tanto teme: EXÉRCITO DE MÉDICOS CUBANOS PARA TAREFAS DE SOLIDARIEDADE INTERNACIONALISTA

Este é o Exército Revolucionário que a ultradireita tanto teme: EXÉRCITO DE MÉDICOS CUBANOS PARA TAREFAS DE SOLIDARIEDADE INTERNACIONALISTAS

O imperialismo está vivendo uma crise, em seu conjunto, superior à crise de 29 e 30 do século XX. A política das empresas transnacionais de planificação mundialmente de sua produção, que eliminou dezenas de milhões de postos de trabalho dos EUA, está em crise, o que o controle ditatorial que o Estado imperialista exerce sobre seus cidadãos. Cria-se uma situação de instabilidade social que se expressa, entre outros efeitos, nos repetidos assassinatos massivos em escolas, universidades ou empresas. Como também em um incremento das políticas e ações racistas contra negros e latinos. A disputa pelo trabalho, a manutenção de uma fonte segura de salário dos trabalhadores, caminha junto com a política de corte de direitos e conquistas trabalhistas, que engloba redução de salários, como também de acesso a serviços de saúde contra milhões de trabalhadores aposentados. Uma política de flexibilização laboral está em vias de aplicação nos EUA, em relação à qual Democratas e Republicanos fingem que não é com eles. Isso é uma estratégia para tentar reincorporar ao mercado nacional de trabalho as empresas dos EUA atualmente instaladas principalmente na China, mas também em outros países da Ásia e outros em que se pagam baixos salários, sem regulação trabalhista. O imperialismo precisa alcançar um tipo de paz social interna que lhe permita reinstalar indústrias importantes, apoiando-as com novas tecnologias de produção e produtividade.

Em síntese, o imperialismo precisa ganhar tempo para enfrentar a luta de classes e seus novos aliados: os governos nacionalistas, populares, revolucionários. Aí estão os BRICS, com a Rússia de base soviética; aí está a China Popular, uma sociedade que, apesar dos pesares, segue sendo uma República popular, dirigida pelo Partido Comunista, com uma população que avança em reivindicações internas, encurralando os setores pró-capitalistas. Frente a esta rebelião, o imperialismo precisa se acomodar internamente: o reatamento diplomático com Cuba é uma clara tentativa de se credenciar com o seu povo, que não é um governo imperialista nem reacionário, mas, enquanto isso, rearmam seu complexo econômico e militar.

LEÓN TROTSKY e a REVOLUÇÃO PERMANENTE

Mas este curso foi previsto e analisado, em termos de literatura, “desde o fundo da história”, por León Trótski, com análise certeira em base a sua teoria da “Revolução Permanente”, que é uma aplicação, em tempo e espaço, desde 1904/05, do pensamento de Marx e Engels, cujo eixo era a noção de que não há possibilidade de “socialismo em um só país”. Isto permitiu que, logo da fundação da IV Internacional e seu “Programa de Transição”, em 1938, se desse resposta à deserção da III Internacional pelo stalinismo, além da previsão de que estalaria a II Guerra Mundial, e em relação à qual era necessário desenvolver uma política que superasse a crise de direções revolucionárias da humanidade, pela aplicação prática da luta de classes no mundo.

Uma análise que armou o melhor dos Partidos Comunistas e Socialistas, os intelectuais do mundo, para que a guerra não fosse o fim de tudo, mas sim para que dali surgissem os que reconstruiriam o mundo. Afirmou: “seremos milhões!”. E assim foi: com o desenvolvimento de novos Estados Operários, o surgimento de Estado Revolucionários, e também em direções revolucionárias, como J.Posadas (Homero Cristalli), na Argentina, discípulo de León Trótski, proletário de origem, mestre dos mestres em base ao seu estudo autodidata do marxismo, continuando Trótski e aplicando sua teoria à etapa posterior à II Guerra Mundial em que, derrotado o nazismo, se desenvolveriam movimentos nacionalistas revolucionários em todo o mundo.

J.Posadas desenvolve a aplicação da concepção materialista dialética naquela etapa e nesta etapa, plenamente vigente, que concentrou em seu trabalho “Do Nacionalismo ao Estado Revolucionário e ao Estado Operário”.

Essa compreensão permitiu a J.Posadas intervir em Cuba, em 1960, em pleno Festival Mundial da Juventude (em uma época em que a revolução cubana nem de longe era unanimidade), defendendo que Cuba dava o salto adiante no rumo do Estado Operário se expulsasse o imperialismo, estatizasse as principais indústrias da cidade e do campo, as finanças e os bancos nacionais e imperialistas, assim como realizasse o Monopólio do Comércio Exterior. Nunca escreveu, nunca afirmou que “Cuba estava sozinha”, nem que sua direção – que estava progredindo, a cada segundo, no campo da luta de classes – iria fracassar ou que o povo cubano seria derrotado. Pelo contrário, festejou em La Habana os progressos enormes de “Che” Guevara, de Fidel e dos camaradas do 26 de Julio.

OS DERROTISTAS DIZIAM, em 1990: FIM do SOCIALISMO, da URSS, e, em MESES, de Cuba.

Assim diziam os auto-teóricos do marxismo. Reiteramos: uns de boa fé, outros por insuficiência de sua capacidade de análise, por não viverem dentro da luta de classes, mas sim “intelectualmente”. No fim das contas, a base da deformação teórica destes derrotistas de ontem, de hoje e de amanhã, é o curso degenerativo da Revolução Russa de 1917, depois da morte de V.I. Lênin, quando a primeira revolução proletária e camponesa triunfante não pôde se estender mundialmente, junto à reação da burocracia administrativa do Estado e de setores intelectuais do Partido Bolchevique, que afrouxaram e acabaram se submetendo ao que se construiu ao redor de Josef Stálin

Plekhanov abre o caminho ao pensamento de Karl Marx, expressando que “a vida económica se desenvolve sob a influência do incremento das forças produtivas”. Explica porque as relações que existem entre os homens se transformam e, com elas, o estado psíquico humano. É Karl Marx, no prefácio ao seu livro “Crítica à Economia Política”, que afirma: “Em certo grau de evolução, as forças produtivas da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes no seio desta sociedade. Ou, em termos jurídicos, com as relações de propriedade, no quadro das quais aquelas tinham evoluído. De formas que favoreciam a evolução das forças produtivas, as relações de produção se transformam em cadeias para esse desenvolvimento. Começa, então, uma época de revolução social. Com a transformação da base económica, toda a formidável superestrutura edificada sobre ela se transforma em um ritmo, ora lento, ora acelerado”. Aqui está o centro do pensamento marxista.

Marx afirma que “nenhuma formação social desparece antes que se tenham desenvolvido todas as forças produtivas que nela encontram ampla cabida, nem se estabelecem jamais novas relações de produção, no lugar das precedentes, enquanto as condições materiais indispensáveis a sua existência não tenham amadurecido no seio da velha sociedade”. É que a humanidade nunca se coloca problemas que já não possa resolver, já que, olhando a questão de perto, se constatará que “o problema não se apresenta a não ser ali onde as condições necessárias à sua solução já existam, ou já estejam, pelo menos, em vias de surgir”.

Vejamos desde o campo do materialismo dialético, ou seja, do marxismo – que alguns dizem esgrimir, mas como machado enferrujado e sem fio –, quais são as condições do campo capitalista, especificamente do imperialismo, sua cabeça mundial: uma verdadeira inflação monetária gigantesca, quatro vezes o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, e em proporção quase igual na Inglaterra, França e mesmo na supostamente “potente” Alemanha de Ângela Merkel.

Acumulação de bens de capital, concentrados nas instituições financeiras do sistema que derrotaram o capitalismo de três séculos atrás (“revolucionário”, por seu papel de superador do feudalismo), num processo que Marx analisa assim em seu tempo e espaço: “Temos uma álgebra puramente materialista da evolução social. Nesta álgebra, há lugar para os saltos – da época de revoluções sociais –, assim como para as transformações graduais”. Aí explana as mudanças para novas formas de produção, e agrega: “Os modos de produção oriental, feudal e burguês contemporâneo podem ser considerados de maneira geral como épocas consecutivas (progressivas) da evolução econômica da sociedade”. A que abriu caminho ao capitalismo foi a sociedade feudal, e seu atrasado modo de produção. Em Cuba, o imperialismo oferece ao povo cubano uma forma superior de propriedade, de produção e de distribuição?

Na realidade, existem os que, auto proclamando-se gramscianos, esquecem a base do pensamento de massas de Gramsci: quebrar a “hegemonia da burguesia” sobre a sociedade. Uma condição que foi desenvolvida amplamente na sociedade cubana, mesmo quando possa – em base a erros ou limitações que o curso objetivo da história impôs a Cuba – existir um setor social que não foi assimilado pela nova sociedade em construção. Em Cuba, em mais de meio século de revolução, mesmo com mil e uma contradições em seu desenvolvimento econômico, o povo cubano, em sua imensa maioria, defende a revolução. Mesmo quando ficam à espreita setores pró-capitalistas, burocrático-administrativos, junto a uma reduzidíssima porção lumpen, produto não da revolução nem de seus erros e acertos, mas do fato de que não há possibilidade alguma de desenvolver uma nova sociedade socialista em um só país. Portanto, o país sofre, fica parcialmente condicionado ao que exige a luta pelo desenvolvimento nacional e as contradições do curso mundial da economia e da sociedade.

O BRICS NÃO É SÓCIO DO IMPERIALISMO

Nós temos defendido que o BRICS é uma expressão deformada, tanto quanto necessária, da evolução da economia, suas contradições e, finalmente, de seu antagonismo com o desenvolvimento que as forças produtivas exigem hoje. Descrevemos há mais de 25 anos que o desenvolvimento da tecnologia aplicada à produção gerou o que qualificamos de “mais valia concentrada”. O capital se nutre desse sangue que flui como rio transbordado, que em um determinado momento rompe as margens e se espalha sem controle. Esta é, em nossa análise, a “rebelião das forças produtivas”. O rio não cabe mais nas “margens” sociais distributivas lógicas, reduzidas ainda pela concentração capitalista e cuja vazão está cerceada pela única eclusa aberta à frente: o capital financeiro.

O BRICS acaba então competindo com o sistema imperialista financeiro. Mesmo não se desprendendo do sistema capitalista, precisa estender-se mundialmente com novas formas concretas de cooperação produtiva e comércio distributivo. O pilar deste curso não é a Índia, desigual em seu desenvolvimento, mas sim a China e a Rússia (pseudônimo atual de URSS), que impulsionam o yuan e o rublo como moedas de intercâmbio, deixando o dólar “na solidão” dos entes financeiros, porque ao mesmo tempo que vai se concentrando bilionariamente, também vai perdendo espaço na sociedade humana. Reiteramos que 49.7% da humanidade já integra o BRICS, um acordo que terá necessariamente que dar batalha no campo da economia mundial contra o imperialismo. Assim, não é sócio do imperialismo, mas sim seu principal adversário. É aí onde nós, os posadistas, defendemos que os BRICS, apesar de não ser uma economia “concorrente com o sistema” – como era a URSS e os Estados Operários –, no seu desenvolvimento acabará enfrentando, de outra forma, o capitalismo imperialista e, portanto, acabará “concorrendo com ele”.

Um exemplo das mudanças revolucionárias da nova correlação de forças no mundo é a posição do presidente V.Putin sobre a “doutrina militar da Federação Russa”, adotada há uma semana no Conselho de Segurança da Rússia, quando modifica o ponto 27, dando-lhe uma nova versão que diz que “a Federação da Rússia se reserva o direito de utilizar armas nucleares em resposta a ataques com armas nucleares ou outras armas de destruição em massa, contra a Rússia e/ou seus aliados, assim como no caso de uma agressão à Federação da Rússia com armas convencionais que suponha uma ameaça à existência do Estado”. Esta determinação não é circunstancial nem superficial, é estrutural, e responde à necessidade da defesa da Rússia soviética, tanto como de seus aliados, entre eles, sem dúvida, Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Síria etc…

É preciso ter isso em conta como parte do acordo diplomático entre Cuba triunfante e EUA derrotado, depois de 55 anos de uma política de agressão tanto permanente como fracassada nos âmbitos político e social. Então, em quê se pode sustentar uma análise séria de que se abrem as portas, em pouco tempo, à restauração da burguesia cubana e do capitalismo em Cuba?

Análises, em perspectiva, quase catastróficos sobre o “acordo” entre Cuba e EUA estão sendo prognosticados pelos “elaboradores teóricos” de uma esquerda de boteco, para além da honestidade intelectual ou não de seu erro, em nossa opinião. Catastrofistas que se preparam para retirarem-se a seus quartéis de inverno, ou à “resistência heróica”, que é justificativa de um curso que não compreendem, quando, de fundo, estruturalmente, vivem superficialmente o curso revolucionário da história da luta de classes.

Em última instância não fazem mais que festejar idealistamente certos acontecimentos do devir da sociedade como fatos consumados, ou, na outra face da mesma moeda, seu pensamento não avança além de prognosticar, no curso revolucionário de Cuba, o dilúvio prévio à desaparição da revolução. Mostram-se propensos a alimentarem-se dos ingredientes com que se nutrem as campanhas midiáticas ou de Guerra de 4ª Geração imperialista. Não analisam as raízes culturais e o papel das classes, tão determinantes, como, por exemplo, nos problemas e obstáculos posteriores à derrota imperialista no Vietnã e as condições em que o povo revolucionário teve que se sustentar na construção do Estado Operário “sui géneris” vietnamita. Obstáculos como os assassinatos, durante a guerra, de milhões de seres humanos integrantes do povo do Vietnã, a política da burocracia ex-soviética na URSS, o papel contrarrevolucionário, em determinado momento, da direção política da China (isso foi analisado em memorável texto de J.Posadas sobre o papel contrarrevolucionário da burocracia chinesa daquele momento). Logo, os golpes contrarrevolucionários nos Estados Operários da Europa Oriental, junto à formal desaparição da União Soviética durante uma década.

Não é a mesma condição atual no mundo hoje, quando Cuba enfrenta e derrota social e culturalmente o imperialismo.

Marx explicou que “se, por um lado, os homens são produto do meio, este é, de outro modo, modificado precisamente por aqueles”. Marx explicou de que maneira o “meio” pode ser modificado pelos homens, produtos, por sua vez, desse mesmo meio. São as condições de produção as que, independentemente da atividade humana, e não de forma automática, vão certamente se refletir em Cuba, na melhora das relações de intercâmbio com o sistema capitalista. Cuba não pode se independentizar totalmente como em grande parte o fez, antes, com o intercâmbio com a URSS. Por sua vez, Marx deixa claro que são estes mesmos homens os que estabelecem, no curso, o processo de sua atividade.

O imperialismo não pode oferecer ao povo cubano outra coisa além da desintegração social que vive os EUA. Ainda que possam entrar na economia cubana créditos ou investimentos financeiros (político-financeiros, pelos seus objetivos), com escassas possibilidades de retorno. Podem meter milhares de TVs de plasma, máquinas de lavar roupas etc… mas não poderão quebrar a cultura já desenvolvida, em várias gerações, pelo povo cubano, e por sua direção política, nas ruas e desde o governo revolucionário. O que sim vai aparecer, e com muita clareza, é o papel da burocracia conservadora que se nutriu nestes anos difíceis do Período Especial. Uma burocracia cuja certidão de nascimento vem de muito antes, quando já “Che” Guevara a combatia com toda força tanto na Ilha quanto também na URSS e nos chamados Estados Socialistas da Europa, às quais ele denunciava como “burocracias parasitas”.

O PAPEL DOS ORGANISMOS DE MASSAS, O PARTIDO COMUNISTA, SINDICATOS, CDRs, COMUNAS E MUNICÍPIOS

Nesta etapa irão se reempoderar os organismos de massas cubanos. As melhoras que podem acontecer no âmbito econômico e como isso influirá na vida cotidiana da população não necessariamente tem que ser abordado como “processo contrarrevolucionário”. Mesmo partindo da hipótese – ao menos até o momento de escrever essas linhas – de que o imperialismo vai se mobilizar pra “investir” em Cuba, tentando minar a estrutura de sua economia e, daí, assumir um papel de “direção política”.

Agora é preciso ter em conta dois fatores centrais:

1) O imperialismo, em nome do capitalismo mundial, logo que Bóris Yeltsin assumiu na Rússia, investiu bilhões de dólares, em uma gastança da mais-valia mundial, para afirmar um suposto triunfo do capitalismo. Nestes anos de 1990, os posadistas já escrevemos onde ia acabar esses investimentos: em pura perda para o sistema, dado o caráter irrecuperável destes investimentos. O essencial foi que o povo soviético não tinha mudado de Estado. O que tinha acontecido é que a condução política burocrática tinha se trasladado a um estado de limbo: nem era mais burocracia parasita do Estado Operário, como antes, nem tinha se transformado em capitalista, burguesa.

2) O sistema capitalista mundial esperava “festejar” o fim das ideologias, o fim do socialismo e da história, com o triunfo do capitalismo. Ficou 10 anos investindo e sustentando uma direção pinguça, e ideológica e humanamente parasita que, no final das contas, foi desalojada (em 2000), desde dentro do próprio aparato de Estado, fracassada em sua intenção de involucionar a Rússia, na contramão da história e do povo soviético. Assim, o capitalismo só conseguiu, depois de tudo isso, o apoio de 20% do povo, mesma proporção minoritária que hoje não apoia Vladimir Putin e sua política econômico-militar.

Fidel e Che

Cuba nunca esteve nem nunca estará sozinha, não só porque como povo se fez merecedor desta relação com o resto da humanidade, mas também porque foi metodológica e culturalmente avançando em construir relações de uma sociedade superior ao capitalismo, em vias à construção socialista. Um avanço que não se compra no “shopping do capitalismo”, mas se constrói e se adquire em base a novas relações sociais. Essas relações das quais nos falavam Marx-Engels-Lênin-Trótski e J.Posadas.

O curso exigirá uma maior vida política, de ida e volta, da direção do Governo revolucionário, com o Partido Comunista Cubano, com a CTC (Central de Trabalhadores de Cuba), os sindicatos, os CDRs (Comitês de Defesa da Revolução), a direção dos municípios. Longe de distanciarem-se do curso da história, aos camaradas cubanos lhes é dado enfrentar uma nova realidade, partindo de que o imperialismo não abandonou seus planos de agressão permanente, que inclui invasão, somada a tentativas de afrouxar desde dentro o Governo revolucionário.

A principal democracia é a que resolve os direitos humanos e políticos do povo, a que supre as necessidades da sociedade em seu conjunto. Cuba alcançou isso, e conseguiu manter essa conquista mesmo após a desaparição formal da URSS, com a instalação do “Período Especial”, que os posadistas apoiamos com um documento lido pela Rádio Reloj, e distribuído publicamente, participando que estávamos em Cuba daquele 26 de Julho de 1993, à tarde. E há precedentes históricos com que se comparar: o período de contrarrevolução que a primeira revolução proletária triunfante da história da humanidade, na Rússia, teve que suportar. Em 1917, a Revolução Russa, Bolchevique, foi posta à prova – como nenhuma outra revolução e povo –, durante 4 anos, quando tinham que dividir pão preto com café sem açúcar, como fez o próprio Lênin e a direção bolchevique. Depois, na segunda guerra mundial, após derrotar a invasão nazista, estendeu-se por toda Europa, apesar das traições do stalinismo.

Cuba revolucionaria não chegou àqueles extremos, mas teve que sofrer um bloqueio comercial que ainda não foi suspenso. Mesmo assim, o povo passou por cima do imperialismo e seus sequazes de toda laia: não cedeu à sedução que muitas vezes o sistema capitalista mundial desenvolveu. Pelo contrario, foi e é suporte de confiança social e política para os governos progressistas, nacionais e populares que existem, principalmente na América Latina. Cuba revolucionária é parte da luta independentista de mais de um século e meio, nesta “nuestra América”, como dizia Martí. Cuba se manteve com bravura na defesa dos ideais de liberdade social, para construir uma nova sociedade, não só nacional, por isso a Constituição de Cuba é socialista já desde seus primeiros parágrafos.

Os que, “pirinchando” o céu[1], tremem frente ao imperialismo e só veem derrotas e involução em Cuba, só olham no espelho dos próprios medos existenciais. O que não entendem é que a expressão máxima de resistência e luta do povo cubano e de sua direção nem é Praia Girón, nem a crise dos mísseis[2], mas sim a segurança, a confiança de que já começaram, e avançaram – superando mil problemas – a trilhar o caminho de construção de uma nova e superior sociedade. Como afirmam Marx e Engels: nenhuma sociedade se propõe algo que já, em seu interior, não o tenha resolvido.

León Cristalli

Diretor da Revista Internacional “CONCLUSIONES”                                     27/12/2014

conclusiones@yahoo.com  /  www.revistaconclusiones.org

Matheu 76, (1082) CABA- ARGENTINA. Tf.( 011 ) 4952.3623

[1] Poesia “El Orejano”, do uruguaio Serafím J. García: “y digo ande cuadre que pa`nada sirven los que solo viven pirinchando al cielo”.

[2] Crise dos Mísseis: conflito entre os EUA, URSS e Cuba, em outubro de 1962, com base na instalação de mísseis nucleares soviéticos em território cubano.

O “Relojoeiro” Gorbachov

Gorbachov y Reagan

Gorbachov: “EUA precisa de uma perestroika”

O primeiro presidente soviético, Mikhail Gorbachov, concedeu uma entrevista exclusiva par ao programa SophieCo, do canal RT, em que falou sobre sua atitude em relação à política dos EUA e a situação atual no mundo.

Segundo Gorbachov, as principais potências do mundo, entre elas a Rússia, devem ter como fato a existência dos Estados Unidos.

“Estados Unidos tem certos direitos para dizer certas coisas e tomar algumas decisões que são de interesse mundial”, disse o primeiro presidente da URSS, marcando que se os EUA querem ser um líder, não devem pretender sê-lo de maneira solitária.

“Eles querem ser líderes, e podem ser, mas em associação com outros países, porque a liderança atualmente só é possível em conjunto. Uma liderança de associação ou coletiva”, disse o político.

No entanto, Gorbachov também afirmou que os estadunidenses não querem as guerras em que seu governo se envolve, mas os cidadãos se encontram dentro de um sistema em que se desenvolveram mecanismos difíceis de modificar. “Necessitam de uma perestróika. Reafirmo isso agora mesmo”, expressou o ex-presidente.

Ao se referir à prática de Washington de passar a responsabilidade de seus atos terceiros, em particular no que se refere à resolução da crise da Ucrânia e suas afirmações contra a Rússia, Gorbachov afirmou que esse é o “estilo dos EUA”, e que as evidencias sobre a inocência dos EUA os meios de comunicação sempre tem prontas, levantando guarda para proteger os interesses do Estado.

“Este é o estilo dos EUA, o de terceirizar a responsabilidade. A imprensa se encarrega de tudo. Demonstram qualquer coisa”.

Fonte: rt.com

O RELOJOEIRO GORBACHOV, SEU PAPEL POLÍTICO E A FICTÍCIA CRISE DO PREÇO DO PETRÓLEO

León Cristalli, diretor da Revista Internacional CONCLUSIONES

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Nós não denegrimos em absoluto nenhum ser humano. Não só porque não é nossa intenção, mas também porque não tem valor construtivo para o progresso da humanidade e sua história de construção de milhões de anos. Por isso, a qualificação da função de “relojoeiro” da história para desconstruir a URSS do sr. Mikhail Gorbachov foi determinada inteiramente por fatores sociais e políticos. Essa era e é atualmente a função deste renegado do Estado Operário soviético. Sua chamada “Perestróika” foi a quinta coluna metida em uma “Glasnost” com a qual, aí sim, se abria caminho ao curso de “regeneração parcial do Estado Operário Soviético” (J.Posadas). Uma análise com conclusão e qualificação final que fizemos desde 1986, na medida em que pudemos ter as ferramentas concretas nas quais apoiar o que já era uma previsão anterior do BLA (Burô Latinoamericano) da IV Internacional (Trotskista-Posadista).

Por isso não deve surpreender ninguém esta “reaparição de Gorbachov com reanimação oxigenada desde o centro do capitalismo mundial, apoiado pelos EUA e Inglaterra em particular”. Sua função não é individual, ou particular, ela expressa claramente a função da burocracia, do parasita social, na vida do Estado Operário degenerado pelo stalinismo. Gorbachov é só essa expressão, seu papel era e é o de construir uma ponte com o capitalismo, desarmando o Estado Operário. Era e é representação dos setores da burocracia que perderam até mesmo sua ligação natural, de origem, com a estrutura do Estado Operário. Já não esperam nenhum “benefício” particular ou coletivo como parasita nas veias e no sangue da Revolução de Outubro.

PERESTROIKA” PARA O CAPITALISMO?

Gorbachov y TatcherO que significa propor uma “perestróika” para o capitalismo? Ainda falta fazer o balanço da que ele aplicou na URSS e levou à sua desaparição formal; quando fez aliança de camadas da burocracia parasita para chegar pelo caminho mais longo, mas mais seguro, ao desmanche da URSS e seu papel de “farol que iluminava o mundo”, como definiu Lênin. Uma condição reacionária que podia desenvolver se apoiando no caráter parasitário da burocracia, como analisou Trótski, um setor social parasita da sociedade e do Estado, que nem sequer pode se tornar burguesia, porque não tem um papel na história. É o limbo em que caem as direções que não desempenham seu papel na história.

Propor uma suposta “perestróika” para o capitalismo é negar sua condição histórica de classe e o que ele representa na sociedade, sua economia política e cultura. Por isso Gorbachov é visivelmente débil, submisso ao imperialismo, reconhecendo seu “papel de líder”. Isso mostra o pensamento decadente e finalmente parasitário deste burocrata que, em nome da paz, acabou protagonizando a entrega do melhor que a humanidade já deu: o primeiro Estado Operário da história. Por isso sua proposta sobre o papel dos EUA nesta etapa, tentando dar fôlego a ele em sua queda cada dia mais pronunciada, é uma proposta “política” que passa por cima da luta de classes no mundo, e também das economias emergentes e concorrentes à capitalista, como a dos BRICS, da ALBA etc… que, mesmo ainda mantendo as relações de produção e de classe do sistema, já começaram a competir, não como “outro imperialismo”, mas sim como novas e revolucionárias formas de desenvolver a economia no progresso social. Basta olhar a intervenção da China Popular, e da Rússia com a Argentina e outros países, como Venezuela, Bolívia e Equador, que não tem nada a ver com as transnacionais imperialistas.

A FICTÍCIA CRISE DO PREÇO DO PETRÓLEO

Crisis Fictícia Petróleo

Esta crise (?) pelo preço do barril do petróleo é absolutamente fictícia. Responde diretamente a uma ação político-militar do imperialismo. Este, com pânico de lançar uma III Guerra Mundial contra a humanidade e o progresso do socialismo, busca uma saída que não o enfrente diretamente e militarmente, mas sim pela via do desgaste ou crise da economia de seu inimigo de classe, que são os povos do mundo, da Rússia de base soviética, da Venezuela revolucionária, do Irã e sua revolução islâmica socialista etc… Uma guerra política, econômica e militar que sabe que vai perder, devido à equivocada análise e conclusão estratégicas de curto alcance do curso da história em que se basearam, dando como efetiva a desaparição da URSS, do Exército Vermelho e uma suposta claudicação da República Popular da China. Análises que se expressaram nos fukuyama e outros teóricos do sistema que anunciaram há 25 anos o fim das ideologias com o “triunfo do capitalismo”.

Esta orquestrada queda do preço do petróleo é pra pressionar as burguesias do mundo, forçando-as a centralizar-se no imperialismo, que claramente perdeu autoridade política com esse setor. É a tentativa de subjugar, pelas vias da economia, a Rússia, o Irã, a Venezuela etc…, como fez antes pela via militar com o Iraque e a Líbia, outros grandes produtores de petróleo. Para isso criou os “fundamentalismos”, como ISIS, antes o Alqaeda e o próprio autoatentado às Torres Gêmeas. Mas esta ação de sabotar o preço do petróleo é uma medida perigosa, porque afetará diretamente o funcionamento da economia mundial capitalista, porque o petróleo é a fonte produtora de energia em que se move o mundo hoje. Uma mudança em seu valor traz consigo uma infinidade de “distúrbios” quando não colapsos no funcionamento financeiro mundial.

Por isso a pressão é sobre os países que tem uma parte central na produção petroleira. Mas sobre quais cálculos o imperialismo atua, mesmo ocasionando perdas de bilhões de dólares às transnacionais, às 7 Irmãs e algumas primas, neste “investimento” para derrotar este inimigo que considerou derrotado? O sistema capitalista mundial acreditou ter derrotado o socialismo (ver texto de JH/LC da época), quando na verdade o que ocorreu foi a queda da burocracia soviética, mas não do povo soviético e suas forças armadas, que mantêm toda a estrutura – também na maioria da economia em poder do Estado – do Estado Operário. Putin é uma expressão disso. Não consideravam um Exército Vermelho, criado por León Trótski, que nunca assassinou o povo soviético, como sim sempre fizeram os exércitos ianques de ocupação em todas as partes do mundo.

O imperialismo hesita em lançar a guerra geral e então a lança parcialmente, na Síria, na Palestina, em Honduras, na Ucrânia etc… Mas recebeu a resposta da humanidade de mil maneiras, e de forma concreta pela ação do Exército Vermelho, que o freou e derrotou socialmente, alcançando as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, ou na Síria, onde o imperialismo achou que seria um passeio e acabou tendo que construir um exército islâmico falso etc… como a crise de seu aliado estratégico em Israel, onde a luta interna por não cumprir o papel de mão assassina do imperialismo enfrenta os interesses nacionais de uma burguesia israelense.

Tudo isso é parte desta ação político-militar da fictícia queda do preço do petróleo. A firme posição da Rússia, do Irã e da Venezuela, com a intervenção da República Popular da China, e outros governos da área progressista e revolucionária no mundo, se opõem ao imperialismo com uma realidade que não é propícia para o seu “plano financeiro” e menos ainda para a sua ação militar. A reaparição de Gorbachov em meio a isso é parte de sua velha função, e também uma mostra de debilidade do sistema capitalista mundial.

Por isso este é um “sonho de uma noite de verão” deste burocrata que rapidamente se aggiornó ao capitalismo e agora tenta lhe dar uma perspectiva, que não é a mesma coisa que salvá-lo, porque aí não tem nenhuma “tábua de salvação da história”. A tal “perestroika”do capitalismo se confronta com a Aliança da Luta de Classes e a Rebelião das Forças Produtivas previstas por Marx e Engels.

O PROGRESSO REVOLUCIONÁRIO NÃO É PERESTRÓIKO

Milicianos Donetsk

Milicianos em Donetsk (2014)

Gorbachov foi e é – e por isso é sustentado pelo sistema capitalista – a ponte entre o partido e as camadas tecnocratas da URSS, unidas pelo medo estrutural ao comunismo. O atendimento seletivo de reivindicação de reabilitação de camaradas da direção bolchevique que se fez na primeira etapa de Gorbachov deixou isso claro: o Comitê Central do PCUS aceitou várias reivindicações, mas vetou especificamente a de León Trótski. Ou seja, podia se conciliar com Bukarin, Kamenev, Mikhail Tukachevsky etc…. Era preciso condenar Stálin como maneira de “democratizar perestroikamente” a URSS, mas não se devia, e, portanto, não se podia fazê-lo em relação à estrutura DO PAPEL UNIVERSAL DO ESTADO OPERÁRIO NA CONSTRUÇÃO DA NOVA SOCIEDADE SOCIALISTA.

Na realidade concreta daqueles tempos (fins do século XX), Gorbachov tentou desenvolver uma combinada política de “coexistência pacífica” – para a época, com uma sociedade socialdemocrata, inclusive por trás do pensamento stalinista do socialismo em um só país. Uma sociedade que pudesse imitar os países nórdicos da Europa. Esses que agora estão em crise e começam a virar pó seus conceitos de organização social baseada em um “capitalismo democrático”, que, na história da humanidade, se mostrou tão incongruente com a realidade quanto inexistente em termos de viabilidade real.

A função de Gorbachov, antes e agora, é a de cruzar as linhas necessárias ao progresso da história com as linhas do sistema capitalista, e isso é a conciliação de classes. Por isso Chernobyl foi a obra prima da contrarrevolução na URSS naquele 25 de abril de 1986. E dessa forma denunciamos e publicamos na imprensa posadista, menos na dos hoje ex-camaradas do Burô Europeu. Assim como o caráter “ocasional e insólito” da aterrissagem daquele avião na Praça Vermelha de Moscou. E como tantas outras ações de sabotagem interna à URSS – recordar também o caso do submarino atômico Kursk – do qual este personagem foi, no mínimo, parte passiva da organização.

Esse foi o “desvio transitório do curso regenerativo parcial da URSS”, livro que publicamos naquela época, como outros textos da imprensa posadista. Não se podia evitar esse curso na URSS. A previsão do mestre J.Posadas sobre o curso regenerativo do Estado Operário, em forma parcial, não eliminava a “Revolução Política” prevista por León Trótski, mas sim que a situava em tempos e espaços atuais 50 anos depois e pós II Guerra Mundial, além das guerras parciais que agora existem em várias partes do mundo e seguem sendo o tendão Aquiles do imperialismo e de todas as burocracias. Por isso sai da tumba da história novamente este personagem mais sinistro que Stálin, apesar de sua cara de “bom velhinho”, como aquela outra de “bom burguês”, defendendo um idílico acordo de “coexistência pacífica” do século XXI.

UMA PONTE SEM INÍCIO NEM FINAL E QUE NÃO CHEGA A LUGAR NENHUM

Antifascistas en Donetsk

No dia 7 de abril é fundada a República Popular de Donetsk, com forte presença de militantes antifascistas

Esse é o fundo, a estrutura do pensamento deste personagem, que não teria importância alguma se não representasse interesses poderosos, militares e políticos, afins ao sistema mundial imperialista. Frente à imbecilidade política e voracidade militar do imperialismo, à ignorância da realidade de um mundo em revolução em que está se solidificando a “ALIANÇA MUNDIAL ANTIMPERIALISTA”, onde aparece com força enorme na economia o BRICS e outras formas que vão mudando a estrutura clássica do capitalismo imperialista por uma economia que, sendo transitória, seja por sua vez de transição à nova sociedade, o sistema precisa lançar mão de um Gorbachov cuja autoridade só é reconhecida pelo sistema capitalista e seus oligopólios midiáticos de imprensa, TV e rádio. Não pelo povo soviético nem pelos povos que lutam em todo o mundo pela libertação e desenvolvimento social. Na Rússia, onde não vive já há muitos anos, este personagem midiático não conseguiu organizar nada política nem organicamente afim à sua “política”, porque é repudiado pelo povo soviético, que o vê como entreguista, junto com o sátrapa de defunto Yeltsin.

Escrever essas poucas linhas sobre este senhor e sua “proposta” é, acreditamos, ser justos com a realidade da história neste tempo e espaço. Mas principalmente para que direções honestas, dirigentes revolucionários não caiam no jogo do imperialismo e sua maquiavélica organização midiática e política.

Gorbachov é a expressão e forma concreta da perda da hegemonia mundial do sistema capitalista, que tem que recorrer a personagens como este em sua defesa. Gorbachov ganhou uma primeira “imagem” de anti-ditadura stalininana na URSS em meados dos anos 80 apoiando-se na necessidade correta de liberdades democráticas para o povo soviético, propondo a “Glasnost”, mas para logo incluir a “Perestróika” como perspectiva às mudanças revolucionárias trazidas pela crise de uma burocracia parasitária que, com o processo de desaparecimento de seus “velhos quadros de origem do Estado Operário” e membros políticos do partido, por morte natural ou nem tanto, era a pior de todas as burocracias que então assumia: a burocracia administrativa do Estado Operário Soviético. Coisa que, ademais, vemos e vivemos como um perigo real a todos os cursos e governos revolucionários do mundo na atualidade.

A burocracia é sinônimo de corrupção no capitalismo e nos estados revolucionários, como antes na URSS. Isso não quer dizer que não seja necessária uma “administração” para o funcionamento do aparato do estado “burocrático”. “Burocracia”, no sentido que utilizamos, refere-se a um setor que, aproveitando as debilidades do curso político, assume o papel de direção política e de condução do estado nacional/revolucionário. Trótski escreveu uma infinidade de textos sobre isso e também sobre como impedir tal desenvolvimento em base à independência da classe proletária do aparato do estado, sem que isso signifique estar contra este estado. Por isso Gorbachov utilizou em sentido negativo esta realidade para enfrentar o velho PCUS com seus líderes em minoria absoluta em relação de poder concreto do aparato do Estado Soviético, e dar um “Golpe Brando” (que alguns acham que foi criado pelo imperialismo no século XXI, mas que é aplicado desde sempre na história da luta de classes, interclasses e entre os aparatos da burguesia).

Este e outros personagens tentam construir uma ponte entre a realidade da luta de classes, aliada estratégica da rebelião das forças produtivas, e a continuidade do sistema capitalista sob formas atenuadas, mas sólidas em sua estrutura histórica de classe exploradora. Por isso reconhece as debilidades atuais e propõe acordos reconhecendo valores, lideranças etc… dos EUA e outros (Inglaterra?). Uma política que tem sua base na debilidade congênita do sistema capitalista em sua etapa imperialista, que tem armas de destruição em massa que podem liquidar a vida no planeta Terra, mas NÃO PODEM SUBJUGAR A CONSCIÊNCIA SOCIALISTA DA IMENSA MAIORIA DA HUMANIDADE. 16/12/2014

León Cristalli. Diretor da revista Internacional “CONCLUSIONES”

Leituras de referência:

LENIN – “O Estado e a Revolução”

TROTSKY – “Em Defesa do Marxismo”

J.POSADAS – “A União Soviética, sua função na transformação socialista da humanidade” Edições Ciência, Cultura e Política – 1984 – Edição de 328 páginas

POSADAS / LEÓN CRISTALLI – “O Pensamento Vivo de Trótski”/ “A Perestroika, uma deformação transitória no progresso ao socialismo” Edições Ciência, Cultura e Política – 1990 – Edição de 122 páginas

LEÓN CRISTALLI – “Iraque, a Guerra do Golfo e o Fim da Perestroika” – Edições Voz Proletaria – 1991 – Edição de 42 páginas

LEÓN CRISTALLI – “O fim do PCUS e da burocracia soviética na perspectiva socialista da humanidade” – Edições Voz Proletaria – 1992 – Edição de 62 páginas

Cuba: triunfo da humanidade sobre o imperialismo

León Cristálli – 17/12/2014

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No dia do fechamento da edição de Voz Proletária ocorre a libertação dos três companheiros cubanos presos nos EUA, conquista que saudamos como um triunfo a mais da humanidade sobre o imperialismo e seus planos de militarizar e atemorizar os povos do mundo. Ni un tantico así Che Essa ação de Obama de reatar relações diplomáticas com Cuba depois de 53 anos, mostra A ENORME CRISE DO IMPERIALISMO, e é uma tentativa de ganhar tempo frente ao progresso revolucionário da história, dos povos e na cabeça dos próprios EUA. É, além disso, uma confirmação do papel de Gorbachov, que cumpre a mesma função de antes: tentar desviar o curso revolucionário socialista da história. Por isso entre Obama e Gorbachov há um mesmo fio condutor e uma mesma condição contrarrevolucionária. A paz no planeta terra não se alcança submetendo-se unipolarmente coletivamente a vários imperialismos. Não se trata de quem tem a força do poder militar-industrial-financeiro para decidir a vida e o futuro da humanidade. A consciência social amadureceu, e o que antes parecia utópico é hoje materialmente necessário e possível de se conquistar, sendo essa força poderosa, a força das ideias, que nenhum regime pôde destruir. O capitalismo, há 300 anos, nascia dessa mesma etapa primária do desenvolvimento da ciência e da técnica: hoje o que nasce é o SOCIALISMO. O imperialismo está vivendo uma enorme crise interna e há setores – Republicanos e Democratas – já dispostos a lançar uma guerra em grande escala, mas hesitam porque tem medo do porvir, do futuro que sabem que não lhes pertence. Então tentam ganhar tempo e o acordo com Cuba é isso: é uma LUTA INTERNA em que pesam as lutas dos povos, mas em sentido inverso ao que a direção ianque sente e quer, por isso é um TRIUNFO DO POVO E DO GOVERNO CUBANO. O governo norte-americano e Barak Obama cedem na forma, mas internamente existem os que se preparam – e com poder militar de decisão – para dar um golpe. São os prolegômenos dos JFKennedy desta época. Por isso seguem mantendo ilegalmente a base militar de Guantánamo, tão desnecessária do ponto de vista militar, quanto imprescindível do ponto de vista político, para mostrar ao mundo sua força imperialista. Frente a essa situação, V. Putin reage com uma combinada política de contenção e força, mas mostrando, queiram ou não, que a estrutura do Estado Operário, da URSS, está não só vigente como intacto e em permanente e revolucionário processo de volta às origens. E frente a esta realidade na Rússia e na China, só resta ao capitalismo a “comédia” que, amanhã, pode virar “tragédia”, como disseram Marx e Engels. Saudamos as massas cubanas, soviéticas, vietnamitas, chinesas, venezuelanas, argentinas etc… saudamos a humanidade toda! É uma conquista que as massas do mundo SENTEM E VÊEM COMO UM GRANDE TRIUNFO. Não é nenhum “muro de Berlim” à lá cubana que se cai, mas sim QUE A HISTÓRIA ENCONTRA OS CAMINHOS PARA AVANÇAR, MESMO SEM TER ESSA NECESSÁRIA E PRECIOSA DIREÇÃO COMUNISTA.

BALANÇO ELEITORAL: AVANÇA O BRASIL, AVANÇA A AMÉRICA LATINA

Logo estrela de ladinhoA furiosa reação conservadora à reeleição de Dilma decorre das profundas mudanças que estão em curso no País e na América Latina.

Há uma clara interface nas recentes vitórias eleitorais no Brasil, na Bolívia e no Uruguai. Neste último, a esquerda, representada pela Frente Ampla e pela candidatura de Tabaré Vasquez à Presidência da República, confirmará a vitória no 2º. turno, no próximo dia 30.

As massas latinoamericanas assumem o processo eleitoral como um instrumento seu, de classe, para avançar nas suas conquistas, cortando os laços de dependência com as grandes potências capitalistas e construindo a integração a partir dos interesses da classe trabalhadora. Um processo que reafirma, sobretudo, a perda da hegemonia social do sistema capitalista.

Desde o Golpe de 64, não se via mobilização de segmentos sociais fascistas neste País, como vem ocorrendo principalmente na capital paulista, região com grande influência da burguesia industrial paulista, rentistas, banqueiros e grandes investidores privados do campo e da cidade.

Tomados pelo delírio de viabilizar um golpe empresarial-militar, como em 1964, esses setores tentam histericamente construir um 3º turno da eleição presidencial.

No caso das denúncias de corrupção na Petrobrás, a funcionalidade é dupla: ao mesmo tempo que investem em desgastar o PT e Dilma, buscam abalar a credibilidade de nossa gigante petroleira, uma estatal com potencial de crescimento ainda maior, agora com a exploração dos recursos da camada pré-sal. De forma escancarada, até organismos do aparato estatal dos EUA são usados para “fechar o cerco” sobre a Petrobrás.

O sistema capitalista, em sua fase moribunda, tem na corrupção um instrumento de sobrevida (lembrando que grandes empresas, como a alemã, SIEMENS, possuem dotações contábeis específicas para corromper governos) e aproveita a crise que ele mesmo cria com suas ações corruptas e corruptoras para “faturar duplamente”, solapando a credibilidade de uma Petrobrás, de olho na riqueza petroleira do País.

Não é mera coincidência que, simultaneamente à “onda denuncista”, tenham barrado o Decreto de empoderamento dos conselhos populares (participação social), instrumentos mais eficazes no combate ao desperdício de dinheiro público que a ação dos chamados “órgãos de controle e fiscalização do Estado”.

Conclusão: a grande mídia e as classes dominantes adotam o discurso anticorrupção apenas como uma tática na disputa de classe, inconformados que estão com a quarta derrota eleitoral seguida para a Presidência da República e também com o crescimento da Petrobrás na era do pré-sal, que coloca o Brasil no patamar de potência petroleira mundial.

Construir e Consolidar a Frente de Esquerda

Para enfrentar a desesperada ofensiva da direita (o adjetivo “desesperada” não tem o sentido de menosprezar as ações reacionárias em curso pelo país) ressurge a proposta de constituição de uma Frente de Esquerda. Já apresentada há alguns anos por Lula, sem que a discussão tenha avançado, a proposta é agora recolocada pelo Governador do Ceará, Cid Gomes. É preciso discuti-la e viabiliza-la como uma necessidade urgente do processo de construção da unidade dos distintos setores da esquerda brasileira, ampliando-a em relação aos partidos e incluindo a “esquerda social”, representada pelos movimentos. Ou seja, além do PT e demais partidos da esquerda e do campo democrático-popular, essa Frente deve incorporar sindicatos e movimentos populares e sociais como instrumento estratégico das transformações anticapitalistas que amadurecem na consciência do povo brasileiro.

Para dar consistência a essa nova geometria política, construir um programa de transição que dê efetiva segurança para a base social trabalhadora que se reafirmou na reeleição de Dilma, mas também aos milhares que se abstiveram, votaram nulo ou branco, mas que também apoiam o aprofundamento das mudanças por meio da implantação de um modelo alternativo ao capitalismo dominante. A implantação desse modelo, deve vir coordenado com os mecanismos regionais e mundiais de integração existentes: Mercosul, Unasul, Celac, G-20 e BRICS, que dê conta de afirmar uma governança mundial antimperialista, com um novo padrão monetário e de validação de novas medidas de valoração do comercio internacional, baseadas no valor trabalho, na inclusão e na solidariedade.

A demora em avançar para um novo modelo tende a abrir flancos no processo político, causando incertezas e propiciando a divisão política do campo progressista. Esse é o desafio que o Partido dos Trabalhadores tem pela frente.

Nesse sentido, uma delegação de dirigentes do PT encontra-se na China. Oportunidades como essa permitem avançar na coordenação política internacional da classe trabalhadora, abarcando as relações econômicas, culturais, mas sobretudo balizadas pelo entendimento político. Não há como fazer omelete sem quebrar os ovos! Ou seja, não há como construir um país justo, solidário, com distribuição de renda e igualdade de oportunidades, sem atingir esse patamar de ação política articulada mundialmente.

Os desafios políticos internos para o próximo período, como a eleição da Presidência da Câmara e a Constituinte exclusiva para a Reforma Política são parte dessa luta que é mundial.

Eleições no Distrito Federal

Temos que internalizar, no DF, essa relação de forças favorável em nível nacional, que permitiu a reeleição de Dilma, e assim reconstituir nossas forças depois da derrota eleitoral local em outubro.

O PT-DF, apoiado nos 38% dos votos dados a Dilma no DF, no 2º. Turno, tem todas as condições de recuperar, em 2018, o espaço político-eleitoral perdido.

Os quatro anos de governo Agnelo mostraram, mais uma vez, que o tempo da política não necessariamente coincide com o tempo do relógio. O emperramento do governo nos dois primeiros anos consolidaram uma visão bastante negativa da população brasiliense, e que o bom governo dos dois últimos anos não foi capaz de reverter.

Temos que aprender nos dois níveis: com a vitória nacional e com a derrota local, mudando radicalmente o funcionamento partidário para que os milhares de militantes que saíram às ruas na campanha e que propiciaram, em Brasília, o diferencial de votos para Dilma do primeiro para o segundo turno (23% para 38%) sejam incorporados à vida interna partidária. Que as sedes e locais do PT nas cidades sejam espaços abertos à comunidade e que as ações da direção partidária e da bancada parlamentar se deem em harmonia com os anseios da base militante e partidária.

O legado do Governo Agnelo estará em disputa nos próximos quatro anos (os investimentos em educação, creches, saúde, moradia popular, transporte, transparência, nas carreiras dos servidores públicos, no turismo, na participação popular etc etc). Por outro lado, se o partido do governador eleito não mudar seu posicionamento nacional em relação ao Governo Dilma, só há uma opção no DF: militar na oposição ao governo Rollemberg.Logo M26

 Brasília, novembro de 2014

M26 / IV Internacional Posadista

É Dilma Presidente! – Frente Operária #499:

Leia Frente Operária #499! Clique aqui: FO499

Editorial: Só há uma Opção para Avançar: É Dilma Presidente!

Pg 03: Contra os fatos não há argumentos

Pg 04: Argentina no enfrentamento aos Fundos Abutres

Pg 05: Conjuntura Mundial

Pg 06: Solidariedade com o Povo Palestino

Pg 07: Estado Islâmico – A Nova Estratégia de Washington

Pg 08: É Dilma no Brasil, e Tabaré no Uruguai!